| Vírus da Covid-19 pode viajar até seis metros após tosse intensa
05-06-2020 - Diogo Camilo
OMS e DGS defendem distanciamento social de dois metros, mas o vírus dentro de um espirro ou da tosse pode chegar a seis metros de distância. As gotículas do novo coronavírus podem permanecer no ar durante apenas alguns segundos, enquanto partículas pequenas podem circular durante mais de 12 horas. A solução? Máscara.
A ameaça do novo coronavírus continua no ar e, segundo estudos, pode permanecer nele durante mais de 12 horas e atingir distâncias acima dos dois metros aconselhados pela Direção-Geral de Saúde (DGS) e Organização Mundial de Saúde (OMS) através do ato de tossir, de um espirro, da fala ou apenas uma respiração mais forte. E este perigo é ainda maior em infetados que não sabem que têm a Covid-19, por não terem sintomas. Uma simples máscara pode ser a solução, por mais simples que pareça.
Em Wuhan, cidade onde teve origem a pandemia, estima-se que os casos não diagnosticados de Covid-19, presumivelmente assintomáticos, foram responsáveis por 73% das infeções e um outro estudo em hospitais da região chinesa indica que os surtos foram causados, não só por gotículas, mas também aerossóis: partículas com um tamanho ainda mais reduzido, apenas 5 picómetros ou menos – cerca de 6 mil milhões de vezes menor que uma formiga.
No entanto, muitos dos países ainda não reconheceram a transmissão da Covid-19 através de partículas tão pequenas. Na revista Science, três cientistas realçaram que as recomendações da Organização Mundial da Saúde para o distanciamento social de cerca de dois metros e da lavagem das mãos são baseadas em estudos sobre as gotículas respiratórias dos anos 30 e, por isso, estão ultrapassadas. E referem também que, quando estes estudos foram feitos, não existia a tecnologia para sequer detetar aerossóis com mil picómetros.

Em Portugal, o uso de máscara tornou-se obrigatório em transportes públicos em Portugal e até algumas superfícies comerciais o adotaram para minimizar o risco de contágio do novo coronavírus. A máscara pode não ser 100% eficaz em travar a propagação da Covid-19, mas minimiza a exposição – mesmo em situações de risco.
É que as recomendações da OMS e da DGS para distanciamento social colocam o limite de propagação do vírus nos dois metros, referindo esta como "distância de segurança". Mas um estudo, divulgado no final de abril por investigadores australianos e chineses, mostrou que tosse ou um espirro mais intenso pode libertar gotículas do novo coronavírus até seis metros de distância – o triplo dos dois metros recomendados.
E, se a teoria de que aerossóis na quantidade certa também podem infetar, a distância de segurança pode ser ainda maior. Um estudo publicado na Proceeding of the National Academy of Sciences indica que apenas o ato de falar alto pode libertar entre mil a 100 mil aerossóis com pequenas partículas do vírus da Covid-19. E, se estes estiverem em locais fechados com pouco contacto com o ar exterior, podem ser facilmente inalados.
Um outro estudo, divulgado pela BMC Infectious Diseases, indicam que, em condições interiores, uma gotícula relativamente grande pode permanecer no ar durante mais de 4 segundos, viajando mais de 2,4 metros. Se esta for um aerossol de apenas um picómetro, pode permanecer no ar durante mais de 12 horas, viajando até seis metros.
No exterior, o cenário muda de figura. A humidade, as condições climatéricas, as correntes de ar constantes fazem com que o vírus seja mais facilmente eliminado e que se disperse mais rapidamente.
Por isso, os três investigadores dos EUA e Taiwan defendem o uso de máscara em locais fechados, mesmo com o distanciamento de mais de dois metros e falam de exemplos de locais onde se podem acumular elevadas concentrações de vírus, como centros de saúde, aviões, restaurantes e locais com muita gente com ventilação reduzida.
"As máscaras constituem uma barreira crucial, que reduz o número de vírus infecciosos que podem ser expelidos, sobretudo por pessoas assintomáticas e de quem tem sintomas leves", referem, acrescentando que o "material das máscaras cirúrgicas reduz a probabilidade e gravidade de covid-19, diminuindo substancialmente o vírus suspenso no ar. As máscaras também protegem dos aerossóis de SARS-CoV-2 quem não está infetado".
Fonte: Sabado.pt
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