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Chega contrata para o parlamento assessor que amplifica políticas nazis

04-07-2025 - Rita Rato Nunes

Francisco Araújo está sinalizado em relatório sobre a promoção de ódio e integra um movimento ultrarradical. Dirigente da “jota” do Chega vai para o parlamento.

"Os impérios não morrem de homicídios, morrem de suicídios e nós fomos entrosados por uma elite internacional capitalista e burguesa. Para que fique aqui registado: Deus perdoa; o homem português, europeu, que estamos a construir não vai perdoar." Estas frases são parte de um discurso de um dos mais destacados elementos da juventude do partido Chega, que entra na Assembleia da República nesta legislatura para assessorar o partido de André Ventura, apurou a  SÁBADO. Francisco Araújo, estudante de Relações Internacionais, falava então num congresso do movimento ultranacionalista Reconquista – que faz a apologia dos valores tradicionais, nacionalistas e populistas, e que já obrigou, por duas vezes no último ano, a intervenção policial para conter episódios de protesto.

Francisco Araújo é um dos elementos mais ativos deste grupo, criado em 2023. O dirigente do Chega do Porto tem participado com frequência nos eventos do Reconquista, como se pode ver pelas suas redes sociais, e dedica muito do seu tempo à promoção dos ideais do movimento através de vídeos semanais que alcançam, em poucos dias, milhares de visualizações. Nestes defende o salazarismo, impõe visões de supremacia branca e amplifica teorias antissemitas.

Tornou-se um  influencer do revisionismo histórico e o seu nome é inclusive citado no último relatório da organização não governamental norte-americana Projeto Global contra o Ódio e o Extremismo (2023), precisamente pelas suas publicações em redes sociais, a par do trabalho que desenvolveu na juventude do Chega, onde é destacado como um dos "membros mais radicais" entre os militantes do partido que "tem trabalhado para envenenar o discurso nacional com uma retórica racista, anti-LGBTQ+, anti-imigração e anticigana", sublinha o documento, ilustrado com publicações de Francisco Araújo nas redes sociais, algumas das quais entretanto apagadas.

A "traição" do 25 de Abril

Sobre o 25 de Abril, escreveu que "fomos traídos por militares com interesses financeiros" e que "escolhemos suicídio demográfico e subjugação económica" (um piscar de olho à teoria da conspiração da "Grande Substituição" da supremacia branca). No aniversário de Salazar, publicou: "Gostem ou não, nasceu há 134 anos aquele que é considerado ‘o maior português de sempre’." O 10 de Junho? "Dia da Raça portuguesa. Fomos grandes, voltaremos a ser."

Nos últimos meses tem-se dedicado mais a criticar o Governo de Luís Montenegro (o último vídeo, em que acusa o PSD de "fraqueza ideológica" por causa da lei da nacionalização, superou as 11 mil visualizações no canal de YouTube no primeiro dia) que aos temas da imigração e a julgamentos sobre a etnia cigana.

Concilia estes vídeos, com crónicas regulares num  site pessoal, no jornal do partido, o Folha Nacional, e algumas aparições em órgãos de comunicação social. Agora, terá um papel de assessor político no grupo parlamentar do Chega, ainda que o partido não tenha respondido às questões da  SÁBADO sobre as funções exatas que vai desempenhar, nem reagido às ligações do dirigente juvenil ao movimento Reconquista, que outrora André Ventura quis manter em águas separadas.

Fonte: Sábado

 

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