| Contra o PS e contra Sócrates, Vara defende inquérito à Caixa
24-06-2016 - SV
Armando Vara defende a realização de um inquérito parlamentar à Caixa Geral de Depósitos (CGD), contrariando assim o seu partido, o PS e José Sócrates, quando é apontado como um dos gestores responsáveis pelos créditos problemáticos do banco.
Numa carta enviada ao Presidente da Assembleia da República e aos grupos parlamentares, divulgada pelo Diário de Notícias, Armando Vara manifesta-se favorável a um inquérito parlamentar à CGD com o argumento da “defesa” do seu “bom nome” e da credibilidade e reputação da própria instituição.
O ex-administrador da Caixa tem sido apontado como um dos responsáveis no âmbito dos 2,3 mil milhões de euros que o Banco estatal tem em risco por empréstimos concedidos sem garantias.
Vara é arguido na Operação Marquês, a par de José Sócrates, no âmbito de um crédito concedido pela CGD ao empreendimento de Vale do Lobo , no Algarve. A operação foi considerada ruinosa para o Banco público e o Vale do Lobo está entre os grandes devedores da Caixa com créditos problemáticos.
Apesar disso, o ex-ministro do PS defende o inquérito parlamentar à CGD, que o PSD tem defendido contra a vontade da Esquerda e que já levou José Sócrates a mostrar-se revoltado, falando num “infantil ataque” dos sociais-democratas.
Por seu lado, Vara sublinha que é “imperioso que, para defesa do bom nome, em primeiro lugar da própria instituição e, em segundo, de todos quantos trabalharam nela e trabalham, seja realizada uma inquirição pública, totalmente transparente e aberta , da sua gestão ao longo dos anos”.
Numa altura em que se noticia que recapitalizar a Caixa afinal vai custar 5 mil milhões de euros, e não os 4 mil milhões avançados inicialmente, Vara refere, na carta citada pelo DN, que é preciso “esclarecer, em toda a sua extensão, a evolução da situação financeira da CGD ao longo deste período e apurar as causas que possam estar na origem desta eventual necessidade de recapitalização “.
O ex-administrador do Banco reforça que a CGD é “uma instituição financeira de grande credibilidade” e que, portanto, ninguém “deve temer uma apreciação rigorosa, independente, feita pelo órgão máximo da representação política nacional, a Assembleia da República”.
Lamentando o “populismo” com que o assunto tem sido tratado, motivando “sistematicamente a invocação” do seu nome “como culpado do estado do Banco”, Vara sublinha também que nunca tomou “decisões baseadas em pressões de qualquer natureza” e que agiu com “critérios estritamente profissionais e no respeito pelas cadeias próprias de decisão da instituição”.
Assim, o ex-ministro coloca-se “à inteira disposição do Parlamento para prestar todos os esclarecimentos” que forem necessários neste inquérito parlamentar à CGD.
SV
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