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Raízes da guerra comercial entre EUA e China

10-08-2018 - Francesco Sisci

"Por um lado, as armadilhas do partido comunista chinês, ainda influenciado por dinâmicas do século XIX e XX, salvaram China do monetarismo insensível e do populismo. Mas estaria a China se esquecendo de alguma coisa importante? Ou estaria buscando no passado alguma ideia que lhe dê vantagem? Se de fato o pensamento do Partido estiver se afastando do pensamento político de outras partes do mundo, contatos e compreensão se tornarão mais difíceis"

Mais uma vez, depois de anos de relativo silêncio, rumores de Pequim voltam a ser ouvidos. A discussão central gira em torno da guerra comercial em curso com os Estados Unidos.

O argumento oficial é de que a China não tem medo, pois tem um grande mercado interno, e sua tecnologia está melhorando rapidamente. Assim, progressivamente pretende diminuir a dependência das exportações. Além disso, enquanto as tarifas diminuem o comércio, Pequim se moveu rapidamente para desvalorizar sua moeda a fim de compensar os direitos de importação mais elevados nos Estados Unidos. O resultado disso: China poderá aumentar ainda mais suas exportações.

Os chineses que leem jornais internacionais assumem que a América e o Ocidente estão à beira do declínio, isso se não entrarem em colapso. Eles veem que o presidente dos EUADonald Trump, é divisionista: há uma importante metade dos Estados Unidos que é militantemente contra ele, e a oposição externa, da outrora leal União Europeia, é ainda mais difícil. A OTAN está em frangalhos e os Estados Unidos está irritando todo mundo com sua nova política de comércio. O South China Morning Post, com razão, comenta que os EUA têm muitos mais inimigos do que desejaria.

Portanto, as pessoas em Pequim supõem que não exista muito com o que se preocupar. Eles podem se fechar por um tempo e esperar a tempestade passar. Quando os EUA derem um sinal, a Chinafará algumas concessões e as coisas vão voltar ao normal, ou seja, a China seguindo em ascensão.

No entanto, existem algumas pessoas na China que contestam esta análise. Um confronto com os Estados Unidos de qualquer forma é uma coisa muito séria que não pode ser subestimada. Culpam o chefe das relações exteriores, membro do Comitê Permanente do PolitburoWang Huning, por não compreender a gravidade da situação com os EUA até alguns meses atrás.

Supostamente, alguns dos líderes aposentados, liderados por Jiang Zemin (92), pediram a remoção de Wang, em um golpe claramente endereçado ao presidente Xi Jinping. Ou seja, parece que a pressão externa reacendeu algumas controvérsias internas.

Na verdade, Wang Huning e Xi Jinping não são os únicos culpados por interpretar mal as intenções americanas. O erro vem muito antes, cerca de vinte anos atrás, quando a China não compreendeu o que os americanos pretendiam, e por cerca de trinta anos Pequim deixou de prestar devida atenção à política externa.

Seguir o Ocidente até certo ponto

Trinta anos atrás, no verão de 1988, o Secretário do Partido Zhao Ziyang lançou um amplo programa de liberalização econômica. Foi uma terapia de choque sugerida por economistas monetários de Chicago, que também estavam aconselhando o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan  e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. A ideia era de que a economia da China passasse por um choque enorme e depois as regras de mercado a empurrariam para o caminho correto, ou seja, de saudável liberdade e desenvolvimento de mercado. Isto por sua vez preencheria o sonho chinês de alcançar o Ocidente e se tornar parecido com a América.

No entanto, cerca de um mês depois do lançamento do programa, todas as lojas na China estavam vazias, os preços subiram até o teto, havia escassez de suprimentos básicos como arroz e sabonete, pessoas acumularam bens e a liderança chinesa entrou em frenesi. Velhos economistas de estilo soviético, liderados pelo então Primeiro-ministro Li Peng, com o apoio do veterano do partido Chen Yun, intervieram: bloquearam as reformas de Zhao e reintroduziram antigos mecanismos económicos.

