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“Enorme aflição”. Declarações de Rui Rio sobre o Chega agitam o PSD

07-08-2020 - Zap

As declarações de Rui Rio sobre um eventual entendimento com um “Chega” mais moderado geraram alguma agitação no PSD, levando alguns antigos líderes e militantes a criticar a posição do líder laranja.

A notícia é avançada esta terça-feira pelo jornal i, que dá conta que alguns sociais democratas ficaram em choque, e as declarações em causa foram proferidas por Rui Rio na semana passada, em entrevista à RTP3.

“Se o Chega  evoluir para uma posição mais moderada  penso que as coisas se podem entender”, disse Rui Rio, abrindo um porta para o partido de André Ventura mas frisando, contudo, que esta mesma porta se pode fechar.

“Depende do Chega”, frisou o líder do PSD. “Se o Chega continuar nesta linha de demagogia e populismo como tem tido, está aqui um problema, porque aí não é possível um entendimento com o PSD. Face àquilo que tem sido o Chega, descarto. Espero que o Chega possa evoluir para um plano mais moderado. Tem de mudar”.

Segundo o i, o antigo deputado  José   Eduardo   Martins  foi um dos primeiros a reagir.

“Isto é só a confissão de uma enorme aflição. O Dr. Rio saberá bem, acho eu, espero eu, que o Chega se mudar não faz sentido. A mudança que faz falta não virá nem do Chega nem do triste suicido do CDS. Não é de nada disso que a direita democrática e liberal está à espera”, atirou o também antigo secretário de Estado, na sua conta no Facebook.

Ao mesmo diário, o antigo líder do PSD  Rui Manchete  disse que um Chega mais moderado não seria o Chega, considerando ainda que, no seu entender, este caminho escolhido por Rui Rio não levará o partido a governar o país.

“Se o Chega for uma coisa muito moderada, já não tem nada a ver com o Chega. O Chega, tal como se apresentou, foi como um partido de um certa violência do ponto de vista político, e portanto, teríamos outro partido”, observou.

“Por este caminho, o  PSD não vai ter grandes possibilidades  de ser Governo”, disse ainda, notando que optar por uma aliança com uma força política com as características do Chega “é descaracterizar por completo o PSD”.

“Deitar areia para os olhos dos militantes”

Em declarações ao i, o antigo deputado Carlos Abreu Amorim, crítico de Rui Rio, não poupou também nas críticas. “Neste momento, o líder do PSD falar sobre hipóteses de coligações só serve para deitar areia para os olhos dos militantes, que estão muito descontentes com a colagem cada vez mais evidente do PSD ao PS”.

Sem dúvidas, afirma ainda: “ Rui Rio admitiu uma aliança com o Chega , porque na semana anterior tinha feito um favor desbragado a António Costa. Tentou reequilibrar a sua imagem junto do eleitorado do PSD. Só é enganado por isto quem quer”.

O “favor” a que Carlos Abreu Amorim se refere é o fim dos debates quinzenais, aprovado recentemente no Parlamento com os votos “solitários” do PS e PSD.

A política portuguesa, continua o ex-deputado, “é comandada pelo diálogo entre António Costa e Rui Rio, sendo que Rui Rio [surge] numa posição subordinada e secundária a António Costa (…) [Rui Rio]  Pisca o olho à direita  e  faz o jogo da esquerda  socialista”.

Trata-se de uma “jogada política”, rematou.

 

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