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Covid-19. Especialistas aplaudem prolongamento das regras: “Se aliviássemos as medidas estaríamos a dizer que o risco é nulo e isso não é verdade”

01-04-2022 - Simone Silva

O Governo decidiu prolongar a situação de alerta e as consequentes restrições que ainda vigoram – máscara em espaços fechados, isolamento de infetados e testes em alguns locais para quem não tem o reforço da vacina – até ao próximo dia 18 de abril, ao contrário do que estava previsto, que seria terminarem no início desse mês.

Por esse motivo a Multinews procurou falar com alguns especialistas em saúde pública e epidemiologia, de forma a perceber o que poderá ter estado na origem desta decisão.

Os três peritos com quem falámos concordam com o prolongamento das regras, sublinhando a “indecisão” que se vive atualmente no que à pandemia diz respeito, uma vez que os números não apresentam sinais de descida.

Óbitos, casos e internamentos estão estagnados

“O prolongamento reflete uma precaução relativamente à indecisão que estamos a viver. Nós tínhamos uma meta de 20 óbitos acumulados a 14 dias por milhão de habitantes (para aliviar) e de facto viemos a descer paulatinamente, de 60 na altura para cerca de 25 agora, mas estagnámos aqui”, explica Manuel Carmo Gomes, epidemiologista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).

O epidemiologista esclarece que “parámos de descer desde 17 de março. Estamos neste estado já há alguns dias e não existem evidências de que venhamos a descer em direção aos 20 óbitos, que era o pretendido”, motivo pelo qual o Governo decidiu ter mais cautela.

“As hospitalizações também estão estagnadas, temos cerca de 1.110 pessoas em enfermaria e 64 em cuidado intensivos (em média). Tal como os casos que se situam numa média a sete dias de 10.700 infeções por dia”, adianta.

Face ao mês passado, segundo Carmo Gomes, “tivemos grandes descidas, foi notável, mas agora está tudo estagnado, não sabemos em que direção vamos. Por isso eu julgo que essa é uma das razões pelas quais o Governo decidiu adotar esse precaução”, sublinhou.

Aliviar medidas seria assumir que não há risco

Da mesma opinião é Tiago Correia, investigador do Instituto de Medicina e Higiene Tropical da Universidade de Lisboa. “Acho que devemos aceitar a interpretação dos decisores políticos, porque de facto há um comportamento do vírus que mostra que continua a ter impacto e temos todos que perceber qual é, ainda não temos a certeza”, afirma.

Para o especialista, “se aliviássemos as medidas estaríamos a dizer que o risco é nulo e isso não é verdade. É um risco baixo, mas que deixa ainda os decisores políticos desconfortáveis para retirar as medidas”, o que justifica o prolongamento nesta fase da pandemia em Portugal.

“Por isso opta-se por manter as medidas que já conhecemos, que nos afetam no dia a dia de uma forma residual e que servem para mostrar às pessoas que a pandemia ainda não acabou”, esclarece.

Se fosse Tiago Correia a decidir, adianta, “tomaria a mesma decisão (de manter estas restrições), para dar um sinal às pessoas de que não é o fim, até porque existe a questão do que um alívio de medidas poderia significar do ponto de vista dos comportamentos”, um risco “desnecessário” nesta altura.

Da mesma forma, Gustavo Tato Borges, Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP) considera que a decisão de prolongar as regras “é acertada, tendo em conta a elevada disseminação do vírus em Portugal”.

A par disso, acrescenta, também o facto de “ainda não termos atingido o limiar de mortalidade definido pelo ECDC e o facto de termos a entrada de uma população vulnerável para a COVID (e que nós temos a obrigação de proteger)”, contribui para a necessidade de prolongar as regras.

“Até atingirmos os valores definidos para passarmos ao nível 0, precisamos de manter os cuidados em vigor. Se tudo correr bem, não será necessário renovar o estado de alerta. Mas precisamos de ter calma”, sublinha.

Outros países são exemplo do que não fazer

Carmo Gomes faz ainda uma ressalva, adiantando que “quando nos comparamos com outros países da Europa, à exceção das máscaras, temos menos restrições, menos confinamentos. Estamos quase ao nível da Dinamarca, que já nem usa máscaras”.

“Por outro lado, na Europa estamos a assistir a um recrudescimento da doença em vários países, como Áustria, Alemanha, Itália e Reino Unido, que está agora com a maior prevalência de sempre de infeção pela Ómicron, o que já se refletiu num aumento das hospitalizações”, sublinha.

E tudo isto, acrescenta, “são coisas que têm de ser tidas em conta quando pensamos em precaução, é também olhar para os outros e ver o que está a acontecer, para que nos sirva de exemplo”.

Tiago Correia complementa, “Há países que levantaram as restrições, mas notaram um aumento de internamentos e casos e eu acho que é essa dinâmica que não se quer introduzir em Portugal, porque poderia causar um ruído desnecessário”.

“Todos os países que retiraram as medidas, incluindo a máscara em espaços fechados, que para mim é a mais importante, observaram um aumento de casos e internamentos e isto não pode ser ignorado”, insiste, sublinhando que as regras devem “ser avaliadas ao longo do tempo. Mas é um espaço muito cinzento de decisão”.

Apelo ao reforço da vacina

Manuel Carmo Gomes manifesta ainda “uma preocupação, que acho que devia ser transmitida às pessoas”, que está relacionada com a vacinação contra a Covid-19.

“Nós estamos ainda com uma cobertura do reforço vacinal muito alta a partir dos 60 anos, mas dos 50 para baixo há muita gente que ainda não foi tomar o reforço, estamos com uma cobertura vacinal abaixo dos 70% e ainda mais inferior nas faixas dos 30, 40 anos”, refere.

Nesse sentido, segundo o responsável, “as pessoas que ainda não tomaram o reforço deviam fazê-lo, porque todos vamos ter um encontro com a Ómicron mais tarde ou mais cedo, só não sabemos quando”.

“E é uma boa ideia termos as nossas defesas fortalecidas com o reforço quando tivermos esse encontro, porque apesar de a Ómicron ter fama de ser menos patogénica, isso só é verdade quando há grande proteção imunitária”, conclui.

Fonte: Multinews

 

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