| Negociações para o OE estão a "correr bem", mas Costa reconhece: "Claro que estou preocupado"
08-10-2021 - Lusa
Primeiro-ministro diz que negociação para o OE ainda não está fechada porque "há múltiplas questões que têm sido colocadas". E não esconde preocupação: "Um Orçamento não é uma coisa de somenos".
O primeiro-ministro, António Costa, disse esta terça-feira que as negociações com PCP, BE, PAN e PEV para o Orçamento do Estado para 2022, que será entregue no início da próxima semana, estão a “correr a um bom ritmo”, mas admite que está “ preocupado“.
“ Fazer um Orçamento não é uma coisa de somenos, portanto, um primeiro-ministro que diga que não está preocupado a fazer um Orçamento não é um primeiro-ministro responsável. Claro que estou preocupado“, disse António Costa, aos jornalistas, à chegada a Kranj, Eslovénia, em declarações transmitidas pela TVI24.
Em vésperas de apresentação da proposta do Orçamento do Estado para 2022 na Assembleia da República (marcada para 11 de outubro), Costa diz que as negociações com os partidos à esquerda ainda não estão fechadas porque “ há múltiplas questões que têm sido colocadas“. De qualquer das formas, “as negociações não terminarão com certeza na totalidade nesta fase”, disse, citado pela Lusa.
Em declarações aos jornalistas, no mesmo dia de um Conselho de Ministros extraordinário em Lisboa, sem a sua presença, para discutir a proposta de OE2022, António Costa começou por observar que “o exercício do orçamento é sempre relativamente demorado”, deu conta de que “ o debate e as orientações na generalidade estão feitos“, e agora há “ muito trabalho técnico que está a ser feito hoje“, seguindo-se um “Conselho de Ministros decisivo na próxima sexta-feira para aprovar a versão final”.
Quanto à proposta de orçamento que o Governo está prestes a apresentar, comentou que “vai ser sobretudo focado naquilo que é prioritário, que é o relançamento” da “economia, com um forte crescimento do investimento público”, e reiterou que “vai ser um orçamento que vai dar muita atenção às classes médias e em particular às novas gerações”.
“Nós temos que, simultaneamente, responder àquilo que são as necessidades do imediato, com a visão estratégica que temos da necessidade de cada vez mais apostarmos em enfrentarmos o desafio demográfico, e isso passa por ter um orçamento muito amigo das novas gerações, quer naquelas que estão a estudar, quer naquelas que estão a trabalhar, para criar condições para que a sua autonomia possa ser um sucesso e Portugal possa aproveitar em pleno a geração mais extraordinária que alguma vez teve”, declarou.
“E esse é o maior recurso que nós podemos ter, muito maior do que as bazucas, que os fundos europeus, é mesmo a qualidade das nossas jovens gerações, e é um orçamento que há de ser focado, muito focado, nesta prioridade”, completou António Costa, que participou esta terça-feira num jantar de trabalho informal de chefes de Estado e de Governo da UE, e na quarta-feira numa cimeira de líderes dos 27 e dos países dos Balcãs Ocidentais.
Entretanto, salientou, o Governo vai “mantendo o diálogo” com os seus parceiros parlamentares, “tendo em vista a obtenção de mais um bom orçamento para o próximo ano”. Questionado sobre se esse diálogo está a correr bem, começou por responder que “está a correr”, acrescentando depois que “diria que está a correr bem”.
“Nós estamos a trabalhar com o PAN, com o PEV, com o PCP, com o Bloco. Há múltiplas questões que têm sido colocadas, umas idênticas, outras diversas. Os diálogos estão a decorrer a bom ritmo com todos, mas enfim, as questões são diversas relativamente a cada um”, observou. Manifestando-se naturalmente “atento e empenhado”, o primeiro-ministro desvalorizou a questão do calendário para um acordo com os parceiros de esquerda no parlamento em torno do orçamento, lembrando que noutros exercícios esse acordo foi alcançado em diferentes fases do processo.
“Nós já tivemos momentos em que chegou-se a um acordo antes da apresentação inicial do orçamento, houve também já situações em que o acordo foi estabelecido entre a apresentação e a generalidade, e até já houve situações em que o acordo foi estabelecido entre a generalidade e a votação final global”, observou.
“O orçamento é um contínuo, nós só temos a primeira votação creio que a 26 de outubro, a votação final global a 26 de novembro, e, portanto, as negociações não terminarão com certeza na totalidade nesta fase, e prosseguirão, mas isso tem sido o normal ao longo destes orçamentos todos que temos vindo a fazer com grande sucesso desde 2016”, reforçou.
Fonte: Observador
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