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Da “obsessão com a Páscoa” ao país adormecido. Marcelo não vai mexer no decreto do novo estado de emergência

26-02-2021 - Liliana Malainho

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, começou a receber os partidos esta terça-feira para discutir a renovação do estado de emergência.

Marcelo Rebelo de Sousa deu início, esta terça-feira, a uma nova ronda de audiências com os partidos, a dois dias da votação da renovação do estado de emergência no Parlamento. O Presidente recebeu o Iniciativa Liberal (IL), o Chega, o PEV, o PAN, o CDS-PP e o PCP.

À saída, os partidos deram a entender que o novo decreto será muito semelhante ao anterior. Não há, portanto, nenhuma medida que aponte a um eventual desconfinamento, destaca o jornal Público.

IL: “Parece que o país adormeceu”

O primeiro a ser recebido pelo Presidente da República foi João Cotrim Figueiredo. À saída da audiência, o deputado do Iniciativa Liberal disse que não havia intenção, por parte do chefe de Estado, “de mudar seja o que for no decreto do estado de emergência”.

“Parece que o país adormeceu,  que não há urgência. Anda tudo a adormecer porque já tomaram a decisão política de só desconfinar no final de março”, afirmou o político, em declarações aos jornalistas.

“Todos os dias em que se adia a reabertura das escolas estamos a prejudicar o desenvolvimento das crianças, em parte não recuperável”, disse Cotrim Figueiredo, em defesa de um plano de testes escalável dirigido a professores, auxiliares e alunos de forma a garantir um regresso seguro à escola.

O Presidente da República pediu um plano para o desconfinamento, mas “parece que ninguém pediu nada”, atirou ainda, lamentando a decisão  de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa de que o confinamento é para durar até à Páscoa.

De acordo com o Expresso, o líder do Iniciativa Liberal confirmou que o partido vai votar  contra  a renovação do estado de emergência.

Chega: “Obsessão com a Páscoa”

À semelhança do deputado liberal, também André Ventura defendeu que se devia começar desde já a preparar o desconfinamento. “Parece-nos errado ter que esperar pela Páscoa para um desconfinamento apressado, imediato e de forma absoluta. Pode descontrolar ainda mais a situação”, afirmou o deputado único do Chega.

À saída da audiência, Ventura disse aos jornalistas que “o Governo vai manter o mesmo nível de confinamento, sem qualquer alteração”, até ao final de março e apenas porque se “criou uma  certa obsessão com a Páscoa, por causa do Natal, apesar de ser incomparável”.

O líder do partido considerou que se deve dar prioridade ao pequeno comércio e à restauração, ainda que com “restrições severas”, e avisou que “vai haver um momento em que vamos ter falta de comida na mesa, falta de dinheiro na carteira e as empresas vão fechar por falta de tesouraria”.

“Nesse momento vamos abrir para quê? Para quem?”, questionou.

Sobre o sentido de voto do Chega, Ventura confirmou que o  partido irá votar contra. “Eu entendo que, tal como está, o confinamento está mais a destruir do que a ajudar e em consciência não poderia votar a favor”, justificou.

PEV: “Planeamento já devia estar a ser feito”

Mariana Silva, deputada do partido ecologista Os Verdes, garantiu que “o Presidente disse que não há qualquer alteração ao estado de emergência”, em linha com as declarações de Cotrim Figueiredo e Ventura.

Tal como os deputados da direita, Mariana Silva alertou para a importância de se ponderar o desconfinamento mantendo as medidas de prevenção e segurança. “O planeamento do desconfinamento já devia estar a ser feito, aguardamos explicações do Governo sobre o assunto”, constatou a deputada.

“Estamos nesta pandemia há um ano, já estivemos em picos, em desconfinamento e já sabemos que o caminho deve ser feito de forma planeada e com muita informação. Que as pessoas não esqueçam que, mesmo depois de vacinadas, têm de continuar com todas as medidas de segurança”, sublinhou, após a audiência com o Chefe de Estado.

PAN: “Confinamento é ainda necessário”

André Silva foi o primeiro líder político a concordar com a manutenção das medidas. À saída da audiência com Marcelo, anunciou que o  PAN vai votar a favor da renovação do estado de emergência na quinta-feira.

“Se é verdade que o número de casos e internamentos está melhor não é o suficiente para que se possa sair deste panorama de confinamento e restrição de movimentos. O confinamento é ainda necessário para o combate à pandemia”, frisou.

O responsável espera “que o Governo esteja já a preparar” a reabertura gradual da economia e o regresso ao ensino presencial, mas, questionado sobre qual será a melhor altura,  não arrisca nenhuma data específica.

“Deverá ser quando os números simultaneamente de transmissão, número de casos diários e internamentos em unidades de cuidados intensivos for tal que se permita desconfinar e regressar às aulas em segurança”, respondeu, citado pelo semanário.

Para André Silva, mais do que falar em saída, “é preciso falar dos apoios à economia, de políticas educativas e da vacinação”. O porta-voz do PAN pediu também que os mais de 10 mil estudantes a estagiar na área da Saúde sejam equiparados aos profissionais de saúde na prioridade da vacinação.

CDS-PP exige calendário do desconfinamento

Esta terça-feira, depois de ter conversado com o chefe de Estado, Francisco Rodrigues dos Santos exigiu ao Executivo a apresentação de um  calendário do desconfinamento.

“O sucesso do desconfinamento depende essencialmente do que o Governo for capaz de fazer e controlar a pandemia. Não é aceitável que o Governo esteja sempre a cometer os mesmos erros, a correr atrás dos prejuízos, confinamento atrás de confinamento”, disse o líder do CDS-PP, a partir da sede do partido.

O plano, de acordo com o centrista, deve começar pela reabertura das escolas para alunos até aos 12 anos e o desconfinamento deve ser  “progressivo” e “gradual”, de forma a evitar um agravamento da situação epidemiológica, que parece estar a melhorar.

“O CDS exige do Governo a definição de indicadores que permitam o desconfinamento, os indicadores de saúde pública pelos quais se deve começar a planear o desconfinamento à semelhança do Governo inglês. O Governo tem que dizer qual o R, o número de infetados, ocupação de camas em cuidados intensivos e internamentos, para que o nosso desconfinamento seja uma realidade”, acrescentou.

PCP: Escolas “não são o foco da pandemia”

O último partido a ser recebido por Marcelo Rebelo de Sousa foi o PCP. Jerónimo de Sousa defendeu que o Governo deve preparar a reabertura das escolas, considerando que não são locais de contágio da covid-19, e voltou a defender que o confinamento “não pode ser uma solução com uma abrangência maior do que a exceção”.

“A reabertura das escolas pode animar e dar resposta a estes dramas sociais e económicos. Já ficou provado que  as escolas não são o foco da pandemia“, disse o secretário-geral comunista.

Jerónimo pediu ainda ao Presidente “cinco prioridades”, que deverão incluir o alargamento de testes à covid-19 e um quadro de rastreio mais alargado. O processo de vacinação foi adjetivado como “turbulento”, com o PCP a afirmar que não encontra tranquilidade nas promessas que têm sido feitas pelo Governo.

Para esta quarta-feira, estão agendadas audiências em Belém com o Bloco de Esquerda, PSD e PS. Na quinta-feira, há o debate e a votação da renovação do estado de emergência no Parlamento.

Liliana Malainho

 

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