De todo modo, esta atitude não era simplesmente uma medida económica; Foi também uma decisão de política externa. A China decidiu se afastar dos conselhos americanos e estreitar relações com a URSS, liderada então pelo reformador Mikhail Gorbachev. Na época, o próprio Gorbachev estava reformando seu sistema político e econômico com sua política de glasnost  (transparência) e perestroika (desenvolvimento). Portanto, no outono de 1988, as reformas económicas chinesas mais cautelosas estavam mais alinhadas com a URSS, mas não desconsideravam os EUA. Neste momento, as duas superpotências também estavam aumentando suas relações. Contudo, as reformas chinesas poderiam estar totalmente alinhadas com sua relação com os Estados Unidos. Ou seja, olhando da perspectiva americana, a China estava estreitando relações com os soviéticos como uma espécie de recompensa pelos soviéticos se aproximarem da América.

No entanto, poucos meses depois, com a repressão às manifestações pró-democracia na Praça Tiananmen, a queda do muro de Berlim no outono de 1989 e o colapso da União Soviética em 1992, esta imagem mudou completamente. Os líderes chineses mais pragmáticos pensaram que ouvir conselhos demais dos Estados Unidos conduziria eventualmente ao colapso do país e depois de 1992, ao invés de seguir os Estados Unidos mais de perto, parte da liderança chinesa chegou a acreditar que uma das lições a serem aprendidas da queda da União Soviética era a necessidade de manter o controle político e económico em rédeas curtas, e ser prudente em relação às orientações da América e do Ocidente. O Ocidente deveria ser seguido, mas só até certo ponto – sem confiar demais no conselho estrangeiro e o considerar discretamente.

Apesar de tudo, a liderança chinesa entendeu que sua política interna estava intimamente ligada à sua política externa e à análise estrangeira. Entendeu que elementos internos e externos não podem ser separados.

Um passado mais distante

Afinal, esta também foi a lição aprendida do Partido Comunista, que chegou ao poder por meio do ajuste de suas alianças externas às suas políticas internas. Na verdade, depois que Mao Zedong abriu para a visita de Nixon em 1971, a América tem um novo aliado que poderia compensar a derrota política no Vietname, e a China teria uma recompensa ainda maior. Sob a ameaça de uma invasão por parte da União Soviética, os Estados Unidos dramaticamente melhoraram a capacidade chinesa de defesa aprimorando suas estratégias, táticas e armas. Ou seja, a América garantiu a sobrevivência chinesa no caso de um confronto com os vizinhos da URSS, com quem a China lutou uma guerra curta e limitada, mas amarga ao longo de sua fronteira norte.

Mais tarde, após o falecimento de Mao e com a subida ao poder de Deng Xiaoping, a colaboração militar entre China e EUA melhorou ainda mais. A China ajudou o exército americano lutando contra Moscou na Guerra do Afeganistão, e o mais importante, lutou contra o Vietname em 1978 após Hanói invadir o Camboja e derrubar o regime pró-chinês local, que Washington considerou uma cobertura contra a expansão pró-soviete vietnamita na Indochina.

Em troca desse apoio, foram concedidas a China na década de 1980 condições muito favoráveis de mercado, com tarifas baixas de exportação para os EUA e uma luz verde para transferências tecnológicas[1]. Em outras palavras, na década de 1980, a liderança chinesa era muito clara de que seu desenvolvimento econômico dependia do apoio e boa vontade americana, que tiveram que ser compensados com empreendedorismo chinês e trabalho pesado. Nesse caso, o facto de que o Estado possuía todas as terras e recursos fez com que ficasse bastante fácil para os investidores estrangeiros lidarem com a China. Eles tiveram que falar diretamente com o dirigente no comando que, se as condições estivessem corretas, poderia fornecer terra, utilitários, incentivos fiscais e até mesmo mão-de-obra pelo preço de custo. Nada desse tipo poderia acontecer em um país capitalista como a Índia, por exemplo.

O início da década de 1990, a situação tinha mudado não só na China, mas também nos Estados Unidos e no mundo. A China ficou chocada com o colapso da URSS, mas ficou ainda mais surpresa com a primeira Guerra do Golfo em 1991, quando as forças americanas brutalmente esmagaram o mais numeroso exército iraquiano em apenas alguns dias. A ascensão da guerra inteligente e o direcionamento de mísseis foram uma grande realização para o exército americano. Para os chineses, era um sinal de sua fraqueza e atraso.

