| Chuva de críticas à organização da Champions. Pinto da Costa arrasa Governo: “obviamente demita-os”
04-06-2021 - Ana Isabel Moura
A organização da final da Liga dos Campeões no Porto continua a dar que falar. Depois de os adeptos do Manchester City e Chelsea invadirem a cidade Invicta de forma descontrolada, começam a surgir críticas às autoridades políticas. Pinto da Costa aponta o dedo a António Costa.
À margem da final do play-off do campeonato de basquetebol – e perante as bancadas vazias do Dragão Arena um dia depois das bancadas com público inglês no Dragão -, Pinto da Costa considerou “lamentável e incompreensível” que o jogo deste domingo não possa ter “casa cheia”, como aconteceu este sábado com a final da Liga dos Campeões.
O líder dos portistas assume que, depois do evento que encheu o Porto nos últimos dias e não tendo havido “o mínimo incidente no estádio”, estão reunidas as condições para se voltar a ter público a assistir aos eventos desportivos.
O presidente revelou mais sobre a conversa com o ministro Tiago Brandão Rodrigues.
Em declarações ao Porto Canal, Pinto da Costa assumiu ter perguntado no sábado ao ministro da Educação “se ele compreendia” que este domingo “um jogo decisivo de basquetebol não podia ter ninguém a assistir” enquanto nos últimos dois dias “no pavilhão Rosa Mota estiveram cerca de 2500 pessoas aglomeradas, a maioria sem máscara, a ver um espetáculo de música”.
“Ele não me soube responder e eu disse-lhe: não sabe o senhor nem ninguém porque para coisas estúpidas só os estúpidos é que sabem entender, é sinal de que o senhor afinal é inteligente'”, acrescentou Pinto da Costa.
O presidente azul e branco também se virou para António Costa e para Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, com críticas ao estado de exceção que se viveu no Porto em matéria de medidas de saúde pública.
“É um atestado de mediocridade ao povo português permitir que os estrangeiros possam vir para os nossos estádios mas, se forem portugueses para o mesmo estádio, não pode ir ninguém”, disse, deixando ainda “um conselho” ao primeiro-ministro: “Obviamente demita-os. Se não é capaz, demita-se o senhor”.
“Continuar a proteger o seu amigo Eduardo”
O líder do CDS reagiu à final da Champions no Porto criticando o governo e retirando responsabilidades de Rui Moreira.
Francisco Rodrigues dos Santos criticou o governo por ter adotado para a final da Liga dos Campeões, no Porto, um “critério contraditório e incoerente face ao que tem pedido aos portugueses”.
A “dualidade de critérios” é “inaceitável porque o governo quando quer ser respeitado tem de comunicar bem e não pode cometer injustiças nem discriminações”, defendeu.
O presidente do CDS-PP descarta haver qualquer responsabilidade de Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, diz o Expresso. Entende que “a responsabilidade é exclusiva do governo” porque é dele a tutela da Administração Interna, bem como a responsabilidade da comunicação ao país.
Para o líder centrista, Eduardo Cabrita representa o “rosto do fracasso das políticas de administração interna no nosso país”.
“Eduardo Cabrita está constantemente fora de jogo, António Costa entende que não o deve substituir. Está na altura de os portugueses exibirem o cartão vermelho para que este ministro abandone o governo”, disse Francisco Rodrigues dos Santos.
Acusou ainda o primeiro-ministro, António Costa, de “continuar a proteger o seu amigo Eduardo”, numa “cultura de passividade e de declarada atuação em que a culpa morre sempre solteira e não há responsabilidades políticas”.
“Houve amadorismo na organização”
António Fonseca, presidente da União de Freguesias do Centro Histórico do Porto, critica a falta de organização do evento e diz que “as autoridades perderam legitimidade para chegarem ao pé de alguém e dizerem que tem de pôr a máscara” porque “ou comemos todos do mesmo prato ou não come ninguém”.
Em declarações ao Expresso, refere que não foi avisado de qualquer plano de organização, “não houve articulação, contrariamente ao que aconteceu, por exemplo, no Euro 2004”.
Desvalorizando os confrontos entre adeptos e polícia, “normais” neste tipo de evento, o que o autarca salienta é a falta de cumprimento das regras sanitárias em contexto de pandemia, com a livre circulação de pessoas sem máscara, os ajuntamentos com mais de dez pessoas e o consumo de bebidas alcoólicas em via pública.
Considerando que o Porto “tem cumprido as regras”, agora “com que crédito a polícia vai chegar ao pé de um grupo de jovens e impedi-los de beberem?”, questiona António Fonseca.
Também dirigente da Associação de Bares da zona Histórica do Porto, António Fonseca reconhece que a chegada de perto de 20 mil adeptos ao Porto serviu de “aspirina” ao setor da restauração e do comércio, mas avisa que “nem todos os estabelecimentos foram beneficiados com isto, mesmo os da baixa”, e aponta as atenções para aquele que considera o setor “enteado”, o das discotecas.
Rui Moreira faz balanço positivo da final da Champions
O presidente da Câmara do Porto desvaloriza o comportamento dos adeptos e os desacatos que deram origem a quatro detenções. À TSF, Rui Moreira afirmou que o evento trouxe à cidade mais pontos positivos do que negativos e defendeu o governo das críticas do Futebol Clube do Porto (FCP).
O recandidato às eleições autárquicas respondeu às críticas do líder do PSD, dizendo não compreender porque é que “o Doutor Rui Rio não se manifestou muito preocupado quando aconteceram os festejos organizados pela Câmara Municipal de Lisboa e agora está preocupado com um evento internacional que foi organizado pelo Governo com a Federação Portuguesa de Futebol e com a liga de clubes no qual à Câmara Municipal do Porto apenas foi pedido apoio na receção aos adeptos que ontem chegaram e ontem se foram embora”.
Também em declarações ao jornal Público, acusou Rui Rio de “alguma portofobia ou desconhecimento”, sublinhando que as autoridades portuguesas tiveram apenas 12 dias para preparar este evento.
O líder da bancada social-democrata, que já este sábado havia também condenado a dualidade de critérios na organização de eventos desportivos, escreveu no Twitter que houve “muita conversa politiqueira e muito pouca eficácia” da parte da Câmara do Porto e do governo.
Associação sindical da polícia arrasa o Governo
A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) diz que os polícias foram destacados para eventos desportivos sem estarem vacinados.
Em comunicado, intitulado “Portugal seguro à custa da segurança dos seus polícias”, a ASPP/PSP manifesta “muita preocupação pela forma como alguns assuntos foram tratados, “outros se atrasam e outros se normalizam, quando nunca deveriam ser normalizados, em concreto”.
A estrutura sindical refere que foram escalados polícias para ações de fiscalização de combate à pandemia, para cimeiras, para eventos desportivos sem estarem vacinados, como, por exemplo, o pessoal de apoio à atividade operacional e o pessoal da Polícia Municipal do Porto.
“O risco de infeção não era uma realidade também para estes [profissionais]?” questiona a ASPP/PSP.
Fonte: Lusa
Voltar |