| “Desorientação total” na Champions; flop das direitas e congresso “artificial” do Chega
04-06-2021 - Carlos Barroso
Luís Marques Mendes considera que “não há coerência” nos critérios da Direção Geral da Saúde (DGS) e do Governo ao permitir a realização da Champions no Porto. Em relação ao congresso das direitas, o comentador diz que foi um “flop”.
No seu habitual espaço de comentário na SIC, este domingo à noite, Luís Marques Mendes admitiu concordar com as críticas do presidente do FC Porto, que convidou António Costa a demitir-se do cargo de primeiro-ministro.
O comentador político referiu que Pinto da Costa “tem toda a razão” nas críticas à realização da Champions com público estrangeiro enquanto os estádios continuam a não poder receber adeptos portugueses.
O antigo líder do PSD referiu que não há “coerência nos critérios” da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Governo ao permitir a realização da final da Liga dos Campeões enquanto impõe, em simultâneo, medidas mais apertadas para os portugueses.
“Será que os estrangeiros são mais disciplinados? Claro que não. Há uma desorientação total, um desnorte e uma falta de comunicação. E o problema é que não são casos pontuais, é uma tendência”, apontou.
Segundo o Expresso, o comentador criticou ainda a ministra Mariana Vieira da Silva, que garantiu, em conferência de imprensa, que todos os adeptos realizariam testes PCR e permaneceriam numa bolha antes de regressarem no mesmo dia para o Reino Unido.
“A bolha foi tudo ao molho e fé em Deus. Se a ministra não tinha condições para garantir isso, porque prometeu?”, questionou.
“Há uma desorientação total e depois de tudo acontecer ninguém dá a cara, todos fogem”, observou, considerando incompreensível o facto de nem a ministra do Estado da Presidência, nem o secretário de Estado do Desporto nem mesmo o primeiro-ministro darem explicações.
Mais do que o risco de contágio face à expansão da variante indiana, o comentador alertou para o “mau exemplo” que é dado aos cidadãos.
No decorrer do comentário, apontou ainda três falhas ao Executivo: uma falha a decidir, a comunicar e a fuga às responsabilidades. Quanto à “desorientação”, disse que essa vem de “há muito tempo” e só se pode justificar porque o Governo está “exausto” e conta com vários ministros “fragilizados”, como Eduardo Cabrita.
O flop da convenção das direitas
Sobre a Convenção do MEL – Movimento Europa e Liberdade, Luís Marques Mendes disse que não só falhou a aproximação entre os partidos da direita, como também falhou a participação. Apesar das críticas, elogiou o facto de a convenção ter tido como objetivo a criação de uma zona de debate – e isso aconteceu.
Para o ex-líder social-democrata, faltou os partidos clarificarem o que pretendem fazer e como serão diferentes do PS caso cheguem ao Governo. “Com a exceção da IL, este é o grande problema da direita em geral e do PSD em particular”, disse Marques Mendes, citado pelo Observador.
Outra das fragilidades, que ficou “mais visível do que nunca”, foi a divisão da direita. “A única coisa que une os vários partidos são as críticas ao PS”, disse, considerando que isso é insuficiente “para construir um projeto político e ganhar eleições”, até porque esta situação só beneficia duas pessoas: André Ventura e António Costa.
“O líder do Chega ganha estatuto e complica a governabilidade à direita, enquanto o primeiro-ministro ganha com a direita a dar de si própria uma imagem de fragilidade”, salientou.
Já em relação ao congresso do Chega, Mendes disse que “foi muito artificial” e “muito excessivo”. André Ventura diz que quer governar com o PSD, ao mesmo tempo que quase insulta o partido e o seu líder Rui Rio. “É quase como querer namorar consigo, mas chamar-lhe nomes.”
Por outro lado, “Ventura diz que quer vários ministros num eventual governo PSD, o que, para quem só tem um deputado, é tudo um exagero”.
Fonte: Lusa
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