| Costa contraria Marcelo, mas este avisa que o “Presidente nunca é desautorizado pelo primeiro-ministro”
18-06-2021 - Zap
O Presidente da República disse na segunda-feira que, “por definição, o Presidente nunca é desautorizado pelo primeiro-ministro”, depois de António Costa ter dito que ninguém pode garantir que não se volta atrás no processo de desconfinamento.
“Por definição o Presidente nunca é desautorizado pelo primeiro-ministro. Quem nomeia o primeiro-ministro é o Presidente, não é o primeiro-ministro que nomeia o Presidente”, disse Marcelo Rebelo de Sousa em Budapeste, na Hungria, onde se encontra para assistir esta terça-feira ao primeiro jogo de Portugal no Euro2020.
O comentário de Marcelo Rebelo de Sousa foi feito no mesmo dia em que o primeiro-ministro, António Costa, disse que ninguém pode garantir que não se volta atrás no confinamento e que o Governo adotará “em cada momento as medidas que se justifiquem perante o estado da pandemia”.
“Se alguém pode garantir [que não se volta atrás no desconfinamento]? Não, creio que nem o senhor Presidente da República seguramente o pode fazer, nem o fez”, sublinhou António Costa numa conferência de imprensa no quartel-general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), após a cimeira que reuniu os chefes de Estado e de Governo da Aliança.
Reagindo às declarações de Marcelo Rebelo de Sousa que, no domingo, sublinhou que, no que depender dele, não haverá “volta atrás” no processo de desconfinamento, António Costa disse que crê que as palavras do Presidente da República são “subscritas por 100% dos portugueses”.
“Não há qualquer português que possa dizer que deseja que haja um volte face no desconfinamento. Creio que 100% dirão aquilo que o senhor Presidente da República disse, que é: “ninguém deseja que não haja desconfinamento””, apontou António Costa.
No domingo, Marcelo Rebelo de Sousa declarou que, no que depender do Presidente, não haverá “volta atrás” no processo de desconfinamento, e deu a Feira da Agricultura de Santarém como exemplo do “virar de página”.
“Já não voltamos para trás. Não é o problema de saber se pode ser, deve ser, ou não. Não vai haver. Comigo não vai haver . Naquilo que depender do Presidente da República não se volta atrás”, afirmou.
Para o Presidente, escreve o Expresso, a gestão do processo terá que ser feita pelo Executivo sem contar com um novo quadro legal que inclua o estado de emergência.
Também terá que ser o governo a acautelar que os próximos dois meses, considerados decisivos por abarcarem o período em que a vacinação deve avançar para níveis próximos de garantir a imunidade comunitária, serão geridos com rumo e coerência.
“Não vale a pena andarem a criar romances”
Entretanto, o primeiro-ministro já veio reagir às palavras de Marcelo, negando ter desautorizado o Presidente da República.
“Não vale a pena andarem a criar romances” , destacou o primeiro-ministro.
“O Presidente, aliás, disse uma coisa óbvia. Por natureza, o primeiro-ministro não desautoriza o Presidente. Deve haver aí uma confusão qualquer “, acrescentou.
“Nunca me passaria pela cabeça desautorizar o Presidente da República. É tudo um equívoco entre as perguntas que foram feitas e as respostas que foram dadas”, afirmou ainda Costa.
O primeiro-ministro também reforçou que “não há seguramente qualquer conflito” com Marcelo, “como aliás não tem existido”.
“Nem sempre temos de pensar o mesmo”, vincou, garantindo ainda que “nunca houve uma acção desarticulada entre o primeiro-ministro e o Presidente da República sobretudo em relação ao combate à pandemia”.
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