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CEO da TAP pode receber bónus de 2 milhões se cumprir plano que ninguém conhece

03-02-2023 - Daniel Costa

A CEO da TAP, Christine Ourmières-Widener, pode ganhar um bónus de 2 milhões de euros em 2025, caso cumpra os objetivos do plano de reestruturação da empresa.

Quando a gestora esteve no Parlamento a prestar a declarações aos deputados, o valor desse bónus tinha ficado por esclarecer.

“Tenho um bónus se o plano de reestruturação for plenamente cumprido. Estamos a falar de algo que será, no culminar, em 2025”, disse Ourmières-Widener, no dia 18 de janeiro.

Agora, o Correio da Manhã avança que a presidente executiva da TAP pode receber um bónus de 2 milhões de euros, se cumprir o plano de reestruturação nos cinco anos que dura o contrato. São 400 mil euros por ano, o equivalente a 80% do salário bruto anual da gestora, no valor de 500 mil euros.

O jornal explica que as contas do bónus são feitas anualmente, conforme o cumprimento dos objetivos definidos também eles anualmente. No limite, caso a CEO da TAP consiga cumprir as metas apenas de um ano, mesmo assim terá direito a parte do bónus.

Por sua vez, caso Christine Ourmières-Widener cumpra os objetivos todos os anos, o prémio poderá mesmo superar os 2 milhões de euros.

A presidente executiva da TAP nunca sairá a perder, explica o Correio da Manhã. Se os objetivos do plano de reestruturação não forem cumpridos, Ourmières-Widener fica exatamente com o mesmo vencimento.

Após conhecidos os contornos do bónus da gestora da empresa, os pilotos da TAP mostraram-se chocados. O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) considera que o bónus é injusto para os trabalhadores.

“O plano de reestruturação, segundo consta, é para deixar os trabalhadores com menos 25% do que aquilo que tínhamos anteriormente. Não é justo ter um bónus para cumprir um plano de reestruturação. Plano esse que ninguém conhece”, disse à TSF o presidente do sindicato, Tiago Faria Lopes.

“Não é pelos bons resultados. É se chegar ao fim do plano de reestruturação com sucesso. Plano esse que ninguém conhece, portanto, deixa-nos preocupados, porque se torna difícil negociar os novos acordos de empresa e com os salários que são devidos aos trabalhadores, que já fizeram o esforço desnecessário para ajudar a companhia e a indústria no global”, acrescentou.

A companhia aérea terminou os primeiros nove meses de 2022 com um prejuízo de 91 milhões, mas conseguiu um lucro de 111 milhões entre julho e setembro, devendo conseguir um resultado positivo para o conjunto do exercício com a melhoria das contas no último trimestre, escreve o ECO.

Fonte: ZAP

 

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