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Álcool e cannabis sobe nos adultos com mais de 45 anos e nas mulheres

09-02-2018 - Margarida David Cardoso e Ana Maia

São estes os dois grupos que devem constituir o novo foco das políticas de redução das dependências. João Goulão alerta também para o regresso dos consumos abusivos na rua.

Mulheres, especificamente. E adultos com mais de 45 anos, em geral. São estes os dois novos grupos da população a causar preocupações. E que devem constituir o novo foco das políticas de redução de dependências, diz o director-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Adictivos e nas Dependências (SICAD), João Goulão. Os dados tornados públicos esta quarta-feira são claros: é entre as mulheres e os adultos com mais de 45 anos que se registam os maiores aumentos no consumo de álcool, sobretudo consumo excessivo, e de cannabis, em 2016 face aos quatro anos anteriores.Foi nas faixas etárias dos 45 aos 74 anos e nas mulheres que aumentaram as prevalências do consumo binge drinking (consumo elevado de álcool num curto espaço de tempo) e de embriaguez, quando entre os mais jovens e os homens estas práticas diminuíram face a 2012. “Isto é realmente preocupante e parece-nos que deve ser a grande aposta” nos próximos planos de prevenção em matéria de dependência, reforçou Manuel Cardoso, subdirector do SICAD, ao apresentar esta quarta-feira os relatórios A Situação do País em Matéria de Álcool, Drogas e Toxicodependências, de 2016, na Comissão Parlamentar de Saúde.

A igualdade chegou aos vícios

Já no consumo de droga, e em particular da cannabis, o SICAD notou que os “consumos mais intensivos continuam a ser mais prevalentes no grupo masculino do que no feminino”, mas ao considerar os consumidores recentes e actuais de cannabis, “os consumos diários/quase diários nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias são mais prevalentes no grupo feminino”.

Grupos etários esquecidos

“Nós focámos muito a nossa acção preventiva nos jovens – o que é importante e continuaremos a fazer -, mas se calhar os grupos etários mais adiantados ficaram um pouco esquecidos nestas estratégias”, notou João Goulão. O responsável destacou a necessidade de encontrar novas formas de intervenção e diagnóstico precoce de comportamentos abusivos, nomeadamente nos locais de trabalho, e de o próximo plano de acção reflectir um “enfoque nestas questões de género”.

Também se tornou premente, disse João Goulão, a procura de soluções para aquilo que chama de “o regresso dos casais ventosos”. Grupos de cidadãos, mais ou menos organizados, com consumos abusivos em determinadas zonas das grandes cidades, onde os serviços encontram “antigos consumidores, muitos recaídos na heroína”. Para esses, são necessárias melhores e novas respostas.

Mais consumo de cannabis

A heroína continua a ser a droga principal que os utentes em tratamento mais dizem consumir, à excepção dos utentes iniciaram o tratamento em 2016. À semelhança do que já referia o relatório divulgado no ano passado, mais de metade (54%) dos novos utentes em ambulatório referiu a cannabis como sendo o consumo principal para ali estar (mais 3 pontos percentuais face a 2015).

João Goulão salientou que este aumento dos consumidores de cannabis entre os novos utentes admitidos para tratamento acontece de forma simultânea com a redução do consumo da heroína. “À medida que esse consumo se vai desvanecendo, vai aumentando a importância da cannabis”, sublinhou.

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É por isso claro o agravamento do consumo de cannabis entre 2012 e 2016/17. “Continuava a ser a droga ilícita percepcionada como de maior acessibilidade.” Há um “maior número de pessoas a consumir e mais com padrões de consumo diário", reforça o relatório.

“Embora mais ligeiro, há também um agravamento da dependência do consumo de cannabis na população”, salienta o documento que destaca “os agravamentos [de consumo] no grupo feminino e nos 25-34 anos e 35-44 anos”. É igualmente preocupante o facto de as análises feitas pelos laboratórios das autoridades policiais revelarem uma “tendência de aumento da potência/pureza médias da maioria das drogas apreendidas em Portugal”.

Aumento das intoxicações por álcool

Outra das conclusões do relatório é a redução de mortes por overdose. Em 2016 registaram-se 27 overdoses com drogas, uma descida substancial face ao número verificado em 2015 em que foram 40 (menos 33%). Os opiáceos, onde se inclui a heroína, foram a principal causa destes óbitos. Seguiu-se a metadona e a cocaína.

No álcool, porém, a mortalidade resultante de intoxicações em 2016 – 45 óbitos – foi superior à registada nos dois anos anteriores. Repetindo-se o cenário de 2014, em que as intoxicações alcoólicas mataram mais do que as overdoses com drogas. De destacar ainda o facto de mais de metade destas intoxicações apresentarem resultados positivos só para o álcool.

Há dois anos, o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses registou 810 óbitos em que a presença do álcool foi detectada (um número superior aos 644 do ano anterior) e com informação sobre a causa de morte. Destes, 33% foram atribuídos a acidente (incluindo os de viação), 33% a morte natural, 17% a suicídio e 6% a intoxicação alcoólica.

Mais doentes em tratamento

Quer em relação ao consumo de álcool como de droga, o número de doentes em tratamento em ambulatório aumentou em relação ao passado. E em ambos os casos, as readmissões desceram.

No caso do álcool estavam 13.678 utentes em tratamento. Dos que em 2016 iniciaram tratamento, 686 corresponderam a readmissões e 3759 a novos utentes. “Constata-se desde 2009 um acréscimo do número de utentes em tratamento, registando-se no último quadriénio uma tendência de aumento dos novos utentes (mais 12% entre 2012 e 2016) e, em contrapartida, uma diminuição dos utentes readmitidos (menos 45% entre 2012 e 2016)", lê-se no relatório.

No que diz respeito aos internamentos em unidades de alcoologia/unidades de desabituação houve um decréscimo, mantendo-se a tendência crescente de internamentos em comunidades terapêuticas. Quanto aos internamentos hospitalares com diagnóstico principal atribuível ao consumo de álcool, constatou-se uma diminuição de 22% entre 2012 e 2016.

Relativamente às drogas, estavam 27.834 em tratamento, mais 841 do que no ano anterior. Já quanto aos tratamentos iniciados em 2016, sai reforçada a tendência de descida de readmissões, pelo quarto ano consecutivo. Das 3294 pessoas que iniciaram tratamento em 2016, 1204 diziam respeito a readmissões. Já o número de novos tratamentos – 2090 – registou uma tendência inversa, embora o aumento não seja significativo em comparação com anos anteriores.

O relatório refere que, “de um modo geral, os internamentos em unidades de desabituação e comunidades terapêuticas por problemas relacionados com o uso de drogas têm vindo a diminuir desde 2009”. Os consumos “mais leves” em detrimento da heroína, explicou João Goulão, permitiram que o tratamento em ambulatório ganhasse importância. Mas não só: “Chegam menos pessoas com indicação para internamento. Além disso, houve um fechar da torneira, uma poupança de recursos” que também justificará esta redução de internamentos.

Fonte: Publico.pt

 

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