| PSD confiante em geringonça, mas Ventura lembra que não tem “duas caras”. Carlos César quer PS no poder
30-10-2020 - Zap
Com a solução governativa dos Açores em aberto, André Ventura já disse que está fora de questão integrar uma geringonça com “partidos do sistema”, mas admite viabilizar um Governo do PSD na região com algumas condições. O PSD não desiste de tentar negociar, e Carlos César garante que o PS tem o direito de tomar as rédeas da ilha.
De acordo com o Expresso, o líder do Chega enviou uma carta dirigida a Rui Rio, dando conta dessas exigências, que passam a nível nacional pela participação do PSD no processo de revisão constitucional e, no plano regional, pela realização de uma auditoria aos governos do PS.
André Ventura exige ainda que o Governo social-democrata na região autónoma assuma o compromisso de reduzir para metade, nos quatro anos de legislatura, os beneficiários de Rendimento Social de Inserção (RSI) e a apresentação de um plano regional de luta contra a corrupção e clientelismo no prazo de um ano.
Esta quarta-feira, Ventura enviou também uma carta dirigida aos dirigentes do Chega nos Açores, pedindo para que não cedam à “pressão” do PSD e do CDS para viabilizar um governo regional de direita, alegando que o partido tem que ser coerente. “Não podemos ter duas caras, nem duas palavras”, pode ler-se na carta.
O líder do partido reafirma que foi claro quando disse há meses que qualquer entendimento com o PSD teria que passar pela participação do partido no projeto de revisão constitucional do Chega, o que não aconteceu, como se verificou também uma “ostensiva atitude de afastamento” por parte dos sociais-democratas.
Ventura recorda ainda que o PSD tem alinhado “em cumplicidade” com o PS no Parlamento, e dá como exemplo o fim dos debates quinzenais com o primeiro-ministro e a viabilização do orçamento suplementar. “Que pensarão os eleitores do Chega se agora esquecermos tudo isto e dermos a mão a esta direita do sistema que sempre nos ignorou ou atacou? Onde ficariam as nossas convicções?”, questiona.
O deputado do Chega enfatiza que “só se estes compromissos forem aceites” pelo PSD poderá haver espaço para o diálogo entre os dois partidos nos Açores.
Continua o diálogo
Neste momento, continuam as conversações entre os partidos depois de o PS ter perdido a maioria absoluta nas eleições regionais de domingo.
O líder do PSD Açores, José Manuel Bolieiro, está a tentar formar Governo, privilegiando os contactos com o CDS e o PPM. Mas deverá caber à Iniciativa Liberal e ao Chega, viabilizar esse governo através da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Bolieiro foi até à casa de Artur Lima, líder do CDS, em Porto Martins, na Ilha Terceira para negociar, diz o Observador.
Os encontros já começaram, os telefonemas também e, aos primeiros contactos, há cada vez mais confiança à direita de que vai ser possível formar um governo que afaste o PS do poder.
O passo seguinte já é planeado e passa por convencer o representante da República de que a maioria de direita é a solução mais estável. Segundo o Observador, deverá ser feito um acordo escrito para assegurar um mínimo de estabilidade política.
Contudo, Carlos César, antigo Presidente do Governo Regional dos Açores, destaca que Vasco Cordeiro tem o “direito e dever” de “formar Governo” nos Açores em consequência das eleições de domingo, mesmo havendo um bloco de direita com mais deputados eleitos.
De acordo com o ECO, Carlos César lembra que o PSD “só poderá constituir Governo com cinco partidos e associado por alguma forma ao Chega. Será capaz de chegar a tanto?… E, mesmo que assim chegue, por quanto tempo? Constituir Governo, neste contexto, nos Açores, tem de ser um ato de grande responsabilidade e de futuro”, destaca.
O PS venceu as eleições regionais de domingo, elegendo 25 dos deputados à Assembleia Legislativa Regional, mas um bloco de direita entre PSD, CDS, Chega, PPM e Iniciativa Liberal poderá funcionar como alternativa de governação na região.
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