Mas foi também um aviso aos chineses para melhorarem suas capacidades militares de uma forma muito grande. A China compreendeu que a política externa americana estava lá para ficar. A América não tinha cortado os laços com a China após a repressão de Tiananmen, e retomou o diálogo na véspera da Guerra do Golfo. Em outras palavras, Pequim compreendeu que a China era muito importante para a América. A nova política de globalização, liderada pelo então presidente Bill Clinton, confirmou ainda mais a sensação de que a China não seria isolada novamente pelos EUA. A Globalização foi para os chineses um deslocamento da produção dos Estados Unidos, e a China viria a se tornar muito importante como uma base de fabricação e como um mercado potencialmente enorme para a produção americana. Este foi o fundamento básico para a comunhão de interesses entre a China e os países estrangeiros, como mais tarde chamou Zheng Bijian[2].

Os esforços americanos para empurrar sua nova doutrina de globalização e o lobby bem sucedido para a entrada da China na recém-criada Organização Mundial de Comércio (OMC) criou uma infraestrutura em que os EUA não tinham a China como inimiga, embora ela estivesse começando a pensar em si mesma como não mais totalmente amiga da América.

A onda pró-Russia

A onda de sentimento pró-russo que veio à tona em 1988 estava crescendo. Um elemento importante foi a intervenção dos EUA na antiga Iugoslávia na década de 1990. Muitos chineses não compreenderam e não acreditaram na intervenção de ajuda americana a países que não estavam dispostos a lutar e morrer pelos jugoslavos. Alguns pensaram que o objetivo era enfraquecer a recém-criada União Europeia, que pouco antes tinha decidido criar uma moeda que poderia ser um contrapeso em relação ao dólar americano. Com tudo isto, os chineses se aproximaram dos sérvios. Compadeceram-se, pois os sérvios estavam tentando manter a unidade da Iugoslávia contra todas as outras "forças separatistas". Eles sentiram que os Estados Unidos estavam também de alguma forma ameaçando a ChinaTibete e Xinjiang poderiam se tornar independentes, Taiwan poderia declarar independência e Hong Kong poderia nunca retornar à sua pátria. Esta era a atmosfera que levou os chineses tomarem partido dos sérvios.

Neste contexto, os americanos "acidentalmente" bombardearam a embaixada chinesa em Belgrado em 1999, supostamente em retaliação pelo comportamento chinês nos dias anteriores. A embaixada chinesa teria ajudado as forças sérvias a abater um bombardeiro Stealth de nova geração, e partes do bombardeiro abatido foram recuperadas pelas forças jugoslavas e possivelmente dadas ao exército chinês.

O episódio de Belgrado amargurou as velhas relações China-EUA. Alguns chineses se sentiam extremamente ameaçados pelos Estados Unidos, acreditando que Washington estava pensando em fazer com a China o que tinha feito com a URSS e a Jugoslávia. Ao mesmo tempo, algumas forças na América acharam que já era hora de lidar diretamente com a China, afinal ela estava se tornando o inimigo principal, e poderia se tornar muito mais ameaçadora.

Nesta atmosfera, Bush foi eleito presidente e, no ano 2000 fechou a nova Sunshine Policy que tinha sido lançada pela Coreia do Sul a fim de abrir-se para o norte. A China, que apoiava a Coreia do Sul, considerou a mudança americana um golpe contra suas próprias forças.

Contudo, tanto na América quanto na China as coisas estavam incertas, e nem todo mundo pensou que a China se tornaria um inimigo. Na verdade, a opinião da maioria foi de que China iria entrar em colapso ou "se tornar como nós" se ela seguir um caminho de liberalização económica e integração na OMC. Em outras palavras, não havia nenhuma pressa para enfrentar a China.

Em 1º de abril de 2001, novamente as relações bilaterais tiveram um choque quando um avião de vigilância EP-3 caiu sobre a ilha chinesa de Hainan após um incidente no ar com um caça chinês que estava o perseguindo. Após o incidente, tensões rapidamente aumentaram e a liderança chinesa ficou aparentemente em pânico com esta nova situação.

