| “A vida na Rússia nunca mais será a mesma”. As consequências do colapso do rublo
04-03-2022 - Daniel Costa
As sanções económicas aplicadas à Rússia levaram o rublo a atingir mínimos históricos. Isto poderá ter consequências irreversíveis na vida e economia do país.
As sanções impostas pela União Europeia à Rússia já se começam a fazer sentir. O rublo nunca valeu tão pouco: menos de um cêntimo. A exclusão dos bancos russos do sistema SWIFT, o mecanismo mais usado para fazer transferências em todo o mundo, é a principal culpada pela situação dramática dos russos.
Além disso, o Ocidente restringiu o banco central russo de usar os seus 640 mil milhões de dólares em divisas e reservas de ouro para sustentar o valor do rublo.
A moeda russa perdeu 27% em relação ao dólar, noticiou a Bloomberg na segunda-feira, depois de as potências internacionais terem imposto novas sanções.
Este panorama gerou uma corrida aos multibancos, com os russos a temerem que o dinheiro esgotasse.
Em resposta, Vladimir Putin anunciou medidas drásticas para conter a queda do rublo.
De acordo com um decreto publicado no site do Kremlin, os residentes na Rússia estão proibidos de transferir divisas para o estrangeiro a partir de terça-feira.
Além disso, os exportadores russos terão de converter em rublos 80% das receitas em moeda estrangeira desde 1 de janeiro e continuar a manter um rácio de 80% de liquidez em rublos no futuro.
Ainda esta segunda-feira, o Canadá proibiu as suas instituições financeiras de efetuarem “transações” com o Banco da Rússia para o impedir de utilizar as reservas cambiais internacionais e limitar a capacidade de Moscovo de financiar a guerra.
Além disso, o Canadá impôs um congelamento de ativos e uma proibição de realizar operações com fundos soberanos de investimento russos.
As sanções ocidentais já levaram o Banco Central russo a aumentar a taxa de juro em 10,5 pontos percentuais para 20%, de forma a conter a inflação.
“A economia e a vida na Rússia nunca mais serão as mesmas”, disse Alexander Titov, historiador russo da Queen’s University Belfast, em declarações à VICE.
O perigo disto é que o descontentamento entre os russos com a liderança de Putin pode aumentar. Isto pode levar o Presidente russo a recorrer a políticas repressivas para proteger o seu governo, avisa Titov.
Sergey Aleksashenko, ex-vice-presidente do banco central russo que agora vive nos EUA, disse que as sanções podem causar inflação na Rússia a curto prazo e desacelerar o crescimento a longo prazo.
Por sua vez, Steven Hamilton, economista da Universidade George Washington, diz que a Rússia provavelmente enfrentará uma “crise cambial, financeira e económica”.
A Rússia deverá recorrer à ajuda da China, que rejeitou adotar as sanções económicas aos russos.
Entretanto, o elevado preço do petróleo vai permitir que o país receba pagamentos significativos em euros e importe bens de consumo, sugere Aleksashenko.
Fonte: Zap.pt
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