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Quinta-feira 1 de Outubro de 2020  
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Urgem orientações claras

15-05-2020 - Cândido Ferreira

Em janeiro de 2020, anulada a minha inscrição na Ordem dos Médicos, e ainda a “convalescer” de uma desgastante carreira profissional, nem imaginava um regresso à Medicina. Até me soar que uma nova gripe atingia a China...

Desperta a minha atenção para as confusas notícias que chegavam, logo o meu “dedo clínico” sugeriu que a quele vírus era mesmo perigoso. Preocupação depressa confirmada com a disseminação da pandemia por todo o mundo.

Bem diz o povo que, uma vez médico, é-se médico para sempre. Contagiado pelo “vírus da Medicina”, otimizar os magros recursos existentes e salvar o máximo de vidas humanas, mais do que um exercício intelectual, depressa passou a ser um imperativo cívico e ético… quase uma paixão. E foi com natural preocupação que logo registei falhas graves: o silenciar de alertas “para evitar o alarme social”; o desprezo pela formação sanitária das populações; e, sobretudo, o atraso na definição de orientações precisas, e preciosas, para se suster a propagação.

Aproveitei então para ler e refletir e, c om o caos a instalar-se, logo apontei erros e omissões e propus medidas sanitárias que, se correta e atempadamente aplicadas, poderiam ter minimizado estragos e salvar muitas vidas. Atrevi-me mesmo a dirigir uma Carta Fechada a Médicos e Responsáveis do meu País, apelando às nossas elites para que se empenhassem na imposição de medidas enérgicas e de orientações mais precisas. Sinais fortes os que então emiti no reforço da prevenção, mas que foram alvo de chacota e até de insultos nas redes sociais e não só.

País periférico, a pandemia “felizmente” só muito tarde se estendeu a Portugal e, com as barbas dos outros a arder, nem precisámos de “explicador”. Pese o descontrolo que se verificou na linha de comando na área da Saúde, aprendemos a tempo e a “tempestade” até nem está a correr tão mal como as previsões oficiais anteciparam. Antes a refletir o otimismo que sempre alimentei, creio firmemente que nos portaremos ainda melhor se e quando surgir uma segunda vaga.

No entanto, é hoje uma evidência que outras entidades oficiais pouco ou nada aprenderam com os erros que cedo denunciei. Na retoma da atividade económica e social, que é urgente, as recomendações em vigor ainda são, de um modo geral, extremamente confusas, tardias e desajustadas. Algumas serão até impraticáveis e propícias a aguçar os apetites de entidades que, em vez de ajudar quem as suporta, se especializaram em criar problemas. O caos ainda vigora em muito lado.

Procedimentos que não se entendem, até porque bastaria seguir os guiões já em prática noutros países para se evitar este “tudo à molhada”: horários desfasados no trabalho e nos transportes, reabertura mais seletiva de escolas e lares e um “cerco” aos locais de risco, que neste momento nem são as praias. Até no futebol, onde a par da Saúde e do Turismo, somos dos melhores do mundo, há atrasos e desentendimentos…

Sem orientações precisas, que logicamente só poderiam ser emitidas e controladas por agentes selecionados pelo seu mérito técnico e científico, e nunca por critérios políticos, corremos o grave risco de, no final desta pandemia, e sem recuperação à vista, contabilizarmos prejuízos tremendos.

Custo certamente muito mais elevado do que a “ninharia” de 850 milhões de euros, afinal um “pequeno” deslize num trambique que ainda vai dar muito que contar e que decorre numa das mais controladas instituições bancárias da nossa República.

Cândido Ferreira

 

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