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Costa numa encruzilhada: pressionado por Rio, encostado pela esquerda e assombrado pela austeridade

24-04-2020 - Zap

Antigos parceiros de geringonça, principal rosto da oposição e União Europeia pressionam António Costa que, entre a espada e a parede, continua a recusar aceitar a palavra “austeridade” no léxico.

O Governo e o PS têm rejeitado a ideia de um regresso forçado às políticas de contenção como resposta à recessão económica que se aproxima, fruto da crise desencadeada pelo novo coronavírus.

“O país não precisa de austeridade, precisa de relançar a economia”, disse, recentemente, o primeiro-ministro numa entrevista ao Expresso, para logo a seguir sublinhar: “mas já ando nisto há muitos anos para não dar hoje uma resposta que amanhã não possa garantir”.

Se há uns dias, António Costa garantiu que a austeridade não seria a receita para resolver a crise, prefere agora não se comprometer. E os números sustentam esta decisão.

De acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), Portugal pode fechar 2020 com uma dívida pública de 135% do PIB – um valor recorde, que supera a pior marca da crise financeira (132,9% em 2014) -, um défice de 7%, um previsível agravamento dos juros da dívida e uma taxa de desemprego na ordem dos 13,9% (mais do dobro do registado). Tudo isto somado à incerteza dos mercados.

O Expresso escreve que o Governo tem dado garantias de que tudo fará para evitar aumento de impostos, cortes nas despesas com salários, pensões ou outras prestações sociais. Certo é que os primeiros sinais da crise começou a dar nas vistas: mais de um milhão de trabalhadores em regime de lay-off e, só nos primeiros 16 dias de abril, o total de desemprego registado subiu em mais de 40 mil pessoas para cerca de 360 mil.

Este cenário motiva pressões à esquerda e à direita. António Costa provocou os antigos parceiros da geringonça, numa entrevista à Lusa, afirmando que “ficaria muito desiludido se só pudesse contar com BE e PCP nas vacas gordas”.

O Bloco de Esquerda não hesitou em responder e o PCP não se deixou ficar. Enquanto Catarina Martins garantiu que não aceitará uma política de austeridade e acusou Mário Centeno de ser um agente duplo na Europa; Jerónimo de Sousa declarou que a “austeridade está aí”, que as vacas nunca foram gordas e que se exige um plano imediato para investimentos, salários e nacionalizações.

Com as relações à esquerda frias, Costa volta-se para a direita e olha para Rui Rio como um parceiro de negociações. Ainda assim, o líder social-democrata já deixou claro que não passa cheques em branco e que é necessário reconhecer que a situação é grave. Para Rio, é preciso adoptar medidas que não serão populares ou fáceis de tomar.

No Twitter, Rio lançou farpas ao Governo, na sequência dos aumentos na função pública.”Quando há trabalhadores em lay-off a receber só 2/3 do salário, outros atirados para o desemprego e as finanças públicas brutalmente pressionadas pelos gastos que estamos a ter de fazer, estes aumentos [na função pública] não podiam acontecer”, criticou.

Fica claro que se António Costa quiser contar com o apoio do PSD terá de se aproximar das soluções propostas pelos sociais-democratas.

Mas nesta história entra ainda a União Europeia, uma vez que a resposta do Governo português dependerá directamente dos mecanismos de apoio europeus.

Esta terça-feira, o ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo disse esperar conseguir negociar um plano de recuperação “com 12 zeros” e traçou as diferenças em relação à crise das dívidas soberanas: a economia cresceu 25 trimestres consecutivos, a generalidade dos países tem o défice sob controlo, “o euro tem hoje uma rede de protecção incomparavelmente superior à da crise de 2008”, e o eixo Paris-Berlim tem uma “visão muito clara e muito construtiva” sobre o caminho a percorrer.

Mário Centeno colocou os trunfos em cima da mesa e repetiu, ainda, que a recuperação da economia vai ser mais rápida do que o cenário vivido na crise anterior. Resta saber se será o suficiente para evitar o bicho papão, chamado austeridade.

 

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