| Costa afirma que tem "consideração e apreço" pelos médicos
28-08-2020 - RTP
O primeiro-ministro considerou hoje que ficaram esclarecidos os "mal-entendidos" com a Ordem dos Médicos na sequência do surto de Covid-19 num lar de Reguengos de Monsaraz e salientou a sua “consideração e apreço” por este setor profissional.
A posição foi assumida por António Costa numa declaração aos jornalistas, em São Bento, após uma reunião de quase de três horas com o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, na qual também estiveram presentes a ministra da Saúde, Marta Temido, e o secretário de Estado António Lacerda Sales.
“Espero que todos os mal-entendidos estejam esclarecidos. Fico particularmente satisfeito de o senhor bastonário poder sair daqui, espero, sem a menor dúvida sobre a enorme consideração e apreço que tenho pelos médicos e pelo seu trabalho”, afirmou António Costa.
O primeiro-ministro acrescentou que teve “também a oportunidade de poder informar e esclarecer, mais uma vez, e em pormenor ao senhor bastonário sobre a forma como o Estado, desde junho tomou conhecimento, agiu, reagiu perante a situação que ocorreu em concreto no lar de Reguengos de Monsaraz”.
Para António Costa, “sobre casos concretos, as instituições competentes apurarão, com a informação que já está disponível”.
“Claro que não podemos nunca confundir as árvores com as florestas, seja nos lares, seja na atuação do médico, seja na atuação do Estado”.
No final da sua declaração, tendo ao seu lado Miguel Guimarães, o primeiro-ministro reforçou esta mensagem: "Temos de trabalhar mais em equipa para garantir a todos os cidadãos, seja os que residem nas suas casas, sejam os que residem nos lares ou em outro espaço, os melhores cuidados possíveis - e, para isso, nenhum de nós será pouco".
Elogio aos médicos que trabalharam no lar de Reguengos
No final da reunião, Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos revelou que António Costa “transmitiu de forma clara” o seu “respeito e confiança que tem pelos médicos portugueses”.
Sobre a questão do lar de Reguengos de Monsaraz “não haverá muito a dizer em relação ao que já é conhecido”.
“A situação está entregue às autoridades competentes, nomeadamente ao Ministério Público à própria Ordem dos Advogados e à Inspeção Geral das Atividades em Saúde”, acrescentou o bastonário da Ordem dos Médicos.
Miguel Guimarães deixou ainda “uma palavra de respeito, confiança e agradecimento a todos os médicos portugueses”.
Em relação aos médicos que trabalharam no lar de Reguengos de Monsaraz, o bastonário recorda “que não deixaram de estar presentes e fizeram um trabalho magnífico”.
“Eu não posso deixar de transmitir que é absolutamente essencial que todos nós nos preparemos mais com a questão dos lares”, realçou.
Em relação às pessoas que têm responsabilidade em lares, Miguel Guimarães apela para que “tenham um cuidado muito especial neste período de pandemia para serem cumpridas, de facto as regras definidas pela DGS”.
Paralelamente, o bastonário deixou ainda um alerta sobre o período de outono-inverno e os "desafios" que a pandemia de Covid-19 vem colocar sobre a resposta de um setor que nesta época já costuma enfrentar a questão da gripe sazonal.
"Não sabemos se vamos ou não ter uma segunda onda, mas temos de contar com essa situação e preveni-la; temos de recuperar os doentes não-Covid, que ficaram para trás no período em que a pandemia teve uma força grande no país; temos de ter em atenção a gripe sazonal - embora julgue que, se as pessoas respeitarem as regras, vai ter menos impacto este ano; e temos de contar com a proteção às pessoas mais desprotegidas, concretamente, nos lares", notou.
Miguel Guimarães agradeceu a audiência ao primeiro-ministro pela “oportunidade para explicar as situações relacionadas com a atividade da Ordem dos Médicos”.
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