| Mario Draghi propõe legislação para criar mercado de venda de malparado
22-07-2016 - Maria Teixeira Alves
Como resposta ao excesso de crédito em incumprimento nos balanços dos bancos europeus, o presidente do BCE propõe a criação de um mercado de comercialização de carteiras de crédito.
Assumindo que o excesso de credito malparado em alguns bancos é um entrave à concessão de novo crédito à economia, logo à sua política monetária, Mario Draghi como resposta ao excesso de crédito em incumprimento nos balanços dos bancos europeus, propõe a criação de um mercado de comercialização de carteiras de crédito.
A propósito da questão do caso dos bancos italianos, a principal medida apresentada por Draghi para que os bancos consigam diminuir o crédito malparado do seu balanço é criar um quadro legislativo que facilite a venda de carteiras de crédito malparado no mercado. Um mercado para a venda do stock de malparado (legacy).
Já antes tinha dito que a solução para o excesso de crédito malparado nos bancos tem de assentar "em três pilares: Uma consistente política de supervisão; desenvolvimento de um mercado funcional para comercializar o crédito malparado; e criar legislação que force à existência de um mercado de carteiras de crédito malparado".
Portanto o presidente do Banco Central Europeu é favor de ser o mercado a digerir o malparado dos bancos e não os Estados, com bad banks, ou o sistema bancário com os seus Fundos de Resolução. Não se sabe se nessa legislação consta a possibilidade de titularizar esses créditos.
A crise do subprime, convém lembrar, resultou da titularização dos créditos hipotecários de alto risco, vendidos depois aos investidores institucionais, entre eles os bancos.
Neste momento já há empresas especialistas na compra de carteiras de malparado, como a Arrow, a Whitestar, ou fundos como o Lone Star.
Questionado sobre o caso da banca portuguesa, Mario Draghi disse que “temos de enfrentar a questão dos empréstimos em incumprimento, que será uma questão de exposição ao crédito malparado. Não diria que consideremos um risco, mas são um problema ao qual termos de voltar”.
Draghi não rejeitou que em casos excepcionais os bancos da zona euro possam recorrer aos mecanismos de natureza pública para o reforço dos capitais próprios (a chamada back-stop facility). No entanto realça que é uma decisão da Comissão Europeia.
Fonte: O Económico
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