Eles viram o colapso de toda a complexa arquitetura que antigos líderes da geração de Deng Xiaoping haviam construído. Sentiam-se cercados. Internamente, a China era extremamente fraca. Apenas dois anos antes, o culto de Falun Gong tinha feito um protesto em massa contra a liderança superior, possivelmente com a ajuda das forças de segurança, e sua influência era ainda muito grande no país e no partido. Protestos no Tibete estavam em ascensão, e a relação de Pequim com Hong Kong ainda era muito incerta.

Milagres para os chineses, e o preço a ser pago

Então, o massacre de 11/9 mudou todas as prioridades americanas e globais, e para China foi um milagre. Em questão de dias, a América completamente mudou o seu foco e o dirigiu da China para o Oriente Médio e Ásia Central.

Nos anos seguintes, as falhas das guerras no Iraque e no Afeganistão; as falhas das revoluções Jasmim na Líbia, Egito e Síria; e, o desperdício de centenas de bilhões de dólares nesses conflitos ajudou a criar a crise financeira de 2008. A crise também deu aos chineses a ideia de que o sistema americano, falhando em guerras e falhando em finanças, estava em declínio.

Mas o mais importante, por um longo período de vinte ou trinta anos, a China não sentiu tanta pressão externa. Era muito diferente da década de 1970, quando ela se sentiu ameaçada pela Rússia. Antes disso, sua sobrevivência foi ameaçada pela invasão japonesa e antes disso, pelas potências colonialistas. Desde a década de 1980, a China cresceu acostumada a uma atmosfera de grande paz. Esta paz foi realmente garantida pela boa vontade dos Estados Unidos e do Ocidente –, no entanto, eles aparentemente não exigiram muito em retorno, ao contrário de anteriormente com os russos, japoneses e colonialistas.

Portanto, cada vez mais nos anos seguintes a repressão de Tiananmen, a China passou a acreditar que sua relação com os Estados Unidos poderia não ser muito boa, mas também não era muito ruim. Tinha que ser gerenciada: não havia grande espaço para melhorias, mas também pouco espaço para deterioração.

Pequim  passou a acreditar que o desenvolvimento chinês era de alguma forma imparável, também porque os interesses americanos e ocidentais estavam intimamente ligados ao crescimento chinês, que havia se tornado muito importante para o crescimento ocidental e para o crescimento global em geral.

Em outras palavras, nos últimos trinta anos, a China basicamente desistiu de pensar em termos realistas e inovadores sobre o ambiente internacional. Não percebeu que o ambiente global não era neutro: não era uma pradaria aberta onde invasores chineses podem perambular. Na verdade, era como se fosse um território já ocupado em que empresários chineses foram autorizados a entrar contanto que forneçam bem-estar para si e para outros. Mas seu caminho seria interrompido se estivesse se comportando mal ou tentando ganhar mais do que sua cota. O comportamento adequado a ser seguido era determinado pelo principal jogador do campo internacional, ou seja, os Estados Unidos.

O que aconteceu nos últimos dez a quinze anos foi que China simplesmente ficou presa num emaranhado de forças internas. Começou com o congresso do Partido de 2002. Depois disso, não ficou claro quem estava no comando: o chefe do Exército Popular de Libertação Jiang Zemin, o secretário do Partido Hu Jintao, alguns líderes aposentados, ou os membros do novo Politburo.

Nos anos de grande confusão, que levaram ao Congresso de 2012 em que Xi Jinping foi coroado, não era claro como as decisões eram tomadas na China e quais eram as responsabilidades de cada um. Nesta situação, as políticas externas eram de curto prazo, sem refletir sobre as mudanças ao longo do tempo nem sobre as implicações domésticas dessas alterações.

Foi em neste contexto que o presidente Xi Jinping herdou um sistema confuso, onde ninguém estava no comando de nada e não havia nenhuma avaliação clara do ambiente internacional.

Esta situação não mudou muito atualmente. A China está ainda pensando em sua crise com os EUA em termos internos, de acordo com ideias de 20 ou 30 anos atrás. A liderança não conseguiu antever a guerra comercial, e não conseguiu reconhecer que seu próprio comportamento foi e está sendo lido como equivalente a uma guerra fria[3]. Também tem uma percepção possivelmente confusa de suas forças e fraquezas.

