| Covid-19 usada em guerra socialista
17-07-2020 - Margarida Davim
Há nervosismo no partido e no Governo. Ideia de crise política agita lutas internas para o futuro no pós-costismo.
Com a pandemia de Covid-19 longe de estar controlada em Lisboa, os ânimos exaltaram-se no PS. Nas cúpulas do partido sabe-se que os custos económicos do vírus não tardarão a traduzir-se em custos políticos e isso gerou nervosismo e a ideia de que o Governo pode mesmo não resistir até ao fim da legislatura. O fantasma de uma crise política fez mexer as peças no tabuleiro socialista e ajudam a explicar o ataque de Fernando Medina ao combate à pandemia.
"Quando as faturas do lay-off, da TAP, da Efacec e do desemprego começarem a chegar, a coisa vai apertar", nota à SÁBADO uma fonte da direção socialista, lembrando que o voto contra do PCP no Orçamento Suplementar foi visto como a morte da geringonça.
"Depois do PCP saltar, o BE não vai querer ficar colado ao Governo muito mais tempo", diz a mesma fonte. O calendário também não ajuda: as autárquicas são já em 2021 e tudo o que correr mal na economia e na contenção do vírus pode valer um cartão vermelho ao PS.
A pressão já tinha feito saltar a tampa a António Costa numa reunião no Infarmed com um puxão de orelhas a Marta Temido, onde Costa se queixou da falta de informação para gerir a pandemia. Desta vez foi Fernando Medina a apontar "várias coisas que correram mal" na contenção da infeção na região de Lisboa. Só que não foi a ministra da Saúde a ficar com as orelhas a arder.
"A crítica era para o Duarte Cordeiro", diz uma fonte da ala esquerda socialista, lembrando que é ao secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares que cabe a gestão do combate à Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo.
Fonte: Sábado.pt
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