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Paulo Portas vai trabalhar para a Mota-Engil

10-06-2016 - Lusa

Paulo Portas vai desempenhar funções de consultor na Mota-Engil, apoiando a internacionalização da empresa. Uma contratação vista por alguns como “politicamente criticável”, mas o ex-vice-primeiro-ministro não vê “qualquer incompatibilidade” com o papel que teve no anterior governo.

A contratação de Paulo Portas como consultor da Mota-Engil foi anunciada esta segunda-feira, depois de, no final da semana passada, se ter  despedido bastante emocionadoda Assembleia da República, onde deixou o lugar de deputado.

Em declarações ao  Expresso, o ex-líder do CDS considera que “não há qualquer incompatibilidade” entre estas novas funções e as que desempenhou no governo PSD/CDS-PP.

“Como ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro sempre lutei para que as empresas portuguesas, em igualdade de circunstâncias, pudessem ganhar contratos, mercados e oportunidades. Foi o que fiz durante quatro anos com centenas de empresas, porque era esse o melhor serviço que podia prestar ao meu país”, salienta Portas ao Expresso.

O ex-governante liderou diversas missões empresariais ao estrangeiro com a participação da Mota-Engil, entre outras empresas portuguesas.

Agora vai ser o responsável pelo novo Conselho Internacional da empresa, com foco na internacionalização e na criação de um conselho estratégico para a América Latina, conforme disse à Lusa o presidente do Conselho de Administração do grupo construtor, António Mota.

“O dr. Paulo Portas entrará como consultor e o objectivo é apoiar-nos na internacionalização, com grande incidência na América Latina, mas também para outros mercados onde a Mota-Engil ainda não está presente”, afirmou.

O responsável e accionista do grupo adiantou que o ex-governante vai criar um conselho estratégico dentro da Mota-Engil para a América Latina, que será composto por elementos do grupo e por pessoas dos países onde a empresa já está presente, como é o caso do México, Colômbia, Peru e Brasil.

Bloco critica “porta giratória” entre Governo e privados

A contratação de Portas pela Mota-Engil despoleta críticas do Bloco de Esquerda com o líder parlamentar Pedro Filipe Soares a considerar que é “politicamente criticável”, reprovando a “porta giratória” entre o Governo e o privado.

“A notícia de que Paulo Portas vai agora para um alto cargo da Mota-Engil é mais um exemplo daquilo que todos nós criticamos na política e que não deveria acontecer que é o saltar de um Governo para os privados, com um estalar de dedos e poucos meses depois de sair do Governo”, disse o bloquista à agência Lusa, desafiando o ex-governante a provar que não há incompatibilidades.

Portas não é o primeiro político que passa pela Mota-Engil. Também Jorge Coelho, ex-ministro do governo socialista de António Guterres, passou pela empresa.

O ex-ministro Valente de Oliveira, que passou por cinco governos, e o ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Francisco Seixas da Costa, trabalham actualmente na empresa, tal como o ex-deputado e ex-dirigente do CDS António Lobo Xavier.

Lusa

 

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