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“O risco da gerigonça” é a Europa, diz Pacheco Pereira

10-06-2016 - Eunice Lourenço

Ex-dirigente muito aplaudido no congresso do PS ao pedir o fim do Tratado Orçamental.

O risco da actual situação governativa em Portugal – a “gerigonça”, como também lhe chamou Pacheco Pereira no congresso do PS – é a União Europeia e não a consistência da aliança. Foi o que disse o comentador e ex-dirigente do PSD José Pacheco Pereira que participou num debate sobre o futuro do socialismo democrático, que acabou por marcar a manhã do segundo dia de congresso socialista.

Muito aplaudido pelos congressistas presentes, Pacheco Pereira fez uma intervenção muito crítica das actuais políticas europeias e dos governos dos vários países da União, incluindo os socialistas que acusou de terem abandonado a social-democracia tal como foi construída no pós-II guerra mundial.

Pacheco Pereira criticou os socialistas que assinaram o Tratado Orçamental da UE, porque é “a subjugação a um tratado que foi feito para criminalizar a política dos socialistas”. Um tratado que, disse, nem permitirá testar a aposta do governo do PS na reanimação do consumo privado.

“Não percebo como é que se aceita que o Parlamento português não tenham poderes orçamentais. Temos um Parlamento castrado que discute e vota um Orçamento só depois de ele ter sido visto e aprovado por Bruxelas. Isto é gravíssimo”, disse o antigo líder parlamentar do PSD.

Para Pacheco Pereira, o socialismo está a falhar na luta pela democracia, na aceitação da “criminalização” de políticas sociais e no abandono do combate às desigualdades.

“Ou se acaba com o tratado orçamental ou a política da Europa é oficialmente neoliberal” e os partidos socialistas “ou combatem o tratado orçamental ou estão condenado”, afirmou Pacheco Pereira, para quem o “risco da gerigonça não é a aliança entre os partido que é mais forte do que parece” e também não é a falta de capacidade reformista, que também acredita existir. O que põe em risco o governo apoiado pelos partidos da esquerda são as políticas europeias.

A ex-deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago alinhou no mesmo sentido e defendeu que “a ancoragem nacional no confronto com a Europa é determinante". Ana Drago analisou a “dificuldade identitária” da social-democracia e disse que hoje só os “partidos da esquerda radical”, como o Bloco de Esquerda ou o espanhol Podemos defendem o projecto da social-democracia do pós-guerra.

Uma ideia que Pedro Silva Pereira rejeitou. O ex-ministro e actual eurodeputado fez a defesa dos socialistas e do projecto europeu. “A atitude que temos não é de resignação, é de combate”, garantiu Pedro Silva Pereira, que continua a acreditar no projecto da União Europeia e da moeda única como garantias de paz e de desenvolvimento.

Pedro Silva Pereira admitiu a necessidade de alterações no Tratado Orçamento, mas também avisou que “não haverá moeda única sem regras”. E defendeu uma outra política orçamental que abra mais espaço para o investimento público e um novo equilíbrio nas instituições com soluções mais democráticas.

O debate entre Pacheco Pereira, Ana Drago e Pedro Silva Pereira abriu o segundo dia do congresso do PS, que decorreu no passado fim-de-semana em Lisboa.

Fonte: RR

 

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