| Alexandra Leitão atribui saída do Governo aos “novos ciclos” e reconhece não esperar decisão
15-04-2022 - Zap
Antiga ministra será apenas deputada na bancada parlamentar do PS na presente legislatura.
Alexandra Leitão, antiga ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, tentou dar como encerrada a polémica em torno da sua não integração no novo executivo de António Costa, após o Ministério que dirigia ter sido extinto — uma decisão da qual afirmou não discordar. Para a sua exclusão, tanto do Governo como do secretariado do PS, ao qual pertenceu durante quatro anos, não dá qualquer explicação e diz não fazer nenhuma “interpretação especial“.
“Não tenho que perceber. As decisões são do primeiro-ministro, é o seu Governo. Nunca escondi a disponibilidade, mas naturalmente que estas coisas não se esperam nem se planeiam. Mostramos disponibilidade, consideramos que podemos ser úteis ou não e depois, com toda a normalidade, aceitamos — como temos que aceitar — as escolhas do chefe do Governo, sem nenhum tipo de ressentimento.”
Já sobre a alegada recusa de ocupar o cargo de líder parlamentar do PS, evocou “razões estritamente pessoais“, dizendo apenas que assume “com gosto e sentido de dever o lugar de deputada” e esclarecendo que o que a move “é ser o mais útil possível ao grupo parlamentar do PS nas tarefas que o líder parlamentar me entenda distribuir e considere que eu seja útil”.
Numa análise à sua passagem pelo Governo, em que desempenhou funções de secretária de Estado da Educação e ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão recorda a primeira fase como “quatro anos de grande trabalho, mas também de muita satisfação pessoal, profissional”. Já no que respeita aos últimos dois anos, considerou-os “muito diferentes”.
“Assumi o cargo de ministra numa pasta eventualmente menos de front-office, digamos assim. E o segundo mandato é muito marcado pela pandemia. O Governo toma posse em outubro e a pandemia instala-se a partir de fevereiro. Isso marca indelevelmente o mandato de todo o XXII Governo.”
A antiga ministra abordou ainda a extinção do ministério que dirigia, dizendo que não acha mal tal opção. “Não acho que a questão de haver um ministério autónomo seja essencial. Portanto, não discordo. O que é importante é que as áreas da administração pública — e estou mesmo a falar em carreiras, valorização dos profissionais — tenha um enfoque que não seja estritamente financeiro.”
Finalmente, uma das frases mais marcantes da sua entrevista ao Público foi a admissão de que ser uma mulher assertiva na política é algo prejudicial. “Um homem quando é assertivo, ou até um pouco mais duro, faz parte de uma certa postura de força. […] Sim, acho que uma certa veemência, uma maior assertividade de uma mulher na política, como em geral na vida, é-lhe mais prejudicial do que o mesmo nível de assertividade num homem.”
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