| Covid-19 continua a fazer estragos na Europa. Especialistas alertam governos para possíveis surpresas…e não são boas
01-04-2022 - Francisco Laranjeira
Com quase três quartos da população da União Europeia agora totalmente vacinada contra a Covid-19 e a onda da Ómicron a recuar, os países estão a reverter as suas restrições. Mas, apesar da cobertura mediática ter diminuído após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a doença continua a matar.
Nos últimos sete dias até 27 de março, mais de 6.900 pessoas perderam a vida para a Covid-19 na União Europeia, de acordo com o ‘Our World in Data’. Na semana anterior, 33 mil pessoas em todo o mundo morreram, 40% das quais (13.407) na zona europeia da OMS. O número global de mortos agora é superior a 6,1 milhões, com mais de 1 milhão apenas nos 31 países da UE/EEE.
“Acho importante deixar claro que essa pandemia não acabou, apesar de muitas restrições estarem a ser levantadas em muitos países mais ricos”, explicou”, explicou Rebecca Forman, consultora de políticas de saúde da London School of Economics and Social Sciences, em declarações à ‘Euronews’.
Mais de 72% da população da UE já recebeu duas doses das vacinas, com mais da metade também a receber uma dose de reforço – os números sobem para 83,2% e 63,2% quando se olha apenas para pessoas com mais de 18 anos. Para Forman, cortar os testes obrigatórios e o auto isolamento pode significar que “os governos estão a tornar-se mais vulneráveis a ser apanhados de surpresa por essa doença novamente”.
“O problema é que hoje a Ómicron BA1 e ainda mais o BA2 têm um perfil virológico bastante próximo do vírus do sarampo, que exige uma cobertura vacinal próxima a 95%”, apontou Anne Senequier, pesquisadora do think tank IRIS. Assim, a taxa de vacinação da UE “é boa, mas ainda não é suficiente”, explicou.
E, como Vasco Ricoca Peixoto, investigador da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade de Lisboa, disse à Euronews, a variante BA2 da Ómicron surgiu rapidamente, sugerindo que “o vírus está a mudar rápido o suficiente para reduzir a imunidade anterior da vacinação em massa e reforços e de um grande número de população previamente infetada”. “Isso não é nada parecido com outros padrões comuns de vírus respiratórios. A Covid está a tornar-se uma das doenças mais infeciosas conhecidas pelos humanos (R0 acima de 8), mesmo com imunidade anterior”, acrescentou.
E atualmente a Europa continua a ser o epicentro da pandemia, com os países da UE entre a minoria de nações em todo o mundo pintadas a vermelho escuro no mapa de taxa de incidência de 14 dias do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), o que significa que há pelo menos 960 casos por 100.000 habitantes.
No entanto, a ameaça de variantes mais perigosas da Covid-19 é real e isso é agravado pelas mudanças climáticas, que aumentam o risco de doenças infeciosas semelhantes à Covid-19, pois animais portadores de doenças aventuram-se cada vez mais para fora de seus habitats tradicionais. “Esses eventos demonstram como é importante que os nossos sistemas de saúde sejam resilientes a choques – sejam surtos infeciosos, conflitos, desastres naturais ou qualquer outra coisa. E, infelizmente, com as mudanças climáticas, provavelmente enfrentaremos ainda mais desses ‘choques’ daqui para a frente”, finalizou.
Fonte: Multinews
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