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“Planéamos um limite que não era este”. Governo admite ter em breve 1.100 doentes em UCI

05-02-2021 - Maria Campos

A ministra da Saúde, Marta Temido, disse, em entrevista à Visão, que Portugal ultrapassará em breve o limite previsto de 1.000 doentes em Unidades de Cuidados Intensivos.

Numa entrevista à revista Visão, a ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu que as projeções do ministério que lidera apontam que o país poderá ter  1.100 doentes em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI)  entre 6 e 20 de fevereiro, valor esse que é superior ao limite máximo de 1.000 previsto pelo Governo.

Marta Temido assumiu mesmo que o Executivo nunca tinha imaginado um cenário assim.  “Nunca pensámos que isto fosse acontecer” , confessou.

Segundo a governante, a pressão das últimas semanas, em especial na região de Lisboa e Vale do Tejo, ultrapassou a capacidade dos hospitais para acolher doentes com covid-19 nos cuidados intensivos: “ Planeámos um limite que não era este  com que estamos a ser confrontados”, afirmou.

Em novembro, face ao aumento de casos, e depois de se ter conseguido duplicar as 431 camas disponíveis em março, a ministra explicou que o país podia ir até às 1.000 camas para pacientes com covid-19 – “com prejuízo para outras doenças”, alertou na altura.

Estas últimas previsões levaram o Governo a pedir ajuda à Madeira  e a alguns países estrangeiros, como a Alemanha, que  já enviou profissionais de saúde e equipamentos  para ajudar na área dos cuidados intensivos.

Esta semana, especialistas disseram ao jornal  Público  que o perfil dos doentes internados em unidades de cuidados intensivos está a mudar:  há menos idosos e mais jovens  em grave situação de saúde.

Governo vai investigar casos aleatórios de vacinação

Na mesma entrevista à Visão , a responsável pela pasta da Saúde anunciou que, perante as sucessivas denúncias de uso indevido de vacinas, a Inspeção-geral das Atividades em Saúde (IGAS) vai  começar a fazer investigações regulares  ao processo de vacinação.

Segundo Marta Temido, vão ser  selecionados de forma aleatória  casos de vacinação para verificar se cumprem as regras, nomeadamente as de prioridade estabelecidas pela Direção-Geral de Saúde (DGS).

Esta medida surge depois de terem sido denunciados centenas de casos  de uso indevido de vacinas, envolvendo autarcas, responsáveis e dezenas de funcionários de departamentos públicos, familiares de médicos, assessores e outros colaboradores do INEM, funcionários de pastelarias, entre outros.

Para combater este alegado uso indevido, a IGAS vai passar a  vigiar de perto o processo  de vacinação, como forma de tentar dissuadir quem tenha a tentação de não respeitar prioridades. Os casos suspeitos serão reencaminhados para o Ministério Público (MP).

A partir da próxima semana, vai ser divulgado um  relatório semanal com dados  sobre a distribuição das encomendas e a administração de vacinas.

Questionada sobre a demissão de Francisco Ramos  da coordenação da  task-force  do plano de vacinação, a governante disse que “temos de nos focar no que é importante, que é no plano de vacinação. Ele está a avançar bem”.

Sobre as declarações de Francisco Ramos sobre os eleitores do Chega, Marta Temido assumiu que “há  momentos de expressão que são infelizes  e pelos quais certamente quem mais se penitencia é quem neles cai”, disse, acrescentando: “Quem sou eu, que já cometi tantos excesso de linguagem, para dizer o quer que seja?”.

Fonte: Zap.pt

 

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