| A (outra) maioria absoluta do PS: 23 em 30 anos
04-02-2022 - Nuno Teixeira Da Silva
António Guterres, José Sócrates e António Costa lideraram o país na grande maioria do tempo, desde 1995. Passos Coelho foi o maior “intruso”.
O Partido Socialista conseguiu a maioria absoluta pela segunda vez na sua história, em eleições legislativas. A primeira foi atingida em 2005, com José Sócrates no comando, e poucos adivinhariam que estava ali a começar outra maioria absoluta: quando chegarmos a 2026 (a actual legislatura terminará em Janeiro desse ano, se não houver imprevistos), o PS vai chegar a um domínio de 16 anos no Executivo, nos últimos 20 anos.
Sócrates, um mandato e meio
Este domínio começou precisamente por causa de eleições antecipadas. No Verão de 2004, Durão Barroso saiu para a Comissão Europeia e o sucessor Santana Lopes não durou mais do que quatro meses no cargo de primeiro-ministro. Demissões, remodelações… E o presidente da República, Jorge Sampaio, dissolveu a Assembleia da República. Novo acto eleitoral.
Em Fevereiro de 2005 o PS venceu essas legislativas com 45,03% dos votos. O melhor resultado do partido em legislativas, ainda hoje; maioria absoluta, 121 deputados, e José Sócrates a comandar o país.
Saltamos para Setembro de 2009 e nova vitória do PS, nova vitória de Sócrates. Desta vez com 36,55% das preferências, passando a ter 97 deputados.
Passos ganha mas perde
A quebra na hegemonia socialista aconteceu em Junho de 2011. Depois do famoso PEC IV ter sido chumbado por toda a oposição, José Sócrates cumpriu e demitiu-se. O Partido Social-Democrata venceu as eleições antecipadas (38,65% dos votos e 108 deputados), Pedro Passos Coelho passou a ser o primeiro-ministro.
Em Outubro de 2015 começou a “novela” que se sabe. Um dos processos mais intensos na democracia portuguesa, quando a coligação PSD-CDS venceu as eleições legislativas mas António Costa conseguiu um acordo para ter o apoio parlamentar do Bloco de Esquerda e da CDU. Costa perdeu mas formou governo quase dois meses depois – e foi histórico porque foi a primeira vez que um derrotado em legislativas se tornou primeiro-ministro, em Portugal.
Costa ganha mesmo, duas vezes
Quatro anos depois, em 2019, António Costa venceu mesmo: 36,34% dos votos e 108 deputados. Não chegou para a maioria absoluta e, desta vez, não houve acordo à Esquerda.
Em Outubro de 2021 não houve eleições mas houve uma proposta de orçamento rejeitada na Assembleia da República. Eleições antecipadas novamente – terceira vez em 17 anos – e vitória surpreendente do PS, com maioria absoluta, já em Janeiro de 2022.
As contas
Contabilidade de duas décadas: entre 2005 e final de 2025, o PS governará o país ao longo de 16 anos, sob o comando de José Sócrates (seis anos) e António Costa (10 anos). “Sobram” quatro anos de liderança para o PSD – entre 2011 e 2015, sempre com Passos Coelho.
Nas duas décadas anteriores, entre 1985 e 2005, o cenário foi diferente: o PSD governou durante 13 anos (Cavaco Silva, Durão Barroso e Santana Lopes) e o PS durante seis anos e meio (António Guterres).
Mas, se nos centrarmos só nos últimos 30 anos – contando que Costa fica no cargo até ao final de 2025 – os quase 10 anos de «cavaquismo» desaparecem. E, por isso, as últimas três décadas no Governo de Portugal também ficam marcadas por uma maioria absoluta do PS: 23 anos de socialismo em 30 anos no total, entre 1995 e 2025.
Transformando estas contas em percentagens, verificamos que, quer nos últimos 20 anos, quer nos últimos 30 anos – e resumindo as comparações em números redondos – o PS comandou o país em 80% do tempo.
Mais atrás, até 1985 a instabilidade reinou no Executivo português. Entre as primeiras eleições livres (1976) e a primeira vitória de Cavaco Silva (1985), houve oito mudanças de governo em nove anos. Sete pessoas passaram pelo cargo de primeiro-ministro: Mário Soares (duas vezes), Nobre da Costa, Mota Pinto, Maria de Lourdes Pintassilgo, Sá Carneiro, Freitas do Amaral e Pinto Balsemão.
Fonte: Zap.pt
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