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De Cravo na mão, Marcelo diz que falta cumprir Abril

29-04-2016 - SV

De cravo na mão a simbolizar o muito que ainda falta cumprir dos ideais do 25 de Abril, Marcelo Rebelo de Sousa fez o seu primeiro discurso como Presidente da República, nas comemorações da Revolução, e foi aplaudido por todas as bancadas parlamentares.

Depois de não ter recebido aplausos do Bloco de Esquerda e do PCP, aquando do discurso da tomada de posse como Presidente da República, desta feita, Marcelo recebeu saudações de todos os deputados, depois de ter alertado para o muito que ainda falta cumprir dos ideais de Abril.

O Presidente surgiu no Parlamento com um cravo na mão e explicou que este lhe tinha sido dado por um grupo de jovens e que o tinha como um símbolo do que ainda falta fazer, passados 42 anos do 25 de Abril de 1974.

Marcelo começou por saudar os Capitães de Abril, nomeadamente Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço, que voltaram a marcar presença nas cerimónias do 25 de Abril, na Assembleia da República, depois de quatro anos de ausência, como forma de protesto contra as políticas do governo PSD-CDS.

Depois, Marcelo lembrou as “queixas e frustrações em muitas portuguesas e portugueses“. “Como aqueles – do Conselho Nacional de Juventude -, que ontem [domingo] me deram, simbolicamente, este cravo para que, hoje, ao evocar os 42 anos do 25 de Abril, não me esquecesse do muito que está por fazer”, disse, levantando esse cravo enquanto discursava.

A marcar o discurso do Presidente, fica ainda o apelo aos consensos políticos e à união, com alertas de que Portugal não deve viver permanentemente em eleições eleitorais e de que “mais instabilidade, mais insegurança, não abre caminhos, fecha horizontes”. “Troquemos as emoções pelo bom senso”, pediu.

Marcelo deixou igualmente, recados às autoridades europeias, sublinhando que Portugal deve “lutar por uma Europa menos confidencial, mais atenta às pessoas, que não pareça reprovar nos factos o que apregoa nos ideais”. “Dar horizontes de esperança, que não seja ir de crise em crise, afirmando-se capaz de crescer, criar emprego e dar futuro aos portugueses”, relevou, considerando que deve “recuperar a classe média, combater as assimetrias e a pobreza que nos deve envergonhar”.

Teixeira da Cruz muito dura nas críticas ao governo

Antes do discurso presidencial, Paula Teixeira da Cruz assumiu o discurso mais crítico e duro da cerimónia, fazendo a defesa do governo do PSD, de que fez parte como ministra da Justiça, e criticando severamente o que definiu como a “governação demagógica” do actual Executivo.

A deputada do PSD falou em “revanchismo político”, em “atitudes persecutórias e arrogância no exercício de poder”, considerando que as medidas socialistas são “políticas de curto prazo”, “fugas para a frente, que levam os países à ruína, como aconteceu em 2011″.

Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, agradeceu, por seu turno, aos Capitães de Abril, arrancando aplausos de toda a sala, e apelou a uma “Europa mais centrada na solidariedade do que nos défices das contas públicas”.

João Torres, da Juventude Socialista, representou o PS nos discursos e pediu uma “sociedade decente, fundada em três D: defender, dinamizar, desafiar” os “preconceitos, o conservadorismo, a cartilha neoliberal”.

Pelo Bloco de Esquerda falou Jorge Costa com muitas críticas à Europa e ao Banco Central Europeu em particular, com o alerta de que há uma “dívida” para com os valores de Abril.

Nuno Magalhães, do CDS, criticou o Programa de Estabilidade do governo, frisando que é “pouco credível nas projecções” e que “não podemos deitar fora o que, com dor, conseguimos”. “Não podemos repetir os erros do passado”, avisou ainda.

Da parte do PCP, Rita Rato fez a defesa das reivindicações políticas habituais dos comunistas, como o aumento dos salários e das pensões, e deixou muitas críticas ao PSD e à Europa.

José Luís Ferreira, de Os Verdes, notou que “já estivemos mais perto de Abril, [mas que] também já estivemos mais longe”.

E André Silva, do PAN, que abriu os discursos na sua estreia nas cerimónias de Abril, falou da “realização da felicidade”, dando o exemplo do reino do Butão para sublinhar que “a única maneira de sustentar uma ilusão é quando é partilhada por todos”.

 

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