| NA MORTE DO DOUTOR CÂNDIDO FERREIRA
21-03-2023 - N.A.
Faleceu hoje, após doença prolongada, o nosso querido Amigo e companheiro de letras de o Notícias de Almeirim, Cândido Ferreira.
O afastamento súbito do nosso convívio e com os nossos leitores, através das suas crónicas, deixa-nos a todos nós mais pobres.
Nascido no seio de famílias humildes, em Cantanhede, onde frequentou a escola primária, continuou a sua formação académica no Liceu D. João III e na Faculdade de Medicina de Coimbra, sempre com distinção.
Foi Bolseiro da Fundação Gulbenkian, e director do Hospital de Pombal em 1976.
Entre 1978 e 1982, foi monitor da cadeira de Nefrologia na Faculdade de Medicina.
Em 1980, após um estágio em Lyon, França, regressou ao hospital da sua universidade onde, integrando a equipa do Professor Linhares Furtado, procedeu á primeira colheita de órgãos de cadáver e assumiu um importante papel na primeira transplantação bem-sucedida em Portugal.
Em 1982, por insatisfação, optou por trabalhar em regime privado, tendo aberto Clínicas de Hemodiálise, reconhecidas a nível mundial, e foi responsável por mais de um milhão de tratamentos.
Ao longo da sua vida profissional foi distinguido por várias entidades.
Democrata e humanista, viveu a crise académica de 1969 e integrou o Executivo Distrital do MDP-CDE de Coimbra, antes do 25 de Abril, tendo sido detido pela PIDE, por actividades contra a ditadura.
Em 1975 recusou integrar a Assembleia Constituinte em lista do PS, uma candidatura à Câmara Municipal de Leiria, em 1980 e, no exercício da presidência da Federação Distrital de Leiria do PS, entre 1991 e 1995, mais uma vez recusou ser deputado em desfavor da sua carreira médica. Em 2015, vítima de discriminação, a sua candidatura à Presidência da República quase passou despercebida.
Foi responsável por centenas de artigos de opinião, publicados em diversos órgãos de comunicação social, incluindo estações de rádio. Efectuou diversas intervenções públicas, incluindo da TV.
Em 2007, adquiriu a Casa da Urra, em Portalegre, onde se dedicou a actividades ligadas à produção de vinhos e hotelaria, unidades consideradas excepcionais e onde criou espaços museológicos que doou à comunidade local.
Enquanto escritor, deixa-nos uma série de livros, entre eles, “Estórias deste Mundo e do Outro”, “O Senhor Comendador-Retratos de um Portugal de Abril”, “A Paixão do Padre Hilário”, “Setembro Vermelho”, Covid-19 A Tempestade Perfeita”, “Nos Bastidores da Medicina”, “Pegadas Recentes” e outros.
Foi fundador de ONG’s, tendo mantido ao longo da vida uma cooperação regular na defesa da dignificação da Justiça e na cooperação com diversos países de língua portuguesa.
À esposa, filhas e demais família enlutada, o Notícias de Almeirim, apresenta as suas sentidas condolências.
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