| Rio vai “refletir a sério” sobre o adiamento das autárquicas (mas precisa do PS para dançar este tango)
12-02-2021 - Liliana Malainho
O PSD vai pensar no adiamento das autárquicas nos próximos dias, mas para adiar estas eleições é necessário um acordo dos dois maiores partidos.
Esta quarta-feira, após uma reunião com o Presidente da República sobre a próxima renovação do estado de emergência, Rui Rio admitiu estar a pensar sobre o eventual adiamento das eleições autárquicas, previstas para outubro.
“Vou refletir a sério e darei uma resposta nos próximos dias“, disse o líder do PSD aos jornalistas, quando questionado sobre o eventual adiamento das eleições, que está a ser analisado pela direção do partido.
Segundo o Expresso, o primeiro a defender um adiamento das autárquicas foi Pedro Santana Lopes em entrevista ao Diário de Notícias. O antigo líder social-democrata defendeu que o adiamento devia ser tratado “com tempo” porque as previsões para os próximos meses impossibilitam uma campanha “normal”.
“Uma coisa é a campanha para as presidenciais, que foi muito sui generis, mas tiveram a imprensa atrás e debates, mas nas autárquicas não é assim”, disse.
“Nas autárquicas, por muito que sejam conhecidos os candidatos, têm de ir correr as capelinhas todas, têm de ir a todas as freguesias, aos cafés, às coletividades, e isso é impossível nas circunstâncias atuais e que são previsíveis para os próximos meses”, insistiu Santana.
O presidente da comissão política distrital do PSD da Guarda, Carlos Condesso, considerou, também esta quarta-feira, prudente avaliar o adiamento em “pelo menos seis meses” das eleições autárquicas, devido à pandemia.
“Na qualidade de presidente da distrital do PSD da Guarda e de simples cidadão deste país entendo que seria prudente avaliar atempadamente se há condições de se realizarem eleições autárquicas este ano”, disse o dirigente social-democrata à Lusa.
Segundo Carlos Condesso, que é vereador da oposição na Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo, o processo das eleições autárquicas “não se resume só ao dia das eleições, começando os contactos pessoais e a auscultação nos mais diversos partidos com muita antecedência”.
“O adiamento de pelo menos seis meses faz sentido, devido à situação pandémica que o nosso país está a atravessar e porque não está garantido que em setembro ou outubro a população já esteja toda vacinada e a imunidade de grupo já esteja garantida”, argumentou.
No entanto, para adiar as eleições é necessária a maioria – dois terços dos deputados de acordo. E, segundo o Observador, o PS não concorda.
José Luís Carneiro, secretário-geral adjunto do PS, disse esta quarta-feira que “é prematuro” falar-se na possibilidade de mexer no calendário eleitoral, face à evolução incerta da pandemia. “Talvez o líder da oposição esteja com receio de se confrontar com a sua oposição interna”, acrescentou, numa provocação clara a Rui Rio.
O socialista referiu que, até aqui, nunca se suspendeu a democracia e que as “eleições presidenciais ficaram marcadas por uma grande mobilização dos portugueses, em condições de grande limitação”.
À TSF, o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, defendeu que “talvez fosse melhor” adiar as eleições, mesmo que ainda exista “uma enorme incerteza” sobre a evolução da pandemia em Portugal.
“Sabemos que durante o verão, provavelmente e independentemente de tudo o resto, poderá haver uma diminuição da incidência”, pelo que “se não houvesse grande prejuízo do ponto de vista político ou jurídico, talvez fosse melhor” realizar as autárquicas “mais tarde”, sugeriu o especialista.
As autárquicas estão agendadas para este ano e têm de ser marcadas entre 22 de setembro e 14 de outubro, de acordo com a lei eleitoral autárquica, com, pelo menos, 80 dias de antecedência.
Liliana Malainho, ZAP // Lusa
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