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HISTÓRIAS – XLIV

21-02-2020 - Henrique Pratas

O que vos descrever é uma história real que há semanas um amigo meu me contou e que eu ouvi com toda a atenção e tirei as minhas conclusões e vocês tirem as vossas.

Esse meu amigo casou-se com uma mulher imbuído do espirito de estar presente em tudo e de colmatar a infelicidade que a sua mulher teve de perder a sua mãe aos 5 anos, foi a aposta dele, casou-se no início doas anos 80. Em 1983 viria a ser pai e com esse acontecimento fez tudo o que achava correto acompanhando a sua mulher em tudo, até quando após o parto ela foi para casa ele ficou duas semanas para que ela recuperasse na sua plenitude. Aliás antes disto acontecer ele nunca faltou a nenhuma consulta de acompanhamento com o obstetra e que foram muitas e também não deixou de ir às aulas de ginástica de parto.

Comportou-se, a meu ver, defendendo princípios e valores que achava que eram corretos.

Depois de a criança nascer foi ele que lhe deu banho porque a sua progenitora tinha medo de a deixar cair, apesar de ser numa banheira própria para o efeito e que depois do banho dado se fechava com uma tampa e se colocava o bebé em cima pela para ser devidamente limpa e vestida, ele fez isto vezes sem conta. Mais como naquele tempo as fraldas descartáveis eram caras e por sugestão da sua mãe compraram fraldas de pano da senhora da hora que depois de usadas eram lavadas a 100.º, para exterminar qualquer bacilo e depois eram passadas a ferro e era ele que o fazia sempre, dias houve em que as suas mãos firam com bolhas. Já agora ele não se queixa do que fez, o que lhe custa ouvir são determinados comentários que são feitos nas suas costas.

Às consultas do pediatra também nunca faltou, quando se acabou a licença de maternidade que naquele tempo era apenas, salvo erro e omissão de dois meses, preocupou-se em ver qual seria o melhor local para a colocar, já que a hipótese de a deixar ficar em casa com alguém que não conhecesse tinha sido discutida e abandonada rapidamente porque nunca se saberia quem lá se colocava e era no entender dos dois um risco.

Procurados que foram os locais onde a deveriam deixar durante o período normal de trabalho, que foram muitos, mas a maior parte deles eram depósitos de crianças, restaram apenas o Colégio Moderno e um outro que agora não me recordo o nome, mas que possuía uma escada muito ingreme e no qual o meu amigo colocou logo de parte porque poderia a criancinha cair por ali a baixo.

Optaram pelo Colégio Moderno, era o mais caro, face ao rendimento disponível, mas os pais querem sempre o melhor para os filhos e a decisão foi tomada.

O Colégio foi ótimo, segundo eles correu sempre tudo às sete maravilhas, o meu amigo teve que dar muito ao canelo para poder suportar os encargos que tinha assumido, trabalhou em excesso vendo as cosias agora, mas havia que pagar os compromissos assumidos. Apesar de não de se demitir da sua função de pai teve que fazer muito trabalho extra, dar formação e algumas vezes mas poucas deve ter chegado a casa já com a criança deitada, mas nunca se foi deitar sem a aconchegar.

Foram muitas as que as foi buscar ao Colégio, tirando-lhe sempre a terra dos sapatos que era mais do que muita e na altura em que ela chegou a uma idade em que gostava de mostrar a sua roupa e não vestir o bibe que era obrigatório, coisa que os pais não conseguiam em casa, entenderam que não deveriam forçar a nota pois aquilo seria sol de pouca dura. Mas um belo dia a educadora que estava com ela teve que se ausentar por alguns dias e colocaram outra a substitui-la e a criança não deixou vestir o bibe. Nesse dia foi o pai que a foi buscar e quando lá chegou estava perfeitamente congestionada de ter chorado o dia inteiro por causa da insistência da educadora para que ela colocasse o bibe.

Por sorte ou azar havia uma reunião de pais dois dias depois esse meu amigo não perdeu a oportunidade e como ia a todas as reuniões de pais esta era a mais “apetitosa” e oportuna. Questionou a educadora porque é que tinha feito aquilo há filha, como a resposta fosse que o bibe era obrigatório teve que levar com a resposta que para sua filha essa regra não se aplicava e sendo ela educadora deveria ter entendido que aquele tipo de comportamento duraria apenas dois ou três dias e depois voltaria tudo ao normal, arrasou-a completamente.

Mais tarde viria a ter outro filho, agora rapaz, tomou o mesmo tipo de comportamento do que em relação ao primeiro, fez todo com o segundo filho comotinha feito com o primeiro.

Aliás convém aqui deixar claro que esse meu amigo era quem ia às compras ao sábado e ao domingo há abertura da praça lá estava ele para comprar os produtos frescos para que os meninos pudessem usufruir dos mesmos, tudo isto porque a mãe das crianças gostava de ficar na cama até às 12 horas, e a nessa altura os produtos já não estavam tão frescos ficava o refugo como costumamos dizer.

Este meu amigo sempre levou as crianças para as serras mais perto de Lisboa para que pudessem usufruir do ar fresco e do facto de poderem estar à solta, mas isso constituía para ele um desgaste terrível porque tinha que “arrancar” a mãe da cama.

Não entrando em mais pormenores, porque a maior parte deles são completamente inacreditáveis, o pai sempre trabalhou para que eles pudessem fazer uma vida digna e tendo tudo há sua disposição para que tivessem sucesso na escola, trabalhou até há exaustão. Quando pediam ao pai qualquer coisa de útil para a sua vida académica lá estava o pai para lhe satisfazer o pedido e com a mãe a dizer depois do ato consumado que se fosse ela não teria feito o que o meu amigo fazia.

Esta vida durou cerca de 24 anos, até que um belo dia, a mãe decide sair de casa e levar os filhos com ela, esse meu amigo apercebeu-se à posteriori que andaram a engendrar esta “saída” durante 6 meses, até que se consumou o pior disto tudo é que ela fez a cabeça dos filhos e o pai para é considerado como um bandido e desde que saíram de casa nunca mais lhe falaram, 12 anos.

O pai como é generoso todos os anos lhes envia ou liga na altura do aniversário, mas repostas não tem, a não ser no passado dia 30 de janeiro de 2020, onde a filha lhe atendeu o telefone e acusou-o de tudo o que fez por eles, dizendo que talvez tivesse sido melhor para eles terem andado no Ensino Público e não terem tantas mordomias.

Esse meu amigo ficou sem resposta e como pai perfeitamente desapontado.

Refleti em tudo o que me disse e fez-me pensar sobre muita coisa e espero que a vocês também.

Henrique Pratas

 

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