| Rússia ameaça nacionalizar 2000 milhões da Mercedes, se alemães fecharem fábrica
18-03-2022 - Alfredo Lavrador
Os construtores europeus interromperam a produção nas fábricas que possuem na Rússia. Putin ameaça agora nacionalizá-las, provocando prejuízos enormes. Só a Mercedes pode perder 2000 milhões de euros.
A invasão da Ucrânia provocou junto de uma série de países, sobretudo os da União Europeia, vários tipos de sanções contra a Rússia. A proibição de realizar negócios com entidades do país governado por Putin tornou impossível exportar veículos para a região e, para as marcas europeias com fábricas ali implantadas, foi mesmo necessário interromper a produção, o que levou a Rússia a reagir, anunciando a nacionalização dessas unidades fabris. Os prejuízos para estes construtores serão enormes, com a Mercedes a estimar que pode perder 2000 milhões.
De acordo com a Reuters, os construtores germânicos já tinham sido avisados de que as sanções à Rússia, pela guerra contra os vizinhos ucranianos, teria consequências no preço da energia fornecida ao país, uma vez que a Alemanha figura entre os mais dependentes do gás russo. Haveria ainda o risco de perderem os investimentos realizados em território russo, com a expropriação dos activos detidos pelas suas subsidiárias.
No que toca à Mercedes, em causa está a fábrica que a marca alemã inaugurou em 2019 em Esipovo, nos arredores de Moscovo. Mas se esta nacionalização eventualmente poderá satisfazer o desejo de vingança de Putin, os oligarcas em torno do Presidente já o avisaram que as nacionalizações vão afastar investidores. Vladimir Potanin, o dono na siderurgia russa Norilsk Nickel, afirmou mesmo que a polémica medida poderá atrasar a economia do país em cerca de 100 anos.
Por outro lado, conselheiros de Putin recordam que a decisão de parar as fábricas na Rússia foi motivada pela necessidade de tranquilizar a opinião pública, que exigiu que as suas marcas preferidas assumissem uma posição crítica perante a invasão. Todos eles acreditam que as empresas estrangeiras voltarão a colocar as fábricas em funcionamento, mais cedo ou mais tarde.
Fonte: Observador
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