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Calor extremo na Europa: quais as causas e os perigos das altas temperaturas?

15-07-2022 - Carolina Quaresma

Portugal, Espanha, Reino Unido, França e Itália são os países mais afetados pela onda de calor que está a percorrer a Europa. A crise climática e o aquecimento global podem explicar o fenómeno.

Portugal não é o único país que está a sofrer com o tempo quente. Também o resto da Europa está a enfrentar uma onda de calor que deve durar, pelo menos, até ao fim de semana. De acordo com um estudo do sistema satélite Copernicus, o mês passado foi o segundo mês de junho mais quente já registado na Europa, cerca de 1,6 °C acima da média, com temperaturas extremas registadas, nomeadamente, em Portugal, Espanha, Reino Unido, França, Itália. Já o mês de julho estará repleto de dias longos e noites curtas, com altas temperaturas, tanto de dia, como de noite, algo que poderá afetar as horas de sono.

De acordo com o IPMA, esta terça-feira, há oito distritos portugueses sob aviso vermelho devido ao tempo quente. As temperaturas máximas vão chegar aos 42º C em Braga, Coimbra, Castelo Branco, Santarém e Évora. A previsão aponta para máximas de 41º C em Leiria e Beja; Lisboa, Setúbal e Vila Real chegam aos 40º C.

Já na quarta-feira os termómetros chegam a bater os 46º C em Santarém, 45º C em Évora, 43º C em Castelo Branco e em Beja. Sines e Portalegre chegam aos 42º C, enquanto Lisboa e Bragança atingem os 41º C. Em Vila Real e Portalegre esperam-se 40º C. Devido às altas temperaturas e ao alto risco de incêndios florestais, o Governo declarou situação de contingência até, pelo menos, sexta-feira.

No Reino Unido há uma forte possibilidade de o dia mais quente do ano até agora ocorrer ainda esta semana, superando os 32,7 °C registados em Heathrow, a 17 de junho. Pode ser também batido o recorde de todos os tempos no Reino Unido no que ao calor diz respeito: 38,7 ºC registados no Jardim Botânico da Universidade de Cambridge, em julho de 2019. "Certamente não está fora de questão", explica Shuttleworth.

A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido emitiu um alerta de nível 3 para o sul e leste da Inglaterra e um alerta de nível 2 para as regiões sudoeste, Midlands, noroeste, Yorkshire e Humber. São medidas que estarão em vigor até sexta-feira.

Mas afinal, porque é que está tanto calor?

O responsável por estas temperaturas extremas tem um nome: alterações climáticas. Um sistema de alta pressão, designado de "Azores High", que fica ao largo da Espanha, cresceu e avançou em direção ao Norte, trazendo altas temperaturas, em particular, para o Reino Unido, França e Península Ibérica.

Annie Shuttleworth, do Met Office, afirma, em declarações citadas pelo The Guardian, que o Reino Unido poderá ficar um pouco mais fresco a partir do meio da semana, à medida que o ar mais frio desce do Norte. Ainda assim, o Sul da Inglaterra ainda poderá contar com temperaturas na casa dos 20 ºC.

Depois disso, espera-se que os ventos se voltem para o Sul, trazendo ar quente do Norte de África e do Saara.

"No final da semana, as temperaturas estarão próximas de 40 ºC a 45 ºC em toda a França e Espanha e quando recebermos um vento do sul, o Reino Unido aproveitará um pouco desse calor", disse Shuttleworth.

Os cientistas asseguram que o aquecimento global causado pelo Homem está a tornar cada onda de calor cada vez mais intensa e provável.

"Quando se trata do calor do verão, a mudança climática é um divisor de águas e já transformou o que antes seria chamado de calor excecional em condições de verão muito frequentes", disse Friederike Otto, do Imperial College London, também citado pelo jornal britânico. "Cada onda de calor que experimentamos hoje ficou mais quente por causa dos combustíveis fósseis que queimámos nas últimas décadas."

Calor extremo: quais os perigos?

A insolação e a desidratação são os principais riscos para a saúde e afetam, particularmente, as crianças e os idosos e, por isso, deve: fechar as janelas para manter as habitações frescas, evitar o esforço físico nas horas mais quentes e levar água sempre que vai de viagem.

"É importante manter-se hidratado e encontrar sombra sempre que possível nos momentos em que os raios UV são mais fortes, entre as 11h00 e as 15h00", disse Agostinho Sousa, da UKHSA, ao The Guardian. "Se você tem familiares, amigos e vizinhos vulneráveis, certifique-se de que eles estão cientes de como se manter protegidos do clima quente."

Otto referiu que "as ondas de calor são, de longe, os extremos mais mortais na Europa". "Em 2020, só no Reino Unido, mais de 2500 pessoas morreram por causa de dias quentes, e esses foram menos quentes e menos frequentes do que aquilo que está a acontecer este ano."

Michael Byrne, da Universidade de St Andrews, alerta: "O calor extremo é uma grave ameaça à saúde pública que o Reino Unido está, lamentavelmente, despreparado para lidar. Precisamos urgentemente de reformar a infraestrutura do Reino Unido para nos manter frescos e saudáveis num mundo em rápido aquecimento."

Já a professora Hannah Cloke, da Universidade de Reading, considera que o calor "é mais perigoso quando é persistente durante vários dias, especialmente para aqueles que não podem escapar dele ou descansar à noite".

As ondas de calor também podem ter um impacto significativo na saúde mental, apontou Laurence Wainwright, da Universidade de Oxford. "Existem associações significativas entre as altas temperaturas diárias e o suicídio. De grosso modo, para cada aumento de 1 °C na temperatura média mensal, as taxas de suicídio crescem entre 1 a 2%."

E no futuro, qual será o cenário?

Os especialistas acreditam que poderá piorar. "A atual onda de calor é um lembrete perigoso dos impactos do aquecimento global", afirmou Byrne. "Com a expectativa de que Londres se pareça com Barcelona até 2050, o Reino Unido vai enfrentar ondas de calor mais frequentes e severas nos próximos anos."

Em 2020, os cientistas revelaram que a probabilidade de o Reino Unido vir a experienciar temperaturas mortais de 40 °C pela primeira vez estava "a acelerar rapidamente" devido à crise climática.

Qual a relação entre o calor e a crise climática?

A ligação entre o aquecimento global e as temperaturas extremas não é nova. As ondas de calor, dizem os cientistas, são causadas por padrões climáticos que produzem alta pressão persistente, condições meteorológicas sem nuvens e ventos continentais secos durante o verão.

"As mudanças climáticas estão a intensificar as ondas de calor à medida que o aumento dos gases de efeito de estufa acentua as temperaturas, fazendo com que a atmosfera fique mais quente e com mais sede, secando o solo, de modo a que a energia do Sol esteja disponível para aquecer o solo em vez de evaporar a água", explicou o professor Richard Allan, da Universidade de Reading.

Em algumas partes do sudeste da Inglaterra, os dias mais quentes do ano já aumentaram 1 °C a cada década entre 1960 e 2019, uma situação que "mostra que o Reino Unido já está numa tendência de aquecimento quando se trata de extremos de calor", disse Mark McCarthy, do Met Office.

"As mudanças climáticas causadas pelo Homem colocaram-nos no caminho para temperaturas extremas no Reino Unido, que seriam altamente improváveis num clima 'natural'. Uma ação urgente para reduzir as emissões pode diminuir significativamente a ocorrência de temperaturas extremamente altas no Reino Unido no futuro", acrescentou McCarthy.

Fonte: TSF.pt

 

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