| Costa sai da liderança do PS se perder as eleições. Mas se ganhar “não fecha a porta a ninguém” (nem ao PSD)
12-11-2021 - Zap
Em entrevista à RTP, António Costa falou pela primeira vez sobre o chumbo do Orçamento do Estado e do futuro, referindo que “não fecha a porta a ninguém”, da Esquerda à Direita.
António Costa foi questionado sobre as conclusões que retira das decisões do BE, PCP e PEV de votarem contra o Orçamento do Estado para 2022, mas preferiu não fazer “processos de intenção” nem “abrir feridas”.
Mesmo quando confrontado com a ideia lançada pela esquerda de que o seu objetivo é obter uma maioria absoluta, o primeiro-ministro referiu: “Tenho ouvido e não vou responder. O país não quer mais polémicas, não quer mais tricas. O que eu sinto e que o país sente é que os políticos não tiveram respeito pelos sacrifícios”, afirmou.
Costa referiu ainda, por duas vezes, que a líder bloquista, Catarina Martins, deseja a sua saída da liderança do PS.
Assegurando que o Governo foi “ao limite dos limites” nas negociações com os partidos à sua esquerda, Costa considera que a “sustentabilidade da Segurança Social” e o aumento do salário mínimo foram os dois pontos intransponíveis, cita o Público.
Ainda assim, o líder dos socialistas disse que compreendia a posição de Marcelo Rebelo de Sousa de convocar legislativas antecipadas. “Ninguém gosta destas eleições, é um erro, mas ninguém pode apontar o dedo ao Presidente da República”.
O primeiro-ministro apela a que os portugueses dêem força ao PS nas próximas legislativas para construir uma solução de Governo “estável e duradoura” mas admite que, se isso não acontecer, pode tentar um entendimento com os partidos à esquerda, embora sem excluir o PSD.
“Não fecho a porta a ninguém“, disse, não negando fazê-lo à Direita, já que “não há muitas soluções” possíveis à Esquerda. Ainda assim, ressalvou que, “à Direita, primeiro, é preciso deixá-los arrumarem-se a si próprios”.
Referindo-se, uma vez mais, aos partidos à sua Esquerda, Costa garantiu que irá “respeitar” caso bloquistas e comunistas escolham voltar a ser “partidos de protesto”, deixando uma mensagem: “Há quem olhe para portas e veja fechaduras e quem veja a maçaneta que abre a porta“, cita o JN.
Sobre a recandidatura à liderança do PS em 2023, António Costa frisa que se for reeleito primeiro-ministro voltará a candidatar-se a secretário-geral socialista. Já se perder as eleições legislativas de 30 de Janeiro, assumiu que sairá do cargo. “Se perdesse as eleições, é evidente que não ficaria na liderança do PS”, até porque “isso significaria abrir um novo ciclo de governação”, explicou.
Relativamente aos meses de Governação que se seguem, o chefe do Governo garantiu que o salário mínimo irá subir em janeiro, embora o prometido aumento extraordinário de 10 euros das pensões até 1097 fique congelado. Costa disse que a medida será inscrita no programa eleitoral do PS e, caso o partido volte a formar Governo após as eleições, o pagamento será feito com retroativos.
António Costa reconheceu que, após o chumbo do OE, “o Governo tem uma legitimidade política limitada”. Contudo, medidas como as reduções do IRS e de combate à pobreza infantil irão serão inscritas no programa eleitoral “com o compromisso de as aplicarmos retroativamente a 1 de janeiro de 2022”.
Voltar |