| Reguengos e Matosinhos são exemplos da “absoluta desumanização" de quem vive nos lares
28-08-2020 - NA
Catarina Martins diz que é preciso garantir uma rede pública de lares para uma resposta universal e de qualidade, fazendo ao mesmo tempo uma verdadeira fiscalização dos privados que prestam esse serviço.
Numa publicação no Facebook, Catarina Martins defendeu que o que aconteceu nos lares de Reguengos de Monsaraz e de Matosinhos são exemplos da “absoluta desumanização das pessoas que habitam nos lares”. Ao partihar o artigo de opinião do deputado José Soeiro sobre a mesma matéria, a coordenadora do Bloco de Esquerda disse que o Estado não deve limitar-se à contratualização com privados nos cuidados prestados em lares e centros de dia.
Fazendo referência direta às 18 mortes no Lar de Reguengos e às 20 mortes por covid-19 no Lar do Comércio, em Matosinhos, Catarina lembrou que a “terrível tragédia” desta situação “é a absoluta desumanização das pessoas que habitam nos lares”.
“E é essa desumanização que deve convocar a toda a nossa indignação. Dos casos com contornos criminosos, como estes dois, a todos os outros onde o esquecimento também mata. Quase 40% das mortes por Covid em Portugal foram em lares. Não tinha de ser assim. Não tem de ser assim. Não pode repetir-se”, sublinhou.
Lembrando que “a resposta dada às pessoas mais velhas dependentes é a institucionalização em lares entregues ao setor social, pouco fiscalizados, quase sempre com trabalhadores a menos, com pouca formação e mal pagos”, é preciso exigir a “responsabilidade pública no cuidado ao longo da vida e não tem sentido o Estado limitar-se à contratualização com privados”.
Por isso, o Bloco de Esquerda defende a existência de uma “rede pública, para uma resposta universal e de qualidade” e uma real fiscalização dos serviços privados, “que, só na área da velhice, recebem 600 milhões de euros por ano do Estado”.
A coordenadora do Bloco lembrou ainda que no ano de 2016 o partido apresentou um projeto que impunha, entre outras coisas, uma fiscalização aos lares de idosos articulada entre a segurança social e da saúde. “Infelizmente pouco foi feito e quase nada mudou”, concluiu.
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