Em certo sentido, 11/9 deu a China uma calmaria inesperada de 18 anos. Mas essa calmaria cegou a liderança chinesa à real situação internacional. Os chineses não usaram a calmaria para entender melhor o mundo – eles de alguma forma desperdiçaram, se concentrando apenas em si mesmos.

Ajustando relações internas e internacionais

Isto tudo foi agravado pelo fato de que mudanças internas levaram a uma virada dramática. Depois de 1989, a liderança tinha um pacto com os empresários: não entrar na política e com isso se enriquecer. Portanto, eles ficaram ricos corrompendo o poder.

Com sua campanha de luta contra a corrupção, Xi focou internamente e ficou alheio à atmosfera no exterior. Ele concentrou o poder, mas em seguida o poder deve ser redistribuído, – mas como?

Neste ponto, os EUA e muitos outros países ficaram fartos da China, e os acontecimentos recentes mostram que os americanos podem se tornar um verdadeiro inimigo.

Por tudo isso, as relações exteriores devem retornar ao centro do pensamento chinês antes que eles passem do limite e as coisas saiam do controle.

Em tudo isso, XiHuning Wang e seus colegas não são inocentes, mas eles também não são os principais culpados. Foi uma euforia coletiva que os fez esquecer que até os milagres têm seus preços. E isto não de acordo com a tradição ocidental, mas com a tradição budista chinesa.

Além disso, se concentrando internamente durante essas décadas, a China perdeu outra grande mudança internacional. O populismo se tornou dominante na política do Ocidente, e isso quebra a cabeça e estremece os políticos chineses. A primeira grande onda do populismo começou na década de 1980, de acordo com o analista político italiano e "padrinho" do novo Movimento Cinco EstrelasVincenzo Scotti [4]. Naquela época, Scotti acreditou que as receitas monetárias tornavam livre o mercado e energias económicas de maneira sem precedentes, impulsionando o crescimento e plantando as sementes da globalização que seguiria.

No entanto, isso deu a ideia de que os mecanismos de mercado automaticamente poderiam resolver questões sociais, substituindo assim a capacidade de mediação do Estado ou de organismos, como associações ou sindicatos. O papel do estado e grupos sociais começou a encolher e todos os tipos de conflitos sociais foram lançados nas mãos de acordos bilaterais. Ou seja: a política como tinha se formado por cerca de 200 anos, desde a Revolução Francesa, com a intervenção do estado e da política em conflitos sociais e econômicos internos, começou a se desvanecer. Populistas, com sua ênfase em direitos absolutos e não concedíveis [5], vieram à tona se opondo contra forças frias de mercado, também lideradas pela fria dinâmica da matemática e da acumulação de lucro. Isso diminuiu o espaço para a política, que costumava ser de mediação entre diferentes interesses, e transforma a arena numa gritaria entre diferentes emoções difíceis de conciliar uma com o outra.

Por um lado, as armadilhas do Partido Comunista Chinês, ainda influenciado por dinâmicas do século XIX e XX, salvaram a China do monetarismo insensível e do populismo. Mas estaria a China se esquecendo de alguma coisa importante? Ou estaria buscando no passado alguma ideia que lhe dê vantagem? Se de fato o pensamento do Partido estiver se afastando do pensamento político de outras partes do mundo, contatos e compreensão se tornarão mais difíceis.

Até agora não há nenhuma resposta clara.

Referências

[1] Ver Three waves of recent US-China history leading to present clash  e Utilitarianism, democracy and a moderating role for the Holy See

[2] Ver, por exemplo China’s Peaceful Rise: Speeches of Zheng Bijian 1997-2004

[3] CIA: China Is Waging a 'Quiet Kind of Cold War' Against US

[4] Devo o seguinte trecho a uma longa conversa com Vicenzo Scotti.

[5] Devo esta análise ao Procurado Geral de Roma, Giovanni Salvi.

*Publicado originalmente no Settimana News | Tradução de Victor D. Thiesen, publicada na IHU On-Line

Fonte: Settimana News

 

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