| Líder do PSD/Açores oficializa acordo de governação com CDS e PPM
06-11-2020 - Zap/Lusa
O líder do PSD/Açores, acompanhado dos presidentes do CDS e do PPM na região, anunciou, esta segunda-feira, um princípio de acordo para a formação de um Governo regional.
“A seu tempo desenvolveremos todos os contactos e declarações que se mostrem úteis para este processo”, afirmou José Manuel Bolieiro aos jornalistas, após uma declaração na cidade da Horta, na ilha do Faial, sede do Parlamento açoriano.
Bolieiro deu uma conferência de imprensa conjunta com Artur Lima, do CDS, e Paulo Estêvão, do PPM, tendo anunciado uma “proposta de governação profundamente autonómica”, um “Governo dos Açores para os Açores” e com “total respeito e compreensão pela pluralidade representativa do povo”.
“O CDS está aqui para dizer presente. É o primeiro passo para o futuro dos Açores. Tentaremos fazer o melhor”, disse também o centrista Artur lima, citado pelo jornal online Observador.
Da parte do PPM, Paulo Estêvão garantiu que o partido está “muito empenhado em construir uma solução governativa que seja inclusiva e que possa responder aos anseios da sociedade”, cita o mesmo jornal digital.
Chega garante apoio parlamentar
O líder do Chega/Açores garantiu apoio parlamentar à solução governativa apresentada por PSD, CDS e PPM, sublinhando que é “imprescindível para que haja uma governação sólida, estável e duradoura”.
“Da nossa parte, existirá o apoio possível, em termos parlamentares, que é um apoio imprescindível para que haja uma governação sólida, estável e duradoura, e esse será o nosso contributo durante esses quatro anos”, assegurou à agência Lusa o líder regional do Chega, Carlos Furtado.
Segundo o presidente da estrutura regional, “o Chega nunca se pôs de fora nesta situação porque também nunca chegou a estar dentro desta situação”.
Esta segunda-feira, o vice-presidente do Chega nos Açores, Orlando Lima, apresentou a sua demissão, por entender que o líder nacional do partido, André Ventura, descurou “os interesses dos açorianos” na noite das eleições regionais e assumiu uma “postura centralista”. O líder regional afirma que, pessoalmente, tem “outro entendimento”.
Questionado sobre se a posição de André Ventura poderá ter prejudicado as conversações a nível regional, Carlos Furtado nega, reiterando que “o Chega nunca esteve indisponível para arranjar uma solução séria que fosse alternativa ao PS”, mas que o “propósito do partido” foi sempre o de se colocar “ao lado dessa coligação”.
Iniciativa Liberal diz que PS é que deve formar Governo
O líder regional da Iniciativa Liberal diz que “o PS é quem deve ser convidado a formar Governo” e que, sem “reformar todo o paradigma de governação nos Açores, não há nenhum partido” com quem façam acordo.
“Se for para trocar apenas ‘jobs for the boys’ por ‘jobs for the boys’, ou seja, se for para trocar apenas algumas carinhas no Governo ou na administração pública regional, sem um sentido de reformá-la, de reformar todo o paradigma de governação nos Açores, não há nenhum partido que possa ficar à espera de acordos com a Iniciativa Liberal”, afirmou Nuno Barata à Lusa.
Sobre o recente anúncio do PSD, CDS e PPM, o liberal adiantou que “aguardava, com alguma ansiedade, até, uma declaração com mais energia, com verdadeira vontade de resolver os problemas dos açorianos” e reiterou que “a responsabilidade de apresentar uma proposta e um programa de Governo é do Partido Socialista”.
“Só depois, numa impossibilidade de passar esse programa de Governo, caberá ao PSD fazê-lo”, considerou, admitindo que acha “estranho que, neste momento, se estejam a ultrapassar prazos e formalismos que a democracia deve cumprir”.
“A Iniciativa Liberal foi abordada pelo PSD e pelo PS”, disse ainda, mas Nuno Barata foi “eleito para ser oposição”, por isso, está disponível “para pensar soluções de viabilização de Governo”, desde que as ideias do partido “sejam plasmadas nesse programa de Governo”.
O PS venceu as eleições regionais nos Açores, elegendo 25 dos 57 deputados da Assembleia Legislativa Regional, ou seja, sem maioria absoluta.
Surgiu então a hipótese de um bloco de direita, numa eventual aliança (no Executivo ou com acordos parlamentares) entre PSD, CDS-PP, Chega, PPM e Iniciativa Liberal, visto que uma junção de todos os parlamentares eleitos por estes partidos dar 29 deputados (o necessário para a maioria absoluta). O PAN, que também elegeu um deputado, pode também viabilizar parlamentarmente um eventual Governo mais à direita.
Segundo o Observador, Bolieiro terá nos seus planos fechar nos próximos dias acordos de incidência parlamentar com o Chega e a Iniciativa Liberal, sendo que a hipótese de incluir o PAN também não está excluída.
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