| Novo Banco pode perder 20 milhões de euros com a guerra na Ucrânia
04-03-2022 - Lusa
A invasão da Rússia à Ucrânia pode ter repercussões negativas para a banca portuguesa devido às sanções impostas ao país de Vladimir Putin. O Novo Banco é o que está mais exposto por via das obrigações da petrolífera estatal russa Gazprom.
O Novo Banco é, nesta altura, “o único caso conhecido de entidades financeiras nacionais com exposição à dívida russa“, diz o Correio da Manhã (CM), devido ao investimento que tem em obrigações da Gazprom, uma das maiores petrolíferas do mundo que está entre as empresas prejudicadas pelas sanções à Rússia.
Em Setembro de 2021, a Banca portuguesa tinha aplicações em dívida de entidades russas da ordem dos 149 milhões de dólares, um valor que corresponde, ao câmbio actual, a 133 milhões de euros, de acordo com os últimos dados do BIS – Bank for International Settlements (Banco de Pagamentos Internacionais) citados pelo CM.
O Novo Banco tem cerca de 20 milhões de euros aplicados em obrigações da Gazprom, ainda de acordo com o CM.
Portanto, trata-se de um risco “irrelevante e completamente imaterial” para a carteira de obrigações da entidade financeira, como refere um responsável do Novo Banco, em declarações ao ZAP, sublinhando que “está centrado em filiais de empresas dessas geografias na União Europeia, ou Reino Unido, onde não antecipamos perdas com qualquer significado”.
BCP, CGD, Santander Totta e BPI não terão exposição à dívida privada russa.
Contudo, os riscos da banca podem ainda estender-se à dívida pública russa. O Novo Banco assegura ao ZAP que “não possui qualquer exposição ao risco soberano da Rússia e Ucrânia”.
O investimento do Novo Banco na Gazprom justifica-se com o facto de esta empresa pagar juros de cerca de 7% ao ano na emissão de obrigações.
Com a invasão russa à Ucrânia, o Novo Banco terá tentado vender as obrigações da Gazprom que detém. Contudo, “não terá conseguido encontrar um comprador disponível para pagar um preço adequado”, conclui o CM.
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