| BA.2: Subvariante da Ómicron é quase tão infeciosa como o sarampo (a doença mais contagiosa da Terra), alerta epidemiologista
18-03-2022 - Simone Silva
A nova subvariante da Ómicron, BA.2, é quase tão infeciosa como o sarampo, uma das doenças mais contagiosas da história humana, alertou um epidemiologista.
Em declarações ao ‘ABC News’, Adrian Esterman, Ex epidemiologista da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que, embora a nova subvariante não seja mais grave que a Ómicron original, é mais transmissível, o que “significa que veremos os números de casos a disparar”.
“A Ómicron BA.2 é cerca de 1,4 vezes mais infeciosa do que a BA.1. O número de reprodução básico (R0) para a BA.1 é cerca de 8,2, na BA.2 é cerca de 12, o que a torna muito próxima do sarampo, a doença mais contagiosa que conhecemos”, alertou o responsável.
Sobre esta questão, Soumya Swaminathan, cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), referiu que as variantes são sempre um motivo de preocupação, uma vez que já se provou que “podem acontecer eventos recombinantes em humanos ou animais, com múltiplas mutações do SARSCoV2″.
“Mas temos de aguardar pelos testes, para determinar as propriedades deste vírus”, afirmou a responsável sublinhando a “importância do sequenciamento, análise e partilha rápido de dados ao lidarmos com esta pandemia.”
Especialistas ouvidos pela Multinews já tinham deixado avisos sobre esta subvariante. “Estamos a testemunhar a afirmação da subvariante BA.2, com os números a mostrar que podemos estar perante algum crescimento (de casos) em determinadas zonas do país”, referiu Bernardo Gomes, professor na Faculdade de Medicina e no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).
Da mesma opinião é Gustavo Tato Borges, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP). “Tem sido a subvariante da Ómicron a principal causa das infeções em Lisboa e no Alentejo, que tem levado ao aumento de casos e por isso precisamos de perceber se vamos conseguir estabilizar este aumento, ou se, pelo contrário, a BA.2 veio mesmo para nos preocupar”, indicou.
Também Henrique Oliveira, investigador do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa, corroborou estas posições. “A única coisa que podia evitar o alívio das medidas era o surgimento de uma nova variante”, o que aconteceu com a BA.2, que “tem agora uma alta taxa de reinfeção e propaga-se ainda mais do que a variante original da Ómicron”.
Fonte: Multinews
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