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Anticorpos significam imunidade contra a Covid-19? Nem por isso

08-05-2020 - Diogo Camilo

Um teste serológico positivo significa que a pessoa é imune ao novo coronavírus? É provável, mas não é certo. A presença de anticorpos contra a Covid-19 pode não ser suficiente para prevenir uma infecção futura.

Cinco meses depois de anunciados os primeiros casos da Covid-19, os países começam agora a levantar restrições para a reabertura de negócios e lançam programas de testes serológicos à procura de anticorpos e imunidade. Mas estarão as pessoas realmente imunes ao novo coronavírus depois de terem estado infetadas?

Sobre o novo coronavírus, investigadores sabem, para já, que uma parte das pessoas recuperadas da Covid-19 estão protegidas de outra infeção - pelo menos numa fase inicial. Mas ainda não é conhecido quanto tempo dura esta imunidade ou quão forte é perante uma nova ameaça do vírus.

Como fica uma pessoa imune?

Sem recurso a vacina, a resposta é apenas uma: anticorpos. Quando o corpo encontra um vírus pela primeira vez, o sistema imunitário desencadeia uma autêntica perseguição para eliminar a ameaça numa questão de horas.

Esta primeira resposta do nosso organismo frente a um corpo estranho é rápida mas não é específica, pois o sistema imunitário não sabe ainda como enfrentar o coronavírus. 

É por isso que, enquanto o organismo tenta responder imediatamente à ameaça de infeção do coronavírus, desenvolve também uma segunda alternativa - mais lenta e mais específica contra o agente patogénico que invade o corpo. Um teste à Covid-19 é, basicamente, uma medição dos anticorpos no sangue para determinar quem esteve exposto ao vírus Sars-CoV-2. Para cada vírus, o seu tipo diferente de anticorpo.

A existência de anticorpos em sobreviventes e recuperados da Covid-19 já foi testada, mas, de acordo com a OMS, algumas pessoas demonstraram ter baixos níveis de "anticorpos neutralizantes", o tipo que impede o vírus de entrar nas células.

E, mesmo com a presença destes pode não ser suficiente para prevenir uma infeção futura uma vez que podem existir em quantidades mínimas ou podem não ter a força para conter a estirpe de um novo vírus da infeção.

É por isso que um teste serológico positivo não significa ainda imunidade à Covid-19. Apenas informa se a pessoa que testou positivo foi exposta ao novo coronavírus - e mesmo o resultado depende da sensibilidade e especificidade do teste.

O que nos diz a imunidade de outros coronavírus sobre a Covid-19?

A Covid-19 é a doença provocada por apenas um de sete subtipos de coronavírus conhecidos em humanos. O primeiro, o HCoV-229E, foi detetado em 1960 e traduzia-se numa simples gripe. Dos outros cinco conhecidos até ao ano passado, apenas dois originaram surtos: a SARS e a MERS. Mas o vírus da SARS-CoV-2 tem provado ser diferente de todos os outros.

Entre os outros quatro que não a SARS, a MERS e a SARS-CoV-2, estão os vírus responsáveis por 15 a 30% de todas as gripes - 229E, NL63, OC43 and HKU. Dois destes pertencem ao mesmo subgrupo que o vírus da Covid-19, os betacoronavírus.

Em 1990, foi descoberta a imunidade para o coronavírus 229E, responsável pela gripe comum. Mas esta era apenas períodica: um ano depois, os níveis de anticorpos baixavam e as pessoas podiam ser novamente infetadas. 

Por altura do surto de SARS, em 2002 e 2003, foi também descoberto que 90% de 128 amostras de pessoas recuperadas apresentavam "anticorpos neutralizantes", o mesmo que impede o vírus de entrar nas células - o que significa que, muito provavelmente, estariam imunes.

Isto diz-nos também que uma segunda infeção da Covid-19, sendo o vírus "irmão" da SARS, é altamente improvável. No entanto, se todos os ex-infetados ficam imunes - e a duração dessa imunidade - ainda é um mistério.

Outros coronavírus podem ajudar à imunidade da Covid-19?

Os vários coronavírus são altamente semelhantes e, por isso, a imunidade cruzada - em que a imunidade para um tipo de coronavírus confere imunidade para mais tipos - pode ser uma solução.

Num estudo publicado na National Center for Biotechnology Information, foi descoberta imunidade num tipo de coronavírus humano - o OC43 - cujos anticorpos também protegem outro coronavírus - o HKU1. Ora, ambos são betacoronavírus e pertencem, assim, ao mesmo subgrupo da SARS-CoV-2 e podem conferir proteção contra o vírus da Covid-19.

Para já, esta é apenas uma vaga hipótese e os testes atuais não nos conseguem dar esta resposta sobre imunidades partilhadas entre espécies diferentes da mesma família de vírus.

Fonte: Sábado.pt

 

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