| PJ descarta crime de terrorismo no Centro Ismaili
31-03-2023 - Oriana Barcelos
O diretor nacional da Polícia Judiciária garantiu esta quarta-feira que as investigações efetuadas permitem dizer que o ataque que causou as mortes de duas mulheres no Centro Ismaili, em Lisboa, não se tratou de um ato terrorista. As autoridades policiais já falaram com o suspeito, que permanece internado.
De acordo com Luís Neves, estamos perante um crime grave, mas de "natureza comum", que nada tem a ver com a radicalização religiosa. A sustentar esta posição estão já "dezenas de diligências", essenciais porque a possibilidade de risco de terrorismo faria a investigação seguir num sentido completamente diferente.
“Conseguimos mapear a vida desta pessoa”, desde o Afeganistão, Grécia e Portugal, referiu o diretor da Polícia Judiciária. “De tudo o que foi recolhido, não há um único indício que permita afirmar que houve a radicalização religiosa”, afirmou, acrescentando que o atacante tinha um modus vivendi ocidentalizado.
Luís Neves afirmou ainda que poderá ter havido um “surto psicótico”, mas que isso terá de ser alvo de uma perícia.
Em análise está ainda a possibilidade de ter havido um conjunto de factos a envolver o suspeito que possam ter culminado no surto.
A Polícia Judiciária já falou com o suspeito no hospital e, apesar de não querer entrar em pormenores, o diretor da PJ acabou por confirmar que o atacante terá mostrado arrependimento.
De acordo com informações médicas , o suspeito só deverá ter alta dentro de pelo menos dez dias, pelo que só depois disso poderá ser presente a um juíz.
A polícia aguarda um mandado judicial de busca, para poder entrar no domicílio do suspeito. Há ainda informação decorrente de cooperação internacional que a polícia aguarda.
Na conferência de imprensa, Luís Neves deixou elogios à "atuação de excelência" da PSP que permitiu que não houvesse mais vítimas mortais.
Fonte: RTP
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