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"Panamá Papers": ainda é só o início

08-04-2016 - TSF com Lusa

Os documentos que começaram a ser revelados este domingo mostram como centenas de personalidades usam paraísos fiscais para fugir ao fisco. Na lista há políticos, empresários e jogadores de futebol.

O Ministério Público do Panamá decidiu abrir uma investigação por causa das revelações de documentos por parte do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (International Consortium of Investigative Journalists).

Os "Documentos do Panamá" ("Panama Papers"), como são conhecidos, revelam um sistema legal de construção de empresas para fugir ao fisco em mais de 200 países ou territórios de todo o mundo.

Os documentos, que começaram a ser revelados no último domingo, envolvem mais de 200 mil empresas e 140 políticos, entre os quais 12 atuais ou antigos chefes de Estado ou de Governo. O nome de Vladimir Putin é o mais sonante, mas o rei saudita, o presidente sírio, e o primeiro-ministro da Islândia também aparecem nesta lista.

Ramon Fonseca, sócio fundador da Mossack Fonseca, a sociedade de advogados que está no centro deste turbilhão, diz que não houve ilegalidades por parte da empresa. Em declarações ao canal de televisão do Panamá TVN Noticias, Ramon Fonseca lembra, no entanto, que não pode responsabilizar-se pelo que fizeram os clientes, considerando esta investigação "um crime e um ataque".

Para Fonseca, de 64 anos, "há duas maneiras de ver o mundo. A primeira é ser competitivo e a segunda criar mais impostos". "Há uma guerra entre os países abertos, como o Panamá, e os países que cobram cada vez mais impostos às empresas e cidadãos", declarou.

Os "Documentos do Panamá" fazem parte de uma investigação conduzida ao longo de um ano pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação e agora revelada por mais de uma centena de outros órgãos de comunicação social.

Em Portugal, o semanário Expresso teve acesso direto aos documentos. O diretor Pedro Santos Guerreiro explicou à TSF no que é que consistem os "Panama Papers".

Para já, só há um nome português, que parece ser também figura no processo Lava Jato. Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira é um empresário do norte do país, que aparece ligado a empresas de exploração de petróleo para a Petrobras.

Pedro Santos Guerreiro revelou à TSF que haverá mais portugueses nestes "Documentos do Panamá", que serão revelados mais tarde.

Na Islândia esta investigação já está a ter impacto. No domingo, pouco depois de conhecidos os primeiros dados e a relação do primeiro-ministro, a oposição tratou de pedir a demissão imediata do governante.

A investigadora Sandra Fernandes, da Universidade do Minho, não tem dúvidas que um caso com estes contornos tem obrigatoriamente de produzir consequências políticas.

Também na Austrália, depois da divulgação dos "Documentos do Panamá" as autoridades estão a investigar 800 cidadãos por possíveis evasões tributárias, alegadamente envolvidos em esquemas de corrupção com 'offshores', divulgada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

A Bélgica, México e Costa Rica juntaram-se à Austrália e Panamá na intenção se verificar de existem delitos fiscais nos respetivos países. Em Bruxelas, o ministro das Finanças da Bélgica, Johan Van Overtveldt, assumiu estar "muito impressionado" com o "escândalo" e criou uma comissão especial para investigar eventuais fugas de impostos de pelo menos 732 cidadãos belgas.

Segundo o jornal Le Soir, entre os belgas mencionados figuram artistas, aristocratas e herdeiros de patrimónios familiares, médicos, farmacêuticos, contabilistas, líderes do setor têxtil, académicos e personalidades dos mundos da comunicação, negócio de diamantes e da indústria.

Também o presidente francês, François Hollande, assegurou que estas revelações levarão à abertura de inquéritos em França e agradeceu aos denunciantes, congratulando-se com novas "receitas fiscais". "Todas as informações que forem entregues resultarão em inquéritos dos serviços fiscais e em processos judiciais", declarou Hollande.

Inteligência Económica:

Tudo sobre os Panama Papers;

Há de tudo nos “Panama Papers”. Chefes de Estado, familiares e amigos de políticos, celebridades e traficantes, postos a descoberto em 11,5 milhões de documentos que deram à costa e mostram o rasto de milhares de milhões de dólares que circularam encobertos em offshore. O maior caso de fuga de informação ligado a empresas “offshore” [...]

Panama Papers: O mundo é das offshores, nós só vivemos nele 

Bem-vindos aos " Panama Papers ":

O  homem que fez uma colecta para pagar aos assaltantes de Watergate e os amigos íntimos de  Vladimir  Putin  que   desviaram  mais de dois mil milhões de dólares (a propósito disto, o Guardian fez este  vídeo  simples e direto). O tipo da Comissão de Ética da FIFA que tinha afazeres com outros três tipos de ética questionável. As curiosas empresas de  Jackie Chan , o ator/artista marcial que insiste em fazer as próprias cenas arriscadas, o que não deixa de ser irónico. A enésima   offshore  dos Messi (pai e filho) chamada Mega Stars Entreprises. O pai de  David Cameron. O destino do dinheiro do  Crime do Século (sete mil barras de ouro), no aeroporto de Heathrow, em 1983. O  Lava-Jato, claro. O PM da  Islândia , que no entretanto já pediu eleições antecipadas. O rei da Arábia Saudita. O  Hezbollah, a  Coreia do Norte, o  Irão, os cartéis mexicanos da  droga e respetivas ligações perigosas a 33 empresas e empresários. A  a organização que financiou a compra do combustível usado pelo governo Sírio para bombardear os sírios. Os grandes bancos que gerem milhões de gente pouco recomendável. Transações de 200 milhões de dólares numa só penada. E o português Idalécio de Castro Rodrigues , também ele metido no caso Lava-Jato.  Corrupção, subornos, fugas, chico-espertice, advogados, vazios legais.

Estas histórias estão todas naquilo que o  Expresso titula assim: " Fuga de informação gigante revela esquemas de crime e corrupção no mundo inteiro". São  40 anos (1977 a 2015) de manigâncias, habilidades e ilegalidades financeiras compiladas em 11,5 milhões de ficheiros, nos quais constam os poderosos e os ricos - e os superpoderosos e os multimilionários.  12 líderes mundiais atuais e de outros tempos, 128 políticos e celebridades, e informações inacreditáveis que foram tratadas e investigadas por 370 jornalistas de 76 países no Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ). O Expresso é um dos parceiros portugueses deste projeto e irá publicar todos os dias um artigo dos " Panama Papers". Já agora, este nome que fica no ouvido e nos lembra o "Alfaiate do Panamá" de Le Carré, tem uma razão de ser: a Mossack Fonseca, uma sociedade de advogados com sede naquele país e com escritórios espalhados por Hong Kong, Miami e Zurique.
A  Mossack Fonseca é a origem do inferno do paraíso fiscal. E já reagiu.

" O maior crime de sempre

É mais que uma economia paralela, mais que uma órbita de negócios paralelos, é uma subespécie humana de fortunas giratórias, um submundo tão vasto, tão rico, tão tentacular e tão escabroso que as revelações que se seguem podem levar ao vómito coletivo.  O Expresso inicia este domingo em Portugal a publicação dos “Panama Papers , uma investigação jornalística global à maior fuga de informação de sempre sobre sociedades offshores. São milhões de registos financeiros secretos que mostram da mais simples habilidade legal à mais complexa rede de crime e corrupção, envolvendo chefes de Estado, banqueiros, criminosos, até gente famosa que se asila em paraísos fiscais. " 

 

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