| Menos nove milhões de consultas presenciais nos centros de saúde até Outubro
11-12-2020 - Lusa
Nos hospitais, as consultas presenciais sofreram uma redução de 2,7 milhões entre janeiro e outubro de 2020. A análise dos dados "permite perceber que a pandemia de Covid-19 continua a afetar vários milhares de cidadãos, adiando consultas, cirurgias, diagnósticos e tratamentos".
Os cuidados de saúde primários registaram nos primeiros dez meses deste ano menos nove milhões de contactos presenciais médicos e de enfermagem relativamente ao mesmo período de 2019, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Movimento Saúde em Dia.
Nos hospitais, as consultas presenciais sofreram uma redução de 2,7 milhões entre janeiro e outubro de 2020 em relação a igual período do ano anterior, adiantam os dados apresentados no dia em que os representantes do movimento são ouvidos pela Comissão Parlamentar de Saúde.
Segundo o movimento, criado no verão passado pela Ordem dos Médicos e pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, em parceria com a Roche, "o acesso dos doentes não Covid aos serviços de saúde continuou dificultado, mesmo antes da segunda vaga da pandemia".
"Tal como noutros cuidados, a realização de rastreios está a ser muito afetada. Nos primeiros 10 meses deste ano terão ficado por fazer 119 mil mamografias (uma queda de 16%), 81 mil rastreios do cólon e reto e houve menos 99 mil mulheres a realizar colpocitologia", refere o movimento em comunicado.
A análise dos dados, feita pela MOAI Consulting para o Movimento Saúde em Dia, através de dados recolhidos no Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS), "permite perceber que a pandemia de Covid-19 continua a afetar vários milhares de cidadãos, adiando consultas, cirurgias, diagnósticos e tratamentos".
Em setembro, o movimento tinha já apresentado dados dos primeiros sete meses, sendo que a conclusão desta nova análise continua a mostrar que permanece a redução acentuada da atividade assistencial.
"Estes dados não contemplam ainda o mês de novembro, quando a Tutela deu luz verde aos hospitais para suspender a atividade não urgente, pelo que é expectável que, até ao final do ano, o cenário seja ainda mais agravado", sublinha.
Nos cuidados de saúde primários, "o panorama de redução de atividade é claro": houve menos 6,6 milhões de consultas médicas presenciais e menos 3,1 milhões de contactos presenciais de enfermagem, totalizando menos 9,7 milhões do que o registado em 2019.
Só no último mês de análise (outubro), as consultas presenciais nos centros de saúde reduziram-se 40% e as consultas médicas ao domicílio decresceram 43%.
A análise à atividade hospitalar mostra um cenário idêntico: entre janeiro e outubro deste ano houve menos 2,7 milhões de contactos hospitalares, entre consultas, cirurgias e urgências.
Em termos percentuais houve menos 18% de primeiras consultas, menos 9% de consultas subsequentes, menos 21% de cirurgias programadas e menos 10% de cirurgias urgentes, precisam os dados.
As urgências hospitalares mantêm a tendência de redução em comparação com 2019, com menos 27% de episódios. Entre estes não estão apenas os considerados pouco urgentes, triados com pulseiras verdes ou azuis. Aliás, os episódios triados com as pulseiras mais urgentes diminuíram 17% (pulseira vermelha), 21% (laranja) e 28% (amarela).
Nos meios complementares de diagnóstico e terapêutica (como análises e exames) só foi possível obter dados até setembro. Em comparação com o mesmo período de 2019, este ano realizaram-se menos 22 milhões destes atos.
Na Medicina Física e de Reabilitação, por exemplo, a quebra foi de 32% (menos 10,6 milhões de procedimentos), enquanto na pneumologia e imunoalergologia a redução foi superior a 40%.
O Movimento Saúde em Dia pretende alertar para "a importância de não mascarar sintomas e de não adiar visitas ao médico perante sinais de alerta".
A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 1,5 milhões de mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 5.122 em Portugal.
Fonte: TSF
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