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A esquerda mexicana faz história

06-07-2018 - Gerardo Albarrán de Alba

A contagem rápida dá ao candidato do Morena uma vantagem irreversível. Seus adversários, Ricardo Anaya e José Antonio Meade, reconheceram a derrota.

Andrés Manuel López Obrador será o 57º presidente do México, ao se consolidar uma grande vitória nas eleições federais de ontem, que lhe dão uma legitimidade política e social não vista em décadas. A contagem rápida lhe dá uma vantagem que já indicam uma tendência irreversível: superando os 50%. Muito atrás se posicionam os candidatos dos partidos tradicionais de direita: Ricardo Anaya (PAN), com 22%, e José Antonio Meade (PRI), com 15%.

Meade foi o primeiro em reconhecer sua derrota e em desejar sucesso a López Obrador. “Reconheço que as tendências de voto não nos favorecem”, disse o candidato governista, em coletiva na sede nacional do PRI, e anunciou que seguiriam com atenção o resto dos resultados das eleições federais para renovar o Congresso e das eleições locais em 30 dos 32 estados do país, incluindo nove governos estaduais – os quais também pareciam mostrar tendência de derrota para o seu partido.

Meade não deixou espaço para a especulação: “reconheço que, de acordo com as tendências, Andrés Manuel López Obrador obteve a maioria. Ele terá a responsabilidade de conduzir o Poder Executivo, e pelo bem do México eu desejo a ele todo o sucesso”.

Meia hora depois do fim da votação, o candidato Ricardo Anaya ligou para López Obrador e o felicitou pela vitória. Logo, também em coletiva de imprensa, reconheceu publicamente sua derrota: “como já o fiz telefonicamente há alguns minutos, reconheço o seu triunfo e expresso meus desejos de que ele tenha sucesso e faça bem ao México”.

O efeito AMLO – as iniciais do seu nome completo, pelas quais é mais conhecido, em seus país o primeiro presidente progressista do México desde Lázaro Cárdenas, o mandatário que governou entre 1934 e 1940 – se propagou pelo país inteiro e ajudou a empurrar também os candidatos do Morena e seus aliados, o Partido do Trabalho (PT) e o partido Encontro Social, a ganhar seis dos nove governos estaduais em disputa.

Mesmo nas eleições legislativas, onde o cenário de um Morena conseguindo conformar uma maioria sobre os partidos tradicionais parecia impossível, há esperança de que algo próximo a isso possa acontecer, ou pelo menos um haverá um equilíbrio que poderá gerar governabilidade ao novo presidente.

Essa governabilidade será essencial para que López Obrador tenha margem de manobra para reverter a maior parte das reformas estruturais realizadas durante o atual período, através do presidente Enrique Peña Nieto, o segundo presidente do PRI que deverá entregar o poder a um opositor, como o fez Ernesto Zedillo em 2000, para o ultradireitista Vicente Fox – o problema para Peña Nieto é ter que fazê-lo em favor de um esquerdista como López Obrador, que ele venceu na eleição de seis anos atrás com certa vantagem, depois de uma campanha marcada por ataques, nas que impôs a percepção de que o agora presidente eleito era “um perigo para o México”.

Essa imagem pegou facilmente na cidadania depois dos protestos que López Obrador fez devido à suposta fraude eleitoral de 2006, quando o direitista Felipe Calderón ganhou a presidência após uma apuração marcada por irregularidades.

Em sua terceira candidatura à presidência – quase alcançando a marca do brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e do chileno Salvador Allende, que foram eleitos em suas quartas tentativas –, López Obrador vence com folga, arrastrando as demais votações nacionais com ele.

As primeiras projeções mostram que sua coalizão encabeça as preferências de voto na Cidade do México e nos estados de Chiapas, Veracruz, Puebla, Tabasco e Morelos. O PAN ganhou o Estado de Guanajuato, um dos seus bastiões – terra de Vicente Fox –, e briga voto a voto com o PRI em Yucatán. O estado de Jalisco elegeu o candidato do Movimento Cidadão, Enrique Alfaro.

A capital do país será governada por Claudia Sheimbaun, a candidata do Morena, que também registrou uma votação acima dos 50%, com grande vantagem sobre Alejandra Barrales (PAN-PRD), com não mais de 33%, e Mikel Arreola (PRI), que com sorte chegará aos 16%. O Estado de Morelos também será morenista, com a vitória do ex-futebolista e ex-prefeito de Cuernavaca Cuauhtémoc Blanco, que poderia alcançar 55,5% da votação. O segundo colocado é um candidato do PAN, que tem apenas 18,9%. O estado de Tabasco, de onde López Obrador é natural, seu partido arrasou, conseguindo 69,7% da votação.

O presidente del Instituto Nacional Eleitoral, a instituição encarregada de organizar o processo eleitoral, informou que houve uma votação massiva, com pouco mais de 62% dos eleitores habilitados comparecendo às urnas.

Na Cidade do México, milhares de simpatizantes de López Obrador festejaram nas ruas durante a noite de domingo (1/7), e foram à loucura quando ele apareceu na tradicional praça do Zócalo, para dar o seu triunfo da vitória, uma vitória que esperaram durante mais de dez anos.

De qualquer forma, nesta manhã de segunda, o México amanheceu sendo um novo país.

Artigo publicado originalmente no Página 12

 

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