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O poder da IA nos mercados emergentes

31-01-2020 - Frank-Jürgen Richter

A inteligência artificial está a permear quase todos os aspectos da vida nas economias avançadas. Desde os governos até às empresas e aos indivíduos, o alcance da IA é extenso e a sua implementação está a revelar-se transformadora.

Mas os benefícios não estão a ser sentidos apenas no mundo desenvolvido. Prevê-se que a IA contribua com 15,7 biliões de dólares para a economia global até 2030, oferecendo um valor socioeconómico a todos os sectores da sociedade nos próximos anos. E uma parcela substancial desse total será agregada às economias emergentes, onde a IA já está a ajudar a resolver problemas profundamente enraizados.

As enormes somas investidas na IA ilustram o potencial que muitos vêem nesta nova tecnologia. De acordo com as estimativas da International Data Corporation, os gastos globais em IA atingirão aproximadamente 36 mil milhões de dólares, em 2019, um aumento notável de 44% em relação a 2018. Prevê-se que esse número ultrapasse os 79 mil milhões de dólares, até 2022.

A razão pela qual está a ser investido tanto dinheiro na IA é óbvia: o valor comercial mundial proveniente da IA deverá subir para os 3,9 biliões de dólares, até 2022, mais de três vezes superior aos 1,2 biliões de dólares em valor que gerou em 2018. E não é apenas o facto de as empresas estarem a beneficiar com a adopção da IA. São também os principais agentes da mudança, permitindo que milhões de pessoas no mundo em desenvolvimento beneficiem de maiores eficiências, tanto incrementais como de longo alcance.

Devido à sofisticação da IA, muita gente acredita que seja mais adequada para aplicações nas economias desenvolvidas. Mas a IA talvez seja ainda mais relevante nos mercados emergentes, que estão a explorar as oportunidades que a IA cria para produzir benefícios sociais e económicos significativos. A IA está a permitir novos produtos e modelos que estão a ajudar os mais pobres a subir a escada económica, através de soluções que ultrapassam as tecnologias existentes.

Por exemplo, a falta de acesso ao crédito tem sido um grande impedimento ao desenvolvimento socioeconómico, mas agora a IA está a ajudar a eliminar esse entrave nas áreas mais remotas e mais pobres do mundo. Desde as povoações na Indonésia até às terras agrícolas no Quénia e Madagascar, os sistemas accionados por IA estão a ajudar a tornar o dinheiro acessível a pequenos empresários e agricultores – não apenas iniciando um ciclo virtuoso de servir os menos favorecidos, mas também aumentando potencialmente o crescimento e a produtividade. Na ausência de históricos de crédito tradicionais, os fornecedores de capital alternativos estão a usar aplicações de IA para avaliar possíveis mutuários e prever incumprimentos. Exemplos proeminentes incluem o serviço de crédito móvel, M-Shwari, no Quénia e a startup que presta serviços financeiros, Ant Financial, no leste da Ásia.

Nas economias emergentes, os agricultores podem usar dispositivos móveis quase ubíquos para acederem a serviços accionados por IA, que fornecem informações em tempo real sobre condições meteorológicas, uso e requisitos de água, condições do solo e clima, permitindo que tomem decisões operacionais mais informadas. Este é apenas um exemplo de como as soluções de IA de baixo custo estão a alterar a vida dos agricultores a nível global. Quando se trata de produção industrial, o aumento da automatização aumenta a eficiência e reduz os custos, ajudando a aumentar o consumo no processo.

As aplicações de IA também estão a ser usadas para ajudar a solucionar problemas de infra-estrutura. Isto é particularmente importante no contexto de mercados emergentes, onde o forte crescimento económico e a rápida urbanização estão a colocar os activos existentes sob uma crescente pressão. Cidades inteligentes, redes inteligentes, sistemas de tráfego integrados com a Internet, veículos sem condutor e tecnologias baseadas em sensores (para citar alguns exemplos) fazem parte dessa grande quantidade de IA. Dada a velocidade da urbanização na Ásia e em África, será necessária a adopção de soluções baseadas em IA no fornecimento de infra-estruturas para manter as cidades a funcionar sem problemas.

No entanto, os desafios permanecem. Um desafio importante é o alto custo da implementação da IA na vida quotidiana. A tecnologia pode oferecer um enorme potencial, mas também deve ser comercialmente viável. Um outro desafio é a segurança de dados. As questões relacionadas com a privacidade e a comercialização de dados não diminuirão tão cedo e têm de ter resposta.

De facto, ambas as preocupações têm de ser resolvidas de forma convincente, porque a escolha de se adotar a IA muitas vezes depende delas. E garantir uma maior adoção e uma implementação equilibrada da tecnologia de IA será crucial para o crescimento e desenvolvimento económico a longo prazo dos mercados emergentes. E à medida que a tecnologia amadurece, ela tornar-se-á mais barata e melhor compreendida.

Um outro factor a ter em consideração para as economias emergentes é a natureza mutável do trabalho, devido ao aumento da aplicação da IA nos processos de produção. As inovações accionadas por IA estão a reduzir a procura de mão de obra, o que coloca um grande problema para os países com grandes populações em idade activa, tais como Índia, Indonésia e Bangladesh. Mas a IA também cria uma janela de oportunidade para o mundo em desenvolvimento requalificar a respectiva força de trabalho em empregos melhores e que não exijam muita mão de obra, ajudando a economia a subir na cadeia de valor.

Tendo em conta os benefícios que a IA já está a levar para as economias emergentes, é imperativo que ela seja aceite de forma mais ampla. Sim, os governos precisarão de fazer julgamentos diferenciados, tendo em conta os desafios que certamente existem em adoptá-la e implementá-la com sucesso. Mas a única forma de superar esses desafios é enfrentá-los de frente.

FRANK-JÜRGEN RICHTER

Frank-Jürgen Richter is the Founder and Chairman of Horasis: The Global Visions Community.

 

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