| Chefe do FMI faltou à reunião que tinha convocado
01-07-2016 - Lusa
Os parceiros sociais manifestaram-se incrédulos perante a ausência do chefe de missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Portugal, Subir Lall, no encontro convocado pelo mesmo, no âmbito do processo de acompanhamento e monitorização da economia nacional.
Naquela que deveria ter sido uma reunião para avaliar as políticas do mercado de trabalho e o seu impacto fiscal, incluindo a reposição da lei das 35 horas de trabalho semanal para a função pública, o salário mínimo, a despesa pública e as desigualdades, os parceiros sociais estiverem reunidos mais de duas horas com dois técnicos do FMI que não conhecem, sem que lhes tenha sido dada uma justificação para a ausência de Subir Lall, que convocou o encontro.
Uma ausência que surge depois de Subir Lall ter defendido, em entrevista à Lusa, que os portugueses devem trabalhar mais anos e com menos direitos na reforma.
Entre os sete elementos do FMI que deveriam estar presentes no Conselho Económico e Social (CES), em Lisboa, compareceram apenas dois que, segundo os parceiros, nada disseram, não se apresentaram, tomaram notas, e que apenas falaram para colocar uma questão: “Qual a opinião dos parceiros sociais sobre a redução do investimento em Portugal?”.
“Surpreendeu-nos a ausência de Subir Lall e não foi explicada a razão. Espero que seja uma boa razão, senão significa um desprezo pela concertação social e pelos parceiros, que nós consideramos que é negativo. Os técnicos presentes não se apresentaram e pela idade não devem ser pessoas com muita experiência”, afirmou o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes.
Também o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, lamentou o facto de o chefe de missão do FMI não ter estado presente no encontro.
“Robôs que tiram apontamentos e não respondem”
Do lado das centrais sindicais, a surpresa pelo sucedido pautou as declarações do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, para quem “situações destas no futuro não podem voltar a verificar-se”.
“O FMI não pode pensar que chega a Portugal, define uma agenda política e chama os parceiros sociais para dar suporte a essa agenda política, sem dizer uma palavra, sem fundamentar uma posição, sem justificar aquilo que dizem”, considerou o líder da central sindical.
Arménio Carlos acrescentou ainda que os técnicos “funcionam como robôs, entram para ouvir falar, tiram apontamentos, são confrontados com questões concretas, e não respondem”.
Já a UGT, pela voz da secretária-geral adjunta, Ana Paula Bernardo, afirmou que a estrutura sindical não foi informada da composição, “nem total, nem parcial, da delegação do FMI”.
“Foi-nos dito que numa próxima oportunidade o chefe de missão tentaria estar presente”, disse.
Questionada sobre quem seriam os dois elementos do FMI presentes no encontro desta manhã, Ana Paula Bernardo disse não saber responder a essa pergunta, e acrescentou: “Tanto quanto sabemos são técnicos do FMI que acompanham certamente Portugal, mas essa questão terá de ser colocada ao chefe de missão”.
A deslocação dos representantes do FMI a Lisboa, com a duração de mais de uma semana, tem final marcado para quarta-feira.
De acordo com a folha de presenças afixada no final da reunião, os técnicos do FMI presentes no encontro eram Matthew Gaertner e Maximilien Queyranne, que surgem como contribuidores no relatório ontem publicado, Da crise à convergência: traçar um rumo para Portugal, nos capítulos relativos às dívidas pública e privada.
Ambos são responsáveis pelo capítulo intitulado “Dealing with Public Debt Overhang: Fiscal Adjustment and Challenges Ahead” (ajustamento fiscal e desafios futuros).
Maximilien Queyranne, do Departmento de Assuntos Fiscais (FAD) do FMI, é ainda um do autores do capítulo seguinte, “Dealing with Private Debt Overhang: Corporate Debt Restructuring” (reestruturação da dívida empresarial).
Lusa
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