| Mariana Mortágua deve avançar para a liderança do Bloco
17-02-2023 - David Santiago e Leonete Botelho
Com a saída de Catarina Martins da coordenação bloquista, Mariana Mortágua deverá protagonizar uma candidatura à liderança do Bloco de Esquerda, apurou o PÚBLICO.
Mariana Mortágua deverá ser a sucessora de Catarina Martins na liderança do Bloco de Esquerda, apurou o PÚBLICO. Internamente é essa a solução que vinha sendo preparada e que dependia apenas de Catarina Martins decidir se permanecia, ou não, na coordenação do Bloco: a ainda líder anunciou esta terça-feira que está de saída.
Deste modo, a deputada Mariana Mortágua terá já decidido protagonizar uma candidatura à liderança do Bloco. E o PÚBLICO sabe que, entre as principais figuras e correntes do partido, uma liderança de Mortágua não causará qualquer tipo de divergência interna.
Até porque a corrente ex-UDP, cujos principais rostos são o fundador bloquista Luís Fazenda e o actual líder parlamentar Pedro Filipe Soares, estão confortáveis com a ideia de Mariana Mortágua como líder. Também a deputada Joana Mortágua (irmã de Mariana) provém da ala UDP.
Nos bastidores há já algum tempo que estava a ser preparado o cenário de Mariana Mortágua – muito próxima do ex-líder Francisco Louçã – suceder a Catarina Martins. Contudo, para se avançar nesse sentido, era necessário perceber os planos da ainda líder.
E Catarina Martins decidiu revelar a saída de cena agora porque este é o momento em que é preciso iniciar o processo colectivo de construção da moção que será levada à convenção nacional do partido em finais de Maio e que tem de ser apresentada até ao próximo dia 26.
A actual coordenadora entendeu que tinha de anunciar a saída da liderança pois não poderia ser ela própria a protagonizar a defesa da moção que agrupará os principais elementos da actual estrutura directiva do Bloco. Tudo indica, portanto, que será Mariana Mortágua a dar a cara por essa moção.
Em 2017, em plena governação da “geringonça”, Francisco Louçã referia-se a Mariana Mortágua como uma “personalidade brilhante”, uma “economista muito capaz” e antecipava que a deputada “um dia há-de ser ministra das Finanças”. Aconteça o que acontecer, Mortágua deverá (começar por) ser a futura líder do Bloco.
Como se escolhe o líder do BE?
A eleição da nova liderança será feita na convenção nacional marcada para 27 e 28 de Maio através da votação das moções de estratégia, textos políticos que definem o rumo do partido para os próximos anos. O novo líder será o primeiro subscritor da moção mais votada no conclave, sendo portanto uma eleição indirecta, mas ao mesmo tempo bastante directa e assumida, pois toda a gente sabe que está a escolher uma moção e um líder e fá-lo de braço no ar, sem qualquer secretismo, como acontece na maioria dos outros partidos.
Apesar de, em 1999, o Bloco de Esquerda ter sido constituído por dois partidos (UDP e PSR) e um movimento (Política XXI), e de, na fase inicial, cada um destes três indicar um nome para o colectivo que assumia a liderança, a escolha dos líderes nunca foi feita por rotatividade entre estas três tendências, mas sempre tendo em conta as mesmas.
Mesmo a composição dos órgãos dirigentes, embora ainda tenha representantes das várias tendências, membro do secretariado do partido garante que não está condicionada em termos quantitativos pelas três correntes fundadoras, até porque, nestes 24 anos de vida, o Bloco atraiu muitos novos militantes “desacorrentados”, havendo uma preocupação com o pluralismo interno.
Fonte: Publico.pt
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