| Pequim está a afundar-se (literalmente)
01-07-2016 - AJB
A capital chinesa, Pequim, é mais conhecida pelo seu absurdo nível de poluição atmosférica e por ocasionais tempestades de areia. Mas a sua maior ameaça ambiental encontra-se na realidade no subsolo: a cidade está a afundar-se.
A excessiva extracção de água dos lençóis subterrâneos de Pequim está a provocar um colapso geológico do subsolo da cidade, cuja secagem está a provocar a compactação e abatimento do terreno urbano.
A situação é agravada pela excessiva construção de arranha-céus, cuja magnitude e número começam a fazer sentir o seu peso no solo da cidade, que assiste a um boom imobiliário desde a década de 90.
Segundo o jornal britânico The Guardian, toda a cidade está a afundar-se, mas o efeito é mais significativo em Chaoyang, o bairro financeiro da capital chinesa, que está a afundar 11 cm por ano .
O fenómeno, que coloca em risco os mais de 20 milhões de habitantes da cidade, foi descrito num estudo publicado este mês na revista científica Remote Sensing ,
A equipa de investigadores usou dados do InSAR, um sistema especial de radar que usa imagens de satélite para avaliar os níveis de deformação da superfície terrestre e monitorizar possíveis desastres naturais como terramotos e deslizamentos de terras.
O engenheiro espanhol Roberto Tomas e os cientistas chineses Li Xiaojuan e Chen Mi , três dos autores do estudo, explicaram ao The Guardian que Pequim está localizada sobre uma planície seca, cujo lençol freático se acumulou ao longo de milénios.
“À medida que a água é bombeada, o lençol freático diminui e o solo comprime-se, diminuindo de volume, como se fosse uma esponja seca “, explicam os cientistas.
“Estamos agora a fazer uma análise detalhada do impacto do afundamento do solo na planície de Pequim — por exemplo, na infra-estrutura ferroviária crítica da cidade”, adiantam os investigadores.
Segundo o jornal espanhol El Mundo, o afundamento de Pequim foi documentado pela primeira vez em 1935, e desde então diversos estudos relacionaram o colapso das terras com a bombagem de água do subsolo.
Um desses estudos, em 2015, recomendava mesmo que mesmo que, para evitar possíveis impactos dramáticos – como descarrilamentos de comboios – fosse proibida a construção de poços de água nas proximidades das linhas de caminho de ferro.
Mas essa é uma recomendação muito difícil de implementar numa região que atravessa uma grave crise hídrica e cuja população sofre com a escassez do precioso líquido que corre sob os seus pés.
AJB
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