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Os governos têm de defender a saúde

28-09-2018 - Tedros Adhanom Ghebreyesus

Passaram apenas cem anos desde que a epidemia de gripe espanhola se espalhou pelo mundo e matou dezenas de milhões de pessoas. Muito antes de o homem chegar à Lua, da Internet ou da descoberta do bóson de Higgs, o mundo esteve à mercê de uma doença que atacava indiscriminadamente e não respeitava as fronteiras nacionais. A epidemia exigiu uma resposta absolutamente extraordinária.

Cem anos depois, as doenças contagiosas continuam a atravessar fronteiras com maior rapidez e mais eficazmente do que as pessoas ou os bens. Mas outras epidemias, de doenças crónicas não transmissíveis (DCNT), são também um flagelo para as comunidades de todo o mundo. Na verdade, em termos de escala do sofrimento humano e dos custos para a sociedade, estas doenças podem até ser mais devastadoras do que as suas equivalentes contagiosas.

Na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, chefes de estado mundiais irão   reunir-se nos dias 26 e 27 de setembropara destacarem duas grandes ameaças para a saúde. No primeiro dia, discutirão estratégias para acabar com a tuberculose (TB), uma ameaça antiga que continua a ser a doença contagiosa mais mortífera do mundo. A TB reclama mais de   quatro mil vidas por dia   e está entre as dez principais causas de morte, a nível global. E como se não bastasse, também é o principal fator das mortes relacionadas com a   resistência antimicrobiana, bem como a principal causa de mortalidade de pessoas com VIH.

Depois, no segundo dia, os líderes mundiais reunir-se-ão para discutir planos sobre o combate às principais DCNT, tais como o cancro, diabetes, e doenças cardiovasculares e pulmonares. Em conjunto, as DCNT são responsáveis por   sete mortes, em cada dez,   a nível mundial. Globalmente, as DCNT matam 41 milhões de pessoas todos os anos, inclusive 15 milhões de pessoas que se encontram no auge das suas vidas, com idades entre os 30 e os 70 anos. A juntar às estratégias de combate à TB e às DCNT, os líderes mundiais também discutirão formas de promover a saúde mental e o bem-estar.

Os países em desenvolvimento sofrem as consequências das epidemias da TB e das DCNT, uma vez que a maioria das pessoas que sofre e morre prematuramente dessas doenças é de países de rendimento baixo e médio. Mas embora a TB e as DCNT sejam tipos de ameaça contra a saúde muito diferentes, a melhor resposta para as combater é a mesma: temos de criar sistemas de saúde mais fortes, que assegurem uma cobertura universal de saúde (UHC).

A UHC torna os cuidados de saúde acessíveis a todos, independentemente das circunstâncias. Oferece uma gama completa de serviços básicos, desde a prevenção e o tratamento até aos cuidados paliativos e de reabilitação, a toda a gente e não só a quem pode pagá-los.

Os princípios subjacentes à UHC aplicam-se da mesma forma tanto para proteger as pessoas contra a TB e as DCNT, como para promover a saúde mental. Mas apesar de a necessidade urgente da UHC ser amplamente compreendida, as verdadeiras mudanças não acontecerão se não houver um maior empenho por parte das altas esferas do governo.

Isso significa que os presidentes e os primeiros-ministros terão de se tornar os defensores da saúde dos seus cidadãos. Só garantido uma resposta abrangente por parte dos governos é que a UHC poderá ser alcançada, uma vez que o que impulsiona a saúde boa e a saúde má está muitas vezes fora da alçada dos ministérios da Saúde.

Ao realçarem os desafios colocados pela TB e pelas DCNT, as Nações Unidas estão a dar aos líderes políticos uma oportunidade única para colocarem o bem-estar dos seus cidadãos em primeiro lugar. Deveriam lembrar-se de que a promoção da saúde também paga dividendos em muitas outras frentes, desde o desenvolvimento económico até à segurança.

Até à data, os governos já se comprometeram em cumprir as principais metas globais para a TB e as DCNT. No que diz respeito à TB, o mundo ainda precisa de tratar os   40 milhões de pessoas   que vivem com a doença e fornecer cuidados preventivos a outros 30 milhões, tudo até 2022. E para atingir osObjetivos de Desenvolvimento Sustentável   (ODS) da ONU, temos de acabar com a epidemia até 2030. Os países podem cumprir estas metas fazendo investimentos especificamente orientados para aumentar a prevenção, deteção, tratamento e investigação.

Quanto às DCNT, os ODS obrigam os governos a reduzir as mortes prematuras derivadas dessas doenças, em um terço. Os avanços em direção a esse objetivo não têm sido rápidos o suficiente para garantir que isso seja cumprido antes de 2030.

Felizmente, há formas pouco dispendiosas de os governos cumprirem estas metas e salvarem vidas. Medidas regulamentares podem proteger as pessoas de se exporem às causas comuns das DCNT: tabaco, álcool, inatividade física, e comidas e bebidas com elevado teor de gorduras trans, sal e açúcar. Os investimentos em sistemas de saúde podem melhorar a deteção de doenças e o tratamento de patologias como a hipertensão e a diabetes. Vacinar as raparigas contra o vírus do papiloma humano (HPV) e fazer rastreios regulares às mulheres, pode reduzir drasticamente o número de mortes devido ao cancro do útero.

Nas reuniões na Rússia e no Uruguai, que se realizaram no ano passado, os ministros da Saúde de todo o mundo comprometeram-se a acelerar as medidas contra a TB e as DCNT. Agora, é a altura de dar o próximo passo.

A Assembleia Geral das Nações Unidas é uma oportunidade única para os líderes mundiais fomentarem um verdadeiro bem global – melhor saúde para os seus cidadãos – através do desenvolvimento de uma cobertura universal para acabar com a TB, vencer as DCNT e promover uma melhor saúde mental.

Tedros Adhanom Ghebreyesus

Tedros Adhanom Ghebreyesus, a former Minister of Foreign Affairs of the Federal Democratic Republic of Ethiopia, is the Director-General of the World Health Organization.

 

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