| CSA-Obra maior dos Sargentos da Armada
01-07-2016 - Manuel Custódio de Jesus
O CSA é obra maior dos Sargentos da Armada. Penso e julgo que, hoje, é consensual, os seus mais de 4.000 associados estarem orgulhosos de a ele pertencerem. Goza de respeito na Instituição Militar e de admiração entre os seus membros, e é uma referência no seio da sociedade onde está inserido.
A sua constituição e desenvolvimento deve-se à coragem e determinação dos seus dirigentes ao longo dos tempos e da sua massa associativa; ao empenho, ao muito trabalho, à dedicação e ao sacrifício; de empréstimos e ofertas de dinheiro de muitas centenas de camaradas e também de alguns apoios. É uma prova também que os dirigentes nunca estiveram dependentes nem da Administaração da Marinha, nem das Câmaras e das Juntas de Freguesia onde está localizado, ou de quaisquer outras entidades.
Não estiveram nem estão contra subsídios e apoios recebidos, até os solicitam. Mas nunca estiveram à espera que outros fizessem aquilo que a eles competia e compete fazer.
O CSA é um fruto do 25 de Abril, mas é também um produto do Movimento Associativo em geral e, em particular, do de Almada. devido em parte, a Base Naval de Lisboa- BNL, estar ligada a Almada. É isso que explica o ter-se realizado, logo, no dia 29 de Abril, uma reunião na BNL, contrariando a vontade do comando, e ter-se decidido criar o Clube. Quando o fascismo foi derrubado, em 25 de Abril de 1974 pelo MFA, há já muito que tinha amadurecido, na consciência dos Sargentos da Armada, a aspiração de ter um espaço onde debater os seus problemas, de conviver e receber os sargentos dos outros países que visitavam Portugal.
O ter trabalhado, desde inicio, com todas as equipas que têm dirigido o CSA e ter sido delegado do CSA à Confederação das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD), durante mais de 15 anos e, nessa condição, ter feito parte dos Órgãos Sociais dessa grande Instituição, permitiu-me conhecer melhor a importância do Associativismo, não só para o desenvolvimento social, cultural e cívico dos seus próprios associados, como para o desenvolvimento da democracia e da sociedade. E permitiu-me ainda, compreender melhor as razões determinantes de como se constituiu, cresceu, e se desenvolveu o CSA.
O seu êxito deve-se sobretudo, à unidade, coragem e determinação das direcções e à unidade destas com a massa associativa. Razões já apontadas, no livro: Clube do Sargento da Armada Uma História de Lua e Resistencia.
Só com a unidade e o trabalho colectivo e a determinação das direcções, que nada receberam ou recebem em troca, a não ser a satisfação de servir o seu Clube, se conseguiu unir e dirigir a massa associativa para construir e vencer os momentos difíceis que o CSA teve de enfrentar no seu caminho.
Só assim foi possível cumprir o que dissemos, quando fomos expulsos da Sede, no Bairro Alto, em Lisboa, e antes da entrega da chave desse espaço, quando se procedia ao arriar da bandeira Nacional: Não nos vergarão! Sim não nos vergaram, como ainda crescemos e avançámos, pois, 6 meses após termos entregue a chave da outra Sede, eram içadas as bandeiras, a Nacional e a do Clube, na nova Sede do CSA, que se inaugurava, na Rua. das Escolas Gerais, Nº 96, em Lisboa. Hoje, inteiramente nossa!
O CSA possui já hoje, um grande património material - a Sede em Lisboa e a Delegação, no Feijó, esta, inserida na Rua e Praceta com o nome de Clube do Sargento da Armada, a «menina dos nossos olhos», como alguns ainda dizem.
A este já grande património material, se junta também o património de luta e o conhecimento de experiência feito, que permitiu e continua a permitir dirigir esta grande nau, a oferecer os serviços que serve, a realizar um sem número de actividades, nas mais diversas modalidades - sociais, cívicas, culturais, desportivas e outras, constituíndo grupos de trabalho e de artistas, como o Sempre a Aprender que, uma vez por semana, faz do salão de festas atelier, para criar as suas obras, um Coro Polifónico, que canta e encanta com as suas magnificas canções e, até campeonatos de Mah-jong, jogo chinês, se realizam.
O CSA, nunca foi nem, por certo, quer ser, o prolongamento do poder do Estado-maior da Armada, como se de uma unidade militar se tratasse. É uma Instituição com identidade própria, com Estatutos aprovados na Assembleia Geral com mais de 2000 sargentos. São os associados, e só eles, que decidem, nas Assembleias Gerais, o que querem e desejam para o seu Clube dentro, claro, da legalidade constitucional.
Um clube com uma situação económica e financeira estabilizada, com as contas feitas a tempo e certas, não deve nada a ninguém.
O constatar desta situação tem-me levado a dizer, com alguma vaidade, nas nossas discussões: como seria o nosso país se assim fosse governado.
Que satisfação e orgulho ser sócio de uma Instituição como o CSA.
As várias equipas que têm dirigido o CSA souberam conduzir a «nau» e sempre no rumo certo, pois aprenderam com o pensador e filosofo (Sêneca, Ano IV a-C). “Nenhum vento será favorável se não se souber o Porto de destino”
Um Clube Vivo é um Clube Participado!
Manuel Custódio de Jesus, Sócio Nº 844
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