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Juiz informou Cavaco de escutas ao genro no caso face oculta

09-09-2016 - Lusa

O ex-assessor de Cavaco Silva, Fernando Lima, revela no seu livro de memórias que o ex-Presidente da República foi informado por um magistrado, em 2009, de que o seu genro fazia parte das escutas do caso “Face Oculta”.

A revelação é divulgada pelo Diário de Notícias na véspera do lançamento do livro “A sombra da Presidência – relato de 10 anos em Belém”, que chega às livrarias esta quinta-feira.

“Quando a transcrição das escutas do Face Oculta foi divulgada, em Fevereiro de 2010, para Cavaco Silva não constituía uma novidade que nelas constasse o nome deLuís Montez“, genro do então Presidente da República, escreve Fernando Lima na obra que aborda os 10 anos em que foi assessor de Cavaco, citado pelo DN.

“Em meados de Outubro de 2009, fora informado por um magistrado de que esse processo incluía uma alusão ao seu genro, uma vez que no negócio da PT/TVI estava ainda previsto ser-lhe atribuída uma das rádios da Media Capital, pertencente à Prisa”, acrescenta.

Sócrates e a sua “poderosa e invisível máquina”

No livro, Fernando Lima fala ainda da “poderosa e invisível máquina dos socialistas” para denegrir quem se “atravessasse” no seu caminho, nomeando as “vigilâncias” a Belém.

“O poder invisível de quem vigia ultrapassa a imaginação”, escreve o ex-assessor de Cavaco, dedicando quatro dos 19 capítulos do livro ao chamado “caso das escutas”, desencadeado em Agosto de 2009 com uma notícia do “Público”, segundo a qual a Presidência suspeitava estar a ser vigiada.

Recordando que na sua desconfiança sobre “uma possível vigilância a Belém” não era uma voz isolada, citando denúncias de deputados, advogados, juízes e magistrados de “processos incómodos para Sócrates”, Fernando Lima detalha situações que lhe permitiram confirmar que se encontrava “sob a mira do poder socialista”, recuando até Abril de 2007, quando foi publicado na revista do Expresso um texto em que lhe foram feitas “referências insultuosas”, embora sem citar o seu nome.

“A diabolização da minha pessoa fazia parte da estratégia socrática para dominar o espaço informativo da última semana da campanha eleitoral”, sublinha Fernando Lima, que dizia estar “sob a mira do poder socialista”.

O cerco a Cavaco e o “autoritarismo oculto”

O ex-assessor de Cavaco reforça que aos socialistas não interessava “um poder forte em Belém e, muito menos, um Presidente que quisesse passar por impoluto”.

Reconhecendo que Sócrates “soube cercar o Presidente”, o antigo assessor lembra como as notícias sobre as mais-valias no âmbito do BPN marcaram o ex-Presidente e a sua família.

Um dos primeiros casos relatados por Fernando Lima refere-se ao Tratado de Lisboa e à “encenação criada para proteger o primeiro-ministro de falhar um compromisso eleitoral”, depois de José Sócrates ter prometido convocar uma consulta popular sobre o tratado e isso não se ter concretizado.

A “intervenção directa e decisiva do Presidente” para demover o Governo de construir um novo aeroporto na Ota e “as tentativas do Governo para controlar o sector bancário” fazem também parte do livro de Fernando Lima, que foi assessor e adjunto de Cavaco Silva quando este foi primeiro-ministro (1986-1995) e Presidente da República (2006-2016).

“Paulatinamente, foi-se criando um autoritarismo oculto que exercia o seu controlo sobre o Estado, a finança, o sector judiciário e as informações”, escreve Fernando Lima.

Entre as 430 páginas que Fernando Lima escreveu é também abordado o “cerco ao Presidente” no caso BPN e o “desgaste” que a situação de Dias Loureiro provocou em Cavaco Silva, com o antigo assessor a revelar pormenores sobre como a TVIalegadamente colocava questões em coordenação com o Governo sobre o caso.

Falando numa “ofensiva anti-Cavaco” e em tentativa de atingir a honorabilidade do Presidente, o antigo assessor recorda igualmente o caso PT/TVI e os rumores que circulavam sobre a intenção do Governo intervir na estação de televisão para alterar a linha editorial.

Segundo Fernando Lima, foi uma declaração de Cavaco Silva sobre o caso que “desfere o golpe final” nas intenções do Governo, quando se preparava a entrada da Ongoing no capital da Media Capital, operação que resultaria da conjugação de apoios financeiros entre a PT e o BES.

“Este é o livro que não gostaria de ter escrito, mas este é o livro que tive de escrever”, lê-se logo na primeira linha da introdução.

Lusa

 

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