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Sylville Smith: É isso que se ganha

26-08-2016 - Abby Zimet

O assassinato de mais um jovem e as revoltas jogaram luz no que está sendo chamado de pior local para ser negro nos Estados Unidos.

O assassinato de outro jovem negro pela polícia, dessa vez em Milwaukee, provou que são a segregação de décadas da cidade, o clima racial tóxico, a desigualdade econômica, os abusos policiais, e a liderança política que não somente ignoram mas frequentemente exacerbam essas tensões. A morte de Sylville Smith, 23, provocou dois dias e noites de protestos violentos em uma comunidade que, segundo o irmão de outra vítima da polícia, “não tem nada. É uma comunidade negligenciada. Queimar algo, para ele, significa, 'vocês nos ouvem agora?'”
 
O assassinato e as revoltas jogaram luz no que está sendo chamado de pior local para ser negro nos Estados Unidos, uma cidade tão segregada e dividida de seus subúrbios que uma velha piada racista até diz que o viaduto da rua 16 é o maior do mundo pois liga a “África à Europa”. A população de Milwaukee de 600.000 é quase 60% negra e latina, com uma taxa de pobreza de mais de 30%, infraestrutura dilapidada, e pouco ou nenhum acesso à empregos decentes; seus subúrbios são ricos, 96% brancos e Republicanos – e o governador Scott Walker é culpado por fazer com que o estado de Wisconsin permaneça assim.
 
O assassinato de Smith, no sábado a tarde, que foi consequência de uma parada no trânsito por “dirigir de modo suspeitoso”, está mergulhado em histórias familiares conflituosas que por si só refletem a divisão racial profunda da cidade. A polícia diz que Smith – que estava armado e tinha uma permissão de porte oculto em um estado onde o porte é legalizado – foi baleado por um policial negro de 24 anos quando ele se virou na direção deles com sua arma; residentes dizem que ele foi baleado nas costas; nenhum vídeo foi divulgado. As pessoas no poder preferem a narrativa do bonzinho e vilão que falha em reconhecer causa e efeito da opressão das pessoas, e, por isso, a polícia brevemente citou o “longo histórico criminal” de Smith, o qual é uma série de nove multas e prisões que vão desde alta velocidade, dirigir sem seguro e não usar cinto de segurança até tráfico de drogas e um caso de tiroteio que depois foi descartado.
 
Residentes dizem que a destruição e violência depois dos protestos pelo assassinato de Smith foram um choro de alerta infeliz mas inevitável, por uma comunidade cujas vozes são ignoradas há tempos. Mesmo que depois de tudo, os membros da comunidade tenham sido obrigados a limpar os danos dos carros queimados, o vereador da área insistiu, “o povo negro de Milwaukee está cansado”. “Eles estão cansados de viver com essa opressão”, ele disse. “Essa é a existência deles. Suas vidas. As vidas de suas crianças.”
 
Uma das vozes mais potentes que surgiram, foi a do irmão de Smith, Sedan, ou, segundo a cobertura bizarra do repórter da CBS, Evan Kruegel, “um homem dizendo ser o irmão da vítima”. Notando que Sedan tinha “prometido não usar palavras profanas” e citando os “donos de comércio inocentes que agora estão em chamas”, Kruegel pergunta ao machucado Sedan, “o que é preciso para que vocês fiquem bem hoje e parem com esse caos?” Tanto nessa quanto em uma outra entrevista emocionante – onde ele fala sobre a permissão de porte do irmão e argumenta que ele foi morto por ser um homem negro com uma arma – Sedan conta uma dura verdade: temos uma cidade em revolta pois “estamos perdendo entes queridos todos os dias para as pessoas que juraram nos proteger”.
 
“Não sou eu. Não somos nós. É a polícia. Essa é a loucura que eles incitam. É o que eles encorajam. O que provocam. É isso que se ganha. Ganhamos pessoas feridas, que não podem desabafar da maneira correta. E não, não vai acabar hoje. Eu não posso dizer que vai acabar amanhã. Não sei quando vai acabar. Mas são vocês que começam. Não estamos nos matando. Vocês estão nos matando. Não podemos fazer a diferença se vocês não mudam.”

Fonte: Common Dreams